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28/12/2007 - 20h25

Demanda alta, dólar baixo e lançamentos agitaram o mercado

Da Auto Press
Num ano com muitas novidades e vendas altas, não foram poucos os modelos que chamaram a atenção. Mas nas avaliações realizadas pela equipe da Auto Press, algumas novidades se destacaram especialmente. Caso de sedãs médios, confortáveis como o Citroën C4 Pallas ou esportivos como o Civic Si. Ou modelos de altíssimo luxo e desempenho, como Audi TT, BMW X5 e Mercedes E320.

Há também hatchs médios de desenho e proposta interessantes, como o Nissan Tiida e o Chevrolet Vectra GT. E até compactos inovadores, como o Ford Ka e o Renault Sandero. Todos eles revelam virtudes que merecem ser relembradas numa avaliação dos produtos que chegaram em 2007.
Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias


No alto, o Audi TT, que esbanja desempenho e tecnologia; abaixo, o C4 Pallas, outro campeão tecnológico. Ambos são os destaques do ano automotivo de 2007, segundo a equipe da Auto Press
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Um dos modelos que mais impressionam é o Audi TT. A nova geração do belo esportivo da marca das argolas desembarcou no Brasil em maio de 2007 e se destaca, claro, no desempenho. Em parte, graças ao seu motor de 200 cv turbo com injeção direta de combustível. Mas uma outra e importante parte da responsabilidade pelas boas acelerações do cupê é da alta tecnologia, inclusive estrutural, do TT -- além do motor, do câmbio S-tronic e dos controles eletrônicos.

Na arquitetura, 70% do carro é construído em alumínio e 30% em aço, o que permite o equilíbrio perfeito de distribuição de pesos. O desenho fluido acompanha a velocidade do carro.

Entre os nacionais, o Honda Civic também aparece bem em diversos quesitos. Foi o nacional com melhor desempenho (na versão Si), mas também merece elogios por design e acabamento. Nesse aspecto, aliás, há uma crescente preocupação com a qualidade dos materiais e da montagem, principalmente entre importados, que ganharam algum fôlego com a queda do dólar.

BMW X5, Land Rover Freelander 2, Volkswagen Passat e Touareg receberam notas altas. Mas os modelos da Mercedes-Benz, como Classe B e o novo Classe C, e em especial o E350, sobram. O Classe E, aliás, se destaca tanto em interatividade quanto no desempenho.

Espaço e tecnologia
Outro sedã importado, o renovado Chevrolet Omega australiano, fez a festa no quesito habitabilidade. Pudera: cada um dos 13 cm que ganhou no entre-eixos foi dedicado ao espaço interno. O carrão da Chevrolet embarca ainda uma dose cavalar de tecnologia, infelizmente rara em modelos latino-americanos.

Aliás, está ficando incomodamente normal que modelos construídos em países ricos -- como Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul, Alemanha, França, Inglaterra, Suécia e (como no caso) Austrália -- humilhem os latinos feitos no México, Brasil e Argentina em relação a tecnologia, tanto embarcada quanto de construção. É o caso de Citroën C4 VTR, Mercedes-Benz Classe E, Volkswagen Variant 2.0 FSi e Land Rover Freelander 2.

Mas alguns SUVs presentes nas vitrines brasileiras não ficam atrás. A nova geração do X5, por exemplo, foi o destaque em conforto, enquanto o Volkswagen Touareg se sai bem em estabilidade. No segmento de crossovers, o futurista Nissan Murano esbanja conforto, mas impressiona mesmo é pelo design. Rivais conterrâneos, o Toyota RAV4 tem como virtude o conforto, enquanto o Honda CR-V tem a habitabilidade.

Entre os modelos latino-americanos, o Fiat Punto apareceu com seu desenho ousado e equilibrado. O Novo Ford Ka, que começa a ser vendido nas próximas semanas, também chama a atenção pelo desenho moderno e interessante -- mas surpreendeu mesmo pela boa combinação de desempenho e consumo, mesmo com a motorização 1.0: anda como gente grande e fez a média de 8,1 km/l com álcool. Outros modelos flex, quando muito, resvalaram na média de 7 km/l.

Só com gasolina, o Nissan Sentra S 2.0 fez uma boa média de 9,1 km/l. No segmento dos hatchs médios, que voltaram a receber atenção das montadoras, Vectra GT e Nissan Tiida se destacaram pela boa estabilidade.

Um destaque "hermano"
Mas o destaque do mercado brasileiro foi um sedã médio argentino. O C4 Pallas começou a ser vendido em agosto, mas em pouco tempo ultrapassou as 1.700 unidades mensais e deixou para trás rivais já conhecidos, como Renault Mégane, Peugeot 307 sedã e Ford Fusion.

