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07/01/2008 - 11h00

Meriva automatiza câmbio para encarar o Fit CVT

Da Auto Press
A minivan Chevrolet Meriva andava carente de novidades. Afinal, desde seu lançamento, em 2002, o monovolume mantém o mesmo desenho e o mesmo motor 1.8 -- que ganhou apenas uma versão flexfuel, em 2004. Para tentar dar uma sacudida na linha, a montadora resolveu dotar a Meriva com um câmbio manual automatizado.

A proposta da General Motors é emprestar um ar de requinte ao modelo. Pelo menos o suficiente para fazê-lo rivalizar com o Honda Fit, que conta com o opcional de câmbio automático do tipo CVT (continuamente variável).
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias


Câmbio automatizado é maior novidade da Meriva desde o lançamento
MAIS FOTOS DO CHEVROLET MERIVA EASYTRONIC

No câmbio Easytronic, desenvolvido em 2000 pela Opel (subsidiária alemã da General Motors), o pedal da esquerda deixou de existir. O sistema consiste basicamente num câmbio mecânico com engrenagens comuns, mas que tem embreagem e trambulador automatizados. Promete ser mais simples e barato que os câmbios automáticos. Tanto que a GM usa o custo de R$ 2.000 como um dos atrativos do Easytronic, já que uma transmissão automática comum não sai por menos de R$ 5.000.

FICHA TÉCNICA

Motor: Gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.796 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, comando simples de válvulas no cabeçote, injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual automatizado de cinco velocidades à frente sincronizadas com opção de modo seqüencial e modo esportivo. Tração dianteira.
Potência: 114 cv com álcool e 112 cv com gasolina a 5.600 rpm.
Torque: 17,7 kgfm a 2.800 rpm.
Diâmetro e curso: 80,5 mm x 88,2 mm. Taxa de compressão: 10,5:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braço de controle ligado ao subchassis, molas helicoidais com compressão de carga lateral, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás e barra de torção. Traseira semi-independente com barra de torção soldada com dois braços fundidos de controle, molas tipo barril com diâmetro variável e progressivo, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS e EBD como opcionais.
Carroceria: Monovolume em monobloco com duas portas e dois lugares. 4,04 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,62 m de altura e 2,63 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.280 kg em ordem de marcha com 475 kg de carga útil.
Porta-malas: 360 litros/ 1.610 litros.
Tanque: 52,5 litros
Chevrolet Meriva Premium Easytronic
A disposição do câmbio Easytronic para o motorista é simples. São apenas três tipos de engate. O "N", para neutro ou ponto morto, serve para que o carro possa ser ligado -- é preciso também pisar no freio. O "R" é a ré e o "A" funciona como um "drive". Há ainda a opção de mudanças manuais em modo seqüencial. Ao colocar a manopla para a frente, aumenta-se as marchas. Para trás, reduz-se.

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O botão "S" aciona o modo "Sport", onde as marchas do modo automático são mudadas em rotações mais elevadas. O sistema conta ainda com o dispositivo kickdown, presente na maioria dos câmbios automáticos, que reduz uma marcha quando se pisa até o fundo do pedal do acelerador.

A nova transmissão da Meriva trabalha em parceria com um velho conhecido. Trata-se do motor 1.8 litro flex, que gera 114 cv de potência com álcool ou 112 cv com gasolina, a 5.600 rotações. O torque máximo é de 17,7 kgfm a 2.800 giros, tanto com o combustível vegetal quanto com o fóssil. Apesar de ter no preço um de seus maiores atrativos, o câmbio manual automatizado só vai equipar a configuração Premium, a mais recheada da linha Meriva.

Preços
O modelo parte dos R$ 54.314 e conta com ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, travamento automático das portas, regulagem elétrica dos faróis, alarme, aviso de faróis acesos e regulagem de altura do banco do motorista, entre outros.

O preço do Meriva Premium Easytronic começa mais barato que o Fit EX 1.5 CVT, que custa R$ 57.500. Leva a vantagem também na litragem, potência e sistema flexível do motor, já que o compacto da Honda gera 105 cv e conta apenas com versão a gasolina.

No entanto, perde em outros quesitos. Principalmente no câmbio, já que o Fit oferece a opção do moderno CVT, um automático genuíno e continuamente variável -- que minimiza trancos nas mudanças de marcha. Além disso, a configuração top do Fit CVT ainda oferece direção elétrica, airbag duplo e freios com ABS e EBD.

No módulo de opcionais disponível na versão Premium, com as bolsas de ar frontais e os assistentes dos freios, o Meriva Easytronic chega a R$ 57.814. O pacote ainda inclui faróis de neblina e gaveta sob o banco do passageiro. Com pintura metálica, vai a R$ 58.732, e com perolizada chega aos R$ 58.893.

