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18/12/2007 - 16h35

Potência e preço no topo são marcas do Golf GTI

Da Auto Press
Durante muitos anos, o Golf foi sinônimo de carro másculo no Brasil. Desde sua importação do México em 1996 e da fabricação da terceira geração por aqui a partir de 1998, o hatch médio da Volkswagen sempre fez sucesso pelo estilo arrojado. Só que os anos passaram, a montadora alemã ignorou a nova geração do dois volumes, lançada na Europa, e outros modelos foram ocupando o posto que o Golf, de uma forma ou de outra, desdenhou.

Para revigorar a imagem (e as vendas), a Volkswagen deu um "tapa" no visual do carro. No caso da versão GTI, além das mudanças estéticas, a montadora mexeu no motor para gerar alguns cavalos a mais. O pequeno ganho de 7%, de 180 cv para 193 cv, foi suficiente para que o modelo aparentemente recuperasse o posto de mais potente do país -- meses antes, a Honda lançara o Civic Si, com 192 cv.
Luiza Dantas/Carta Z Notícias


O Golf GTI, sinônimo de potência, pode custar mais de R$ 120 mil
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Mas a "vitória" do carro da Volks foi só aparente. Na verdade, os 193 cv só aparecem quando se usa gasolina premium, combustível que leva o Si a 195 cv.

A discussão em torno das potências tem mais importância no imaginário do que na realidade. Tanto o sedã da Honda quanto o hatch da Volkswagen são modelos de vitrine, sem expressão nas vendas reais. No caso do Golf GTI, ele responde por tímidos 2% do mix. E tal desempenho de mercado tem sentido: para se dispor do bom motor turbo 1.8 litro de 20 válvulas é preciso desembolsar a partir de R$ 93.380 -- preço do modelo mecânico.

FICHA TÉCNICA
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, turboalimentado, 1.781 cm³, quatro cilindros em linha, cinco válvulas por cilindro. Injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Controles eletrônicos de estabilidade e de tração.
Potência máxima: 193 cv a 5.500 rpm.
Torque: 25,5 kgfm a 1.950 rpm.
Diâmetro e curso: 81,0 mm x 86,4 mm. Taxa de compressão de 9,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira interdependente, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Carroceria: Hatch médio em monobloco com quatro portas e cinco lugares; 4,20 metros de comprimento, 1,73 metro de largura, 1,45 metro de altura e 2,51 metros de distância entre-eixos.
Peso: 1.302 kg em ordem de marcha, mais 478 kg de carga útil.
Porta-malas: 330 litros.
Tanque: 55 litros.
Volkswagen Golf GTI
É claro que o GTI tem itens de diferenciação explícitos e palpáveis: conjunto óptico com faróis duplos, bancos dianteiros esportivos, rodas de liga leve aro 16, maçanetas e detalhes cromados no interior, faróis de neblina e rádio/CD/MP3 com oito alto-falantes.

A eles se juntam itens de sofisticação mais corriqueiros, como ar-condicionado eletrônico digital, direção hidráulica, trio elétrico, volante em couro com ajustes de altura e de profundidade, computador de bordo, sensor de chuva, retrovisor eletrocrômico e regulagem de altura do banco do motorista. E ainda oferece como itens de segurança freios com ABS e EBD, airbags frontais e laterais, controles de estabilidade e de tração e sensor de estacionamento.

O Civic Si é mais caro. Custa R$ 99.500 e tem apenas airbags frontais. Em compensação, conta com motor em liga de alumínio e transmissão manual de seis marchas e diferencial com escorregamento limitado -- e nenhum opcional. O hatch da Volks, mesmo na versão mecânica, tem opcionais que o tornam mais completo, mas também deixam seu preço bem mais salgado.

Com pintura perolizada, revestimento interno em couro, teto solar elétrico, airbags para cabeça e rodas de liga leve de 17 polegadas, o Golf GTI chega a R$ 109.910, como o modelo avaliado. Se dispuser de câmbio Tiptronic de cinco marchas, pode chegar a espantosos R$ 121.370.

