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14/12/2007 - 20h23

Revisão para a viagem de férias pode ser muito simples

Da Auto Press
O verão chega e com ele o calor, as férias, as viagens e aquela imagem desoladora: famílias inteiras à beira da estrada: são os "sem-revisão", à espera de um reboque ou de um mecânico para tirar dali o automóvel enguiçado.

Mas para escapar dessas armadilhas é importante verificar alguns itens. E não apenas os visíveis e óbvios, como pneus e luzes do veículo, mas principalmente componentes simples, que ficam escondidos sob a casca do automóvel e têm o poder de transformar o sonhado descanso da família num pequeno inferno.

Para não cair no papo de mecânicos pouco confiáveis, o melhor é saber o que se deve trocar para não torrar todo o dinheiro das férias com serviços desnecessários ou até inexistentes.
Arionauro/Carta Z Notícias


Um desses itens quase sempre esquecidos são os elementos de borracha. E esta checagem deve ser feita mesmo em carros que rodam muito pouco. Esse material se decompõe naturalmente com o tempo: em geral, a vida útil é de, no máximo, cinco anos.

Não são peças caras, mas podem criar problemas grandes. Uma rachadura, por mínima que seja, na mangueira do radiador, por exemplo, é capaz de detonar o sistema de arrefecimento. E protelar o conserto pode ser ainda pior: empeno no cabeçote.

O QUE VERIFICAR
Partes de borracha (mangueiras, correias
Rodas e pneus (alinhamento e balanceamento)
Sistema de freios, com verificação de pastilhas e fluido
Suspensão (estado dos amortecedores)
Limpador de páara-brisas
Correias também devem ser revisadas para evitar surpresas indesejáveis. Para proteger estes e outros itens de borracha, nada de lavagem com óleo sob o carro. "O óleo de mamona, por exemplo, tem solvente à base de petróleo e acelera o desgaste das borrachas, do escapamento e do motor. Não protege nada", explica Antônio Júlio Coupê, gerente de Serviço de Produto da General Motors.

Uma boa revisão engloba necessariamente os componentes de segurança. E um bom começo é cuidar de rodas e pneus. Falta de pressão correta, rodas desbalanceadas e direção desalinhadas geram não só consumo desnecessário de combustível como comprometem outras peças (principalmente da suspensão), o que reduz e a pronta resposta aos comandos do volante. "Desalinhamento é igual a instabilidade. Na hora de fazer uma manobra brusca, o veículo tem um comportamento imprevisível", adverte Ricardo Bock, coordenador do curso mecânica automobilística da FEI.

O sistema de freios também merece atenção especial. É bom verificar pastilhas, discos, lonas e fluido. As pastilhas possuem uma marca na lateral onde é possível verificar a vida útil. Com até 50% de desgaste, pode-se partir para uma viagem. Mais que isso, o bom senso manda trocar.

O próprio chiado nas frenagens evidencia que é hora de colocar as novas. Já em relação ao fluido, não adianta apenas completar se estiver baixo. O correto é verificar se há vazamento, já que o líquido não evapora.

Na parte da suspensão, checar amortecedores, buchas e batentes é uma boa medida. Amortecedores ineficientes fazem com que as respostas do carro aos buracos fiquem mais bruscas. Com o uso, cria folga nos braços e apoios e a estabilidade do carro fica comprometida. Há equipamentos que verificam o estado dos amortecedores, mas um teste rápido consiste em pressionar com força para baixo a carroceria na altura das rodas.

Ao soltar, se o carro oscilar mais de uma vez sem reduzir a amplitude do movimento, o amortecedor está vencido. "Além da perda de controle em curvas e de ficar mais sujeito a aquaplanagem, um veículo com amortecedores ruins a 60 km/h pode aumentar a distância de frenagem em até dois metros", diz Nilton Tadeu Durães, gerente de engenharia da Monroe.

Outro equipamento geralmente desprezado, mas que pode se tornar uma dor-de-cabeça, é o limpador de pára-brisas. Se as borrachas das palhetas estiverem gastas, a visibilidade na chuva fica seriamente comprometida. Nessa verificação entram as borrachas e também o encaixe da palheta na haste de fixação.

"É fácil checar: basta molhar o vidro e colocar o limpador para funcionar. Se não limpar bem o vidro é melhor substituir. É barato, fácil de trocar e o próprio motorista pode fazer", afirma Reinaldo Nascimbeni, supervisor de serviços técnicos da Ford. (por Fernando Miragaya)

VELAS E ÓLEO SÃO VITAIS PARA O CARRO ANDAR BEM
Quando se lê no manual do proprietário a expressão "sob condições severas", a tendência é pensar que isso significa usar o veículo num deserto escaldante ou numa floresta tropical açoitada por chuvas pesadas. Nada disso: pesado é ligar o carro, não dar o tempo correto para o motor aquecer, enfiá-lo num trânsito lento que impede a refrigeração correta e ainda por cima expô-lo à fuligem dos outros veículos em volta. Por isso, o melhor é verificar os dois quesitos básicos para ampliar a expectativa de vida do motor: óleo e vela de ignição.
As velas de ignição devem ser verificadas a cada 3.000 km. Se estiverem com problema, fazem um verdadeiro efeito dominó: queda de rendimento do motor, dificuldades na partida, aumento de consumo e de emissão de poluentes. Com o tempo, os efeitos secundários, como danos no catalisador e até no alternador. "A trocas das velas é rápida e fácil, mas deve ser feita por gente capacitada. A instalação incorreta pode danificar o motor", diz Ricardo Namie, chefe da assistência técnica da NGK, fabricante de velas.
Em relação ao óleo, o melhor é não economizar. Não adianta partir para lubrificantes baratos, mas fora de padrão. Cada marca estipula no manual do proprietário o tipo de óleo a ser usado. Essa especificação deve ser respeitada, mas em geral o período previsto para trocas é otimista. O mais indicado é mesmo trocar óleo e filtro a cada seis meses ou a cada 5.000 km, o que ocorrer primeiro. "Óleo é como o rim. A função é limpar o sistema. Se o sistema estiver sujo, isso afeta a lubrificação do motor", compara Reinaldo Nascimbeni, supervisor de serviços técnicos da Ford.

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