Com essas configurações, a GM projetava vender em dezembro de 2007 cerca de 200 unidades da Meriva Premium Easytronic, o que representaria 11% das vendas do monovolume em novembro (1.734 unidades). Neste ano, a montadora espera que esse número suba progressivamente para algo em torno de 500 unidades/mês. (Fernando Miragaya)

O MERIVA EASYTRONIC DE ZERO A 100
Desempenho - É preciso se acostumar com o câmbio manual automatizado do Meriva. A falta de traquejo inicial, de certa forma, compromete o desempenho do já conhecido motor Flexpower de 114 cv com álcool. Nas arrancadas, por exemplo, a embreagem patina e o carro demora um pouco a deslanchar. Já as primeiras mudanças de marcha, mais curtas, geralmente são acompanhadas de trancos, mesmo ao se pisar leve no pedal do acelerador. O ideal é mesmo aliviar a pressão do pé no acelerador quando o giro do motor denunciar a mudança de marcha - como se faz em um carro manual. De zero a 100 km/h foram necessários 13,1 segundos. Usar o modo manual seqüencial confere mais controle sobre o carro, mas as respostas ao acelerador continuam demoradas. Mesmo assim, é possível alcançar a máxima de 180 km/h. Nota 7
Estabilidade - Continua um ponto forte da Meriva. Apesar da altura, a suspensão bem-calibrada garante pouco rolling da carroceria nas curvas. Só mesmo ao se testar os limites numa curva mais fechada é que a minivan faz menção de sair de frente. Nas frenagens, o carro fica no chão e não sai da trajetória. É bom lembrar que o modelo avaliado conta com ABS e EBD, que são opcionais. Nota 8



Interatividade - O conceito de monovolume facilita a posição de dirigir. O banco conta com regulagem de altura, a posição do assento já é elevada e a área envidraçada frontal e lateral é muito boa. A ergonomia eficiente traz todos os comandos à mão. Apenas o botão do farol exige um certo deslocamento do motorista. A visibilidade traseira é menos favorável, devido ao vidro um tanto diminuto. De qualquer forma, os cortes retos da lataria e as dimensões enxutas facilitam na hora de estacionar. O câmbio Easytronic, por sua vez, apesar do mecanismo mais simples que uma transmissão automática, requer uma interação maior do motorista. É necessário aprender a dosar o pé no pedal do acelerador para ter um melhor aproveitamento do veículo. Nota 7
Consumo - Com uso urbano em 2/3 da avaliação e o restante na estrada, o Meriva fez a média de 6,9 km/l com álcool. Nota 6
Conforto - O sistema flexível dos bancos do Meriva confere um espaço interno interessante ao compacto. Há um bom vão para as pernas, mas os passageiros de trás com mais de 1,75 m tendem a articular demasiadamente os joelhos. O espaço para a cabeça é generoso, devido à boa altura do modelo. A suspensão traseira semi-independente, com dois braços e viga de torção, absorve bem as irregularidades da pista. O isolamento acústico só é eficiente até os 120 km/h. Depois disso, o barulho dos pneus e do motor invade gradativamente o habitáculo. Nota 8
Tecnologia - O Meriva usa uma plataforma de 2000. Mas, como no Brasil se dá pouca importância a isso, o modelo deve durar no mercado ainda por um bom tempo. A transmissão manual automatizada não deixa de ser uma inovação, apesar de ser adotada há sete anos na Europa. Lamentavelmente, o modelo só oferece itens de segurança como airbag duplo e ABS como opcionais. E não há computador de bordo. Nota 6
Habitabilidade - Outro ponto alto do carro. Os 360 litros do porta-malas não deixam de ser generosos para um compacto, mas o espaço pode saltar para ótimos 1.610 litros com os três bancos traseiros rebatidos - que, aliás, deixam o assoalho plano. Os acessos são fáceis, há uma boa quantidade de porta-objetos e a iluminação interna é eficiente. Nota 9
Acabamento - Os materiais estão longe de esbanjar requinte, mas aparentam qualidade e são agradáveis ao visual e ao toque. Os encaixes são precisos e há poucos sinais de rebarbas. Nota 7
Design - O Meriva tem estilo controverso, principalmente no desenho frontal. Como foi desenvolvido em conjunto por engenheiros da Opel na Alemanha e da Chevrolet no Brasil, está alinhado com o seu similar europeu. Nota 6
Custo/benefício - Seu principal rival é o Fit 1.5 CVT, que é mais caro - R$ 57.500 - e possui motor menos potente e movido apenas a gasolina. Só que a transmissão do compacto da Honda é a moderna e confortável CVT e o carro ainda é equipado com airbag duplo e ABS. Com esses importantes equipamentos de segurança, o Meriva chega a R$ 57.814. Nota 6
Total - O Meriva Easytronic somou 70 pontos. NOTA FINAL: 7

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