No outro extremo, a decepção do ano foi o Fiat Palio reestilizado. O compacto foi explicitamente rejeitado pelo mercado -- apesar de ter sido lançado em fevereiro, até agora não responde nem pela metade das vendas da linha. Até a Fiat teve de reconhecer o fiasco. A montadora resolveu criar um desenho diferente para o sedã Siena para tentar evitar a repetição do drama. (por Bernardo Feital e Fernando Miragaya)

OS MELHORES DO ANO EM CADA PONTO
Desempenho - AUDI TT e HONDA CIVIC Si
O Audi TT 2.0 perdeu 25 cv em relação à geração anterior, que usava motor 1.8. Mas isso não esmoreceu o estiloso cupê. Afinal, o modelo perdeu também 135 quilos em seu peso total graças ao alumínio aplicado em 70% da carroceria, o que deixou a relação peso/potência em invejáveis 6,3 kg/cv. Os propulsores do Grupo Volkswagen também fazem bonito a bordo dos Passat FSi Turbo e V6, sem falar no instigante desempenho do Polo GTI importado da Alemanha. O ano também foi de gratas surpresas em relação a nacionais potentes. O Honda Civic Si foi o que obteve melhores índices de desempenho com seu motor de até 195 cv, pouco à frente do Golf GTI, que alcança 193 cv - nos dois casos, com gasolina de alta octanagem.
Estabilidade - VOLKSWAGEN PASSAT V6 e CHEVROLET VECTRA GT
O Volkswagen Passat V6 se saiu muito bem neste quesito. Suspensão bem-acertada, boa rigidez torcional e controles de estabilidade e tração garantiram uma performance irretocável ao modelo em curvas. O novo BMW X5, com um sistema que inclui sensores e agrega direção, suspensão e controles de estabilidade, impressiona. Mas outros importados também se destacaram, como Volkswagen Touareg, Mercedes E350 e a nova Classe C, o Audi TT - cuja rigidez foi melhorada em 50% - e Chevrolet Omega. Entre os modelos latino-americanos, destaque para a suspensão traseira muito bem-acertada do Vectra GT, que deixou o modelo no chão nas curvas feitas de forma mais arisca. Quem também se saiu bem aí foi outro hatch médio, o Nissan Tiida.
Interatividade - MERCEDES-BENZ E350 e PEUGEOT 307 SW
Curiosamente, poucos modelos obtiveram notas boas nesse aspecto. O destaque ficou com o Mercedes-Benz E350, inclusive por seu jeitão conservador e racional. Computador de bordo completo interagindo com sistemas de telefonia e de som, DVD, controles de cruzeiro e vários comandos no volante reforçaram a boa avaliação do sedã. Isso sem contar a boa ergonomia e as diversas regulagens elétricas que ajudam a encontrar a posição ideal para conduzir o requintado três volumes da marca da estrela. Entre os latino-americanos, o Peugeot 307 SW foi quem se saiu melhor. Volkswagen Golf GTi e Toyota Corolla Fielder também foram bem-cotados.
Consumo - VW PASSAT VARIANT 2.0 FSi e FORD KA 1.0 FLEX
Numa época de carros flex beberrões, é sempre bom verificar um consumo de 8,1 km/l com álcool do reestilizado Ford Ka 1.0, ou os 7,8 km/l do Chevrolet Corsa com o motor EconoFlex 1.4, que estreou no Prisma. A linha Logan também obteve médias próximas aos 8 km/l. Durante o ano, a grossa maioria dos modelos avaliados andou em torno de médias entre 6 km/l e 7 km/l com o combustível vegetal. Só com gasolina, o Renault Mégane Grand Tour 1.6 16V registrou a boa média de 9,6 km /l, enquanto o Sentra S 2.0 assinalou 9,1 km/l. Dos importados fora do Mercosul e México, o Volkswagen Passat Variant 2.0 FSi, com 9,1 km/l, e o Land Rover Freelander, com 8,9 km/l, foram os que beberam menos.
Conforto - BMW X5 e RENAULT SANDERO
Os dispositivos de direção ativa e condução adaptável ajudaram o novo BMW X5 a liderar a lista dos mais confortáveis. Apesar de grandão e alto, como qualquer utilitário esportivo, o modelo usa muito alumínio na base da carroceria e consegue absorver e filtrar grande parte das irregulares, principalmente em trechos de terra. Um sistema de direção integrada atua em conjunto com a suspensão e os controles de segurança do veículo através de sensores que detectam quando a roda dianteira, por exemplo, passa por um buraco. Rapidamente, a suspensão traseira age para compensar a torção. Em relação ao espaço interno avantajado, quem se mostrou bem foi o Nissan Murano. Os entre-eixos generosos dos compactos Logan e Sandero - maiores que o do médio Corolla, por exemplo - conferiram um ótimo espaço interno aos dois compactos, com bom vão para pernas e cabeça.