Impressões ao dirigir
A esportividade do Golf GTI fica explícita logo na primeira pisada no acelerador. As respostas são nervosas e imediatas. O câmbio, de engates curtos, só facilita a tocada mais vigorosa. Foram precisos 8,1 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h. Na hora de acelerar, o torque de 25,5 kgfm, já no ponto antes dos 2.000 giros, enche rapidamente o motor e faz o hatch ganhar velocidade com desenvoltura. A suspensão firme ajuda na condução mais abusada e mantém o carro no chão, mesmo em curvas bem fechadas.

Mas, além da estabilidade "natural", o modelo também conta com controles de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD, que permitem ousar um pouco mais na caça pelos limites do carro -- difícil resistir aos apelos do GTI.

Somente a partir de insanos 200 km/h surge uma pequena flutuação que perturba a comunicação roda/volante. Mesmo assim, chega-se com segurança à final de 225 km/h. Mas a suspensão que segura os abusos também compromete o conforto. Não se pode mesmo ter tudo. (por Fernando Miragaya)

O GOLF GTI DE ZERO A 100 PONTOS
Desempenho - É o grande trunfo do GTI. As arrancadas são vigorosas, com zero a 100 km/h em 8,1 segundos. O bom torque já aos 2.000 giros permite retomadas convincentes - de 60 km/h a 100 km/h em quarta marcha levou 6,8 s. Depois que o turbo é acionado, o ganho de disposição é notável e a máxima de 225 km/h chega facilmente. Nota 9
Estabilidade - A suspensão mais rígida da versão GTI garante um comportamento estável, mais indicado para uma direção esportiva. O carro gruda no chão, mas a carroceria torce um pouco além do desejado em curvas mais fechadas. Mesmo em trechos sinuosos, a ação do controle de estabilidade só aparece quando se abusa da velocidade. Sensação de flutuação nas retas só acima dos 200 km/h. Outros recursos eletrônicos de segurança, como ABS e EBD, também se apresentam de forma bem eficiente. Nota 8
Interatividade - No interior e nos comandos não houve novidades. O câmbio tem engates curtos e precisos, que reforça a proposta esportiva do modelo. Volante e banco têm as regulagens necessárias e todos os comandos estão à mão. A visibilidade e o grafismo dos instrumentos são limpos. As manobras contam com o sensor de obstáculos, que compensa as largas colunas traseiras. Nota 7
Consumo - O GTI não é exatamente econômico. Fez a média de 6,3 km/l com gasolina premium. Nota 6
Conforto - Se a proposta é ser esportivo, quem sai perdendo é o conforto. A suspensão rígida e a invasão do ronco do motor no habitáculo fazem parte do conceito. Já o espaço para pernas e cabeças é bem razoável. O banco tipo concha segura bem o corpo e ajuda na hora de enfrentar as trepidações. Quem vai atrás sofre com o fato de os pneus de perfil baixo copiarem as irregularidades da pista. Nota 6
Tecnologia - O motor do Golf ainda é moderno, mas estruturalmente é um modelo antigo. A plataforma é a mesma lançada na Europa em 1996. Destaque para os itens de segurança, como ABS, airbag frontais e laterais e controle de estabilidade e tração. Nota 7
Habitabilidade - Os acessos ao veículo não são generosos. O espaço interno é bom para quatro adultos, há porta-objetos em número razoável e o porta-malas segue os parâmetros do segmento. Nota 7
Acabamento - O acabamento interno é cuidadoso, com detalhes cromados e plástico e tecidos que transmitem requinte e esportividade. Alguns fechamentos e encaixes carecem de precisão e há rebarbas nas emendas do teto. Nota 7


Design - A modernização do Golf não foi, necessariamente, uma evolução. O capô demasiadamente rebaixado prejudicou a imagem de robustez, característica mais marcante do modelo. Os conjuntos ópticos não têm qualquer sintonia com o restante das linhas do carro. Nota 6
Custo/benefício - É um carro para quem quer desfrutar de potência e algum conforto. Parte dos R$ 93.380 e chega aos R$ 109.910 completo. Fica emparelhado com o seu único rival de fato, o Civic Si, mas com a diferença que o sedã da Honda é atualizado. Nota 6
Total - O Golf GTI somou 69 pontos em 100. NOTA FINAL: 6,9

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