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09/01/2008 - 07h00

Caminhões comemoram recorde de 2007 e esperam mais

Da Auto Press
A indústria brasileira de veículos tem muitos motivos para comemorar. O mercado de automóveis e comerciais leves quebrou um recorde de vendas que já durava 10 anos. Só que o setor de caminhões foi além: derrubou uma marca que perdurava há três décadas.

A previsão da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores - Anfavea - é que 2007 totalize 100 mil unidades de caminhões comercializadas no país - com uma produção total próxima de 140 mil unidades. O total de vendas é 30% maior que as 76.653 unidades de 2006 e 10,8% superior que as 90.147 vendas do longínquo ano de 1977 - época do milagre econômico.
Divulgação
A indústria de caminhões sabe que será difícil de repetir o resultado de 2007

As razões para o bom desempenho do setor, porém, vão além do perfil de crédito, com alongamento dos prazos - razão que atraiu consumidores de menor renda e funcionou como grande propulsor das vendas, no caso dos automóveis de passeio.

O segmento de caminhões, por estar mais diretamente ligada à circulação de riquezas, reflete o desempenho global da economia. Em 2007, o retrato do Brasil foi de aquecimento da demanda e de otimismo no futuro.

Na conjunção de fatores, o agronegócio foi um dos maiores responsáveis por esses números. Cerca de 50% dos caminhões pesados que chegam ao mercado são aplicados no transporte de produtos do campo. Por isso, o segmento de veículos com mais de 45 toneladas de PBTC foi o que mais cresceu: 50% em relação a 2006.

Esses veículos estão diretamente ligados ao aumento da produção de biocombustível, pois são usados não só na colheita e transporte de cana-de-açúcar, mas também para o álcool anidro.

A estimativa é que 25% do total, ou 25 mil caminhões, tenham sido vendidos para essas aplicações. "O fator agricultura foi determinante em 2007, com o fortalecimento do agronegócio. Nunca se investiu tanto em usinas e em colheita da cana", destaca Ricardo Alouche, diretor de vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Outros setores do agronegócio também são apontados pelo crescimento, como a pecuária de corte. As aplicações de caminhões frigoríficos avançaram cerca de 20% em relação a 2006.

AP
As vendas de caminhões chegaram a 100 mil unidades no ano passado
Os transportes de bebidas e de minério também registraram crescimento entre 10% e 12%. Os minérios cresceram tanto em função da exportação quanto pelo fato de os automóveis terem vendido como nunca, o que ampliou as atividades no setor siderúrgico. O maior movimento de cargas acaba forçando a modernização da frota.

"Os transportadores sabem que sem equipamentos de ponta, não conseguem ser competitivos junto aos embarcadores. Isso ajuda a alavancar o mercado", explica Bernardo Fedalto Júnior, gerente de vendas da Linha F de caminhões da Volvo.

Relação com Brasília

Talvez para afagar o Governo, os especialistas do mercado de caminhões reconhecem que o progresso social no país contribuiu decisivamente para os resultados de 2007. Os programas de distribuição de renda e os bons ventos da economia deram acesso para algumas camadas da população a produtos que antes não podiam adquirir.

"Uma melhor distribuição de renda no país faz com que mais pessoas consumam e é preciso transportar essas mercadorias e produtos até elas", ressalta Roberto Leoncini, gerente executivo de vendas da Scania.

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O bom momento da economia brasileira foi fundamental para o ano dos caminhões
Para 2008, as metas são otimistas, mas os fabricantes de caminhões consideram difícil repetir a evolução de 2007. Espera-se um aumento de 11% do mercado interno, para algo em torno de 110 mil unidades em 2008. "Um crescimento maior é até possível se todos os fatores econômicos continuarem positivos", torce Oswaldo Jardim, diretor da Ford Caminhões.

A dúvida é se a capacidade instalada no país suporta um aumento de demanda muito superior, já que a fila de espera não é exclusividade do setor de automóveis e comerciais leves.

"Todos tiveram dificuldade de entrega e batemos na capacidade instalada", reconhece Fedalto. Entretanto, Alouche tem outra opinião: "Mas não é só uma euforia de mercado. Estamos com o abastecimento que o mercado pede, então não se trata de uma situação limite".

Marcha mais lenta

O programa de renovação de frota, chamado de Renofrota pela Confederação Nacional de Transportes - CNT -, sempre foi visto com ótimos olhos pelas fabricantes de caminhões do país.

Afinal, é uma ótima oportunidade de alavancar a venda de veículos em uma frota com idade média estimada entre 18 e 20 anos. No entanto, o programa ainda nem saiu do papel e, devido ao bom momento do mercado, algumas montadoras mantém o apoio e falam em planos a médio e longo prazos.

"O caminhoneiro autônomo não consegue pagar prestação e vai trocar um caminhão com 20 anos de uso por um com 10. O mercado está tão aquecido que qualquer programa adicional iria gerar demanda, mas não oferta. A indústria precisa de um pouco mais de fôlego", argumenta Alouche.

A questão da absorção de mercado dos caminhões velhos que rodam também é levantada. Modelos defasados acabam parando na mão de caminhoneiros que não têm poder de compra para modelos zero-quilômetro.

Enquanto isso, veículos mais modernos com motores que atendem às leis de emissões Euro III continuam a conviver com caminhões que não tinham de obedecer qualquer legislação ambiental quando foram fabricados.

"Tem de existir um programa executável. Não adianta colocar incentivo para o caminhão zero sem ter o que fazer com o caminhão usado que vai tirar da rua", pondera Fedalto.

Outros dados

  • Segundo o último relatório da Confederação Nacional de Transportes, 61% da carga transportada no país é feita pelo modal rodoviário.

  • Até novembro de 2007, nada menos que 1,039 bilhão de toneladas de produtos foram transportados pelas rodovias brasileiras, segundo levantamento da Fipe.

  • A Mercedes-Benz foi a líder em vendas de caminhões, com cerca de 31,5% de participação, seguida de perto pela sua principal rival, a Volkswagen, com aproximadamente 29%.

  • O mercado de reboques e de semi-reboques vendeu 41.217 unidades até novembro de 2007, 41% a mais que o mesmo período de 2006. Já as aplicações graneleiras foram 10.134 unidades, 45% a mais que no ano anterior.

  • Cerca de 70% das compras de caminhões no país são financiadas.

    (por Fernando Miragaya)

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