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20/12/2007 - 16h03

Carros com cara de 'terrão' fazem sucesso

Da redação
Viver na cidade é uma aventura? Sem dúvida. Para encará-la é preciso ter um carro "aventureiro"? Cada vez mais gente acha que sim -- e compra veículos que são descritos no meio automotivo como off-road light. Em português claro, seriam os "mais ou menos fora-de-estrada". São versões de modelos "normais", como o CrossFox do Fox, o Idea Adventure do Idea (de cuja publicidade saiu a pergunta do início do texto), o Gol Rallye do Gol, o XTR do Citroën C3 etc.

Para se ter uma noção do sucesso desse tipo de carro, tome-se como exemplo o mais recente hatch da Volks: até meados de dezembro foram emplacados no Estado de São Paulo 41.256 Fox, contando as versões City, Plus, Route e Sportline. No mesmo período, emplacaram-se 7.378 CrossFox (os dados são da Fenabrave, associação dos distribuidores de veículos). Ou seja, em São Paulo o CrossFox vende quase tanto quanto as outras versões do Fox -- e é ao menos R$ 6.000 mais caro que elas.

VAI PÔR NA TERRA?

VOLKSWAGEN CROSSFOX
Leia aqui a avaliação do modelo

CITROËN C3 XTR
Leia avaliação e veja fotos do modelo

FORD ECOSPORT
Veja fotos do modelo 2008

FIESTA TRAIL
Leia avaliação e veja fotos do modelo

GOL RALLYE
Confira avaliação e veja fotos do modelo

IDEA ADVENTURE
Leia a avaliação do modelo da Fiat

CHEVROLET TRACKER
Aqui, a avaliação e as fotos do 4x4
COMPARATIVO: IDEA X CROSSFOX X ESCAPADE
CROSSFOX X ECOSPORT X IDEA X ESCAPADE
No caso da Fiat, a versão Adventure responde por 40% das vendas do Idea, o que equivale a cerca de 10,8 mil carros emplacados em todo o Brasil até o final de novembro. Já a versão Adventure do Palio Weekend, configuração pioneira do off-road light, detém nada menos que 50% das vendas do modelo -- cerca de 8.000 unidades do station wagon com figurino valente foram emplacadas até o final de novembro.

A reportagem procurou a Ford para obter dados sobre o Fiesta Trail, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem. Quanto ao EcoSport, também da marca, trata-se de um sucesso de vendas ascendente, já que o carro (descrito pela Fenabrave como um SUV, "sport utility vehicle") foi reestilizado de forma bem-sucedida em outubro. São mais de 41 mil unidades do jipinho vendidas em 11 meses.

Roupagem
Para ganhar espírito e jeito de fora-de-estrada, os carros recebem uma gama de acessórios, quase sempre com função meramente estética. É o caso das molduras e pára-choques em plástico preto ou cinza, contrastando com a cor da carroceria (detalhe execrado nas versões "civis", mas que nos aventureiros vira sinal de robustez), e mais skid plate, faróis de milha, máscara negra e rodas de liga. Já o quebra-mato (aquela barra que vai à frente da grade) caiu em desuso, pelo risco de agravar ferimentos em caso de atropelamento.

Racks, frisos, cores vivas (amarelo, vermelho) e detalhes "agressivos" do acabamento interno também ajudam a criar esse fardamento. Outra bossa difundida pelos off-road light é o estepe do lado externo, preso à porta traseira. É assim no CrossFox, no Idea Adventure e no Ford EcoSport, carros mais altos e mais adequados a receber essa "assinatura" de estilo (é algo inviável no Gol Rallye, baixo, e no C3 XTR, arredondado).

É claro que o pneu sobressalente deles não precisava ficar do lado de fora. Mas os off-road light buscam inspiração nos de verdade -- jipes e SUVs realmente adequados para o terrão e a lama. E muitos desses veículos possuem o estepe externo.

No entanto, os off-road light disponíveis no mercado não dispõem de tração nas quatro rodas, um item importante para quem realmente vai brincar de enlamear o carro. Há uma mexida na suspensão, que tem a altura aumentada e a calibragem adaptada a mais pancadas, e às vezes o emprego de pneus especiais. Mas é bom pensar duas vezes antes de enfiar esses carros em trechos com pedras e buraqueira mais intensa -- funileiros e mecânicos estão à espera, esfregando as mãos...

A Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen (Abradiv), no entanto, tem uma informação interessante: pesquisas realizadas com os usuários do CrossFox (que é 5,3 cm mais alto que o Fox) mostram que mais da metade deles (52%) já circularam uma ou mais vezes em estradas de terra com o veículo. E o ajuste da suspensão é, segundo a entidade, decisivo para seduzir o comprador: "A suspensão elevada e a preparação para rodar em pisos irregulares, situação comum em nosso sistema viário, estão entre as características que mais agradam aos clientes", afirma Elias Monteiro, presidente da Abradiv.

Bolso
O desejo de sentir-se num carro mais robusto e agressivo, que passe uma sensação de proteção tanto contra o asfalto arrebentado das grandes cidades quanto contra predadores urbanos de qualquer tipo (ladrões e seqüestradores, não o iguana gigante do anúncio do Idea Adventure), explica parcialmente a onda dos off-road light. Ter um carro "diferenciado" também é outra motivação: basta colocar lado a lado um Idea e um Idea Adventure para entender isso. Mas também há a questão do preço.

Os dois off-road "reais" mais baratos do mercado, considerando-se os que dispõem de tração 4x4, são o EcoSport 4WD 2.0 e o Chevrolet Tracker, que começam em R$ 63.675 e R$ 63.766, respectivamente. O valor inicial deles é mais alto que o do CrossFox (R$ 48.709) e do Idea Adventure (R$ 56.467), e quase 70% mais caro que um Gol Rallye (R$ R$ 37.416).

"O lamentável estado de conservação das ruas e estradas brasileiras contribuiu para que mais pessoas sonhem com um jipão daqueles bem robustos, que encaram qualquer parada. Como a maioria das pessoas não pode pagar por um 4x4 de verdade, restam os off-road light", afirma Luiz Humberto Monteiro Pereira, da agência automotiva Auto Press.

"Esses carros não são robustos nem encaram qualquer parada, mas funcionam como um 'jipe psicológico'. Quem dirige se imagina num autêntico fora-de-estrada, e isso já reforça a sensação de poder, ainda que, de fato, seja um carro de passeio como outro qualquer", conclui Pereira.

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