Tecnologia - AUDI TT e CITROËN C4 PALLAS
O Audi TT foi considerado o rei da tecnologia graças à nova carroceria e ao moderno conjunto câmbio/motor - propulsor turbo com injeção direta e transmissão S-tronic robotizada de seis marchas. Destaque ainda para os amortecedores com fluido eletroviscoso, que regula o amortecimento conforme a voltagem a que é submetido. Os sistemas de direção ativa e condução adaptável também fizeram o X5 se destacar nessa categoria. Os modelos da Mercedes, Classe E e Classe C, também foram muito elogiados nessa especialidade. Nesse quesito, principalmente, os latino-americanos ficam bem atrás. Apenas o Honda Civic e, principalmente, o Citroën C4 Pallas merecem menção.
Habitabilidade - CHEVROLET OMEGA e RENAULT LOGAN
A nova geração do Chevrolet Omega alcançou nota máxima. Não era para menos. Portas generosas que garantem um acesso tranqüilo ao carro. O espaço interno, principalmente para quem vai atrás, é quase indecente. Há ainda diversos porta-objetos espalhados pelo habitáculo, uma tela de LCD para o banco traseiro e um porta-malas de 495 litros, que fazem do luxuoso sedã um modelo ótimo para longas viagens. A turma off-road Mitsubishi Outlander, Honda CR-V e Land Rover Freelander 2 também foi bem-avaliada nesse aspecto, mas principalmente pela praticidade que mostram no convívio. Entre os modelos feitos na América Latina, o Renault Logan se valeu do generoso espaço interno. As minivans nacionais também se saíram bem. Entre elas, Citroën Xsara Picasso e a Chevrolet Meriva Easytronic foram as que receberam maiores notas.
Acabamento - MERCEDES-BENZ E 350 e HONDA CIVIC
O requinte de uma Mercedes não se resume a desenho externo ou a nível de equipamentos. Materiais de primeira qualidade, revestimentos impecáveis, encaixes precisos e forrações que agradam ao toque e aos olhos são obrigatoriedade nos modelos da marca. Em especial em modelos mais sofisticados, como o E350. O aspecto requintado é reforçado pelos bancos e volante de couro e detalhes aplicados em madeira e alumínio escovado por todo o interior. No novo Classe C, o nível de luxo é um pouco menor, mas a excelência na escolha de materiais e na montagem permanece. BMW X5, Volkswagen Passat V6, Audi TT e Land Rover Freelander 2 se caracterizam pela qualidade dos materiais que usam. No Mercosul, alguns modelos, como Citroën C4 Pallas e Toyota Fielder, mantiveram a tradição de acabamento das marcas. Mas foi o Honda Civic que causou melhor impressão.
Design - NISSAN MURANO e FIAT PUNTO
Os apelos esportivos, como saias, spoilers e detalhes cromados da versão Si emprestaram um ar arrojado e bem estiloso ao já bonito Civic. O modelo foi apontado como o nacional com linhas mais modernas e impactantes. Quem também fugiu dos padrões convencionais foi o Fiat Punto, com um desenho bastante marcante e agressivo. Diferente mesmo é o Nissan Murano, um crossover com jeitão de máquina espacial e estilo nada convencional. Outro modelo que conseguiu agregar valor nesse quesito foi o novo Ford Ka, que ganhou 20 cm e um desenho instigante e ousado.
Custo/benefício - CITROËN C4 VTR e RENAULT SANDERO
O recém-lançado Renault Sandero foi o modelo que recebeu a nota maior nesse aspecto. Mais que justificável. Trata-se de um compacto premium moderno, com espaço de carro médio e que custa até 10% mais barato que outros hatchs compactos. O Ford Ka, com preços iniciais de R$ 25.190 e desenho bem atraente, também se tornou uma boa opção para o segmento dos compactos "de entrada". Não era mesmo de se esperar que quaisquer importados, onerados por uma alíqüota de 35%, figurassem nessa lista. Ainda assim, o francês C4 VTR merece destaque. Afinal, é um médio moderno, bem completo, com roupagem esportiva, e custa por volta de R$ 70 mil.
Destaques do Ano - AUDI TT e CITROËN C4 PALLAS
Decepção do Ano - FIAT PALIO

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