UOL Carros
 
13/12/2007 - 08h00

Impressões: Civic é uma questão de gosto

Do editor de UOL Carros
Desde a mudança de 2006, o Honda Civic é um carro peculiar. Ele passou a oferecer um design muito mais moderno e agressivo que a média do segmento. O conjunto óptico estreito e a avolumada barra cromada da grade dianteira tornaram-se a marca registrada da guinada estética (e defintiva) do carro da marca japonesa.

Por isso, o Civic da 8ª geração escapou da sina de "proibido para menores de 45 anos", comum a quase todos os sedãs médios. Embora mantenha-se adequado para transportar uma familia-padrão, também apela a jovens endinheirados que queiram um carro mais "adulto" e imponente, mas não necessariamente careta.
Roberto Assunção/UOL

Civic é prazeroso de guiar; consumo foi de 7,8 km/l com gasolina
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Paga-se um preço pelo arrojo estético do Civic. Por causa das curvas externas agressivas, ele é baixo: apenas 1,45 metro de altura. O acesso de pessoas com mais de 1,7 metro tem de ser feito com cuidado, senão a pancada na cabeça é um risco real. Também por isso, não adianta buscar uma posição de dirigir mais elevada. Mesmo com a regulagem de altura do banco, o motorista fica "por baixo" em relação aos outros carros.

Dentro, o largo console central causa algum desconforto aos mais "pernudos". A alavanca do freio de mão fica nele, e não ajuda na ergonomia. Por isso, leva um tempo até que o motorista se encontre atrás do volante.

Por fim, encerrando o capítulo das "ressalvas internas", é preciso citar, primeiro, o painel digital em dois níveis. Tem gente que, diante dele, diz que se sente numa cabine de avião. Para este motorista, no entanto, o painel pareceu simplesmente de mau gosto (a começar da cor predominante, o roxo), incompleto (não há computador de bordo) e meio que um truque para preencher a enorme distância entre o volante e o pára-brisa (resultado do curtíssimo capô do motor).

Em segundo lugar, lamente-se o porta-malas raso e de escassos 340 litros. É menos espaço que o oferecido por um Chevrolet Prisma, para citar um sedã pequeno. Mesmo alguns hatches carregam mais volume.

Pontos positivos em termos de conforto do exemplar avaliado pelo UOL Carros, um LXS manual (o mais vendido do modelo, segundo a Honda), são os bancos de couro bastante envolventes (há o LXS sem couro também, R$ 1.625 mais barato -- mas não tenha dúvida, vale a pena pagar a diferença), o espaço de sobra para quem vai atrás (o entreeixos é de bons 2,7 metros), a abundância de porta-objetos (só para colocar um celular há pelo menos três lugares bem convenientes para o motorista, além de dois porta-copos retráteis) e os comandos precisos do CD-player e do ar-condicionado -- esses sim, de ergonomia exemplar.

DETALHES DO CIVIC LXS
Roberto Assunção/UOL
O painel em dois níveis é original, mas não é para todos os gostos
Roberto Assunção/UOL
Porta-malas de 340 litros é pequeno para um carro da categoria e preço
Roberto Assunção/UOL
Bancos de couro elevam o preço da versão LXS em R$ 1.600 - e valem
Em movimento
Rodando, o desempenho do Civic é refém do trânsito das grandes cidades e da chateação das velocidades reduzidas e trocas de marchas freqüentes (que são feitas num câmbio preciso, mas duro). A condução fica um pouco tensa, e o motorista percebe claramente que está "segurando" o carro, nivelando-o por baixo.

Mas rodar na estrada ou em vias mais desimpedidas com o Civic é um prazer. O motor 1.8 i-VTEC disponibiliza seus 140 cavalos a 6.300 rpm e o torque máximo de 17,7 kgmf chega aos 4.300 giros, mas o que o carro entrega muito antes dessas rotações é mais do que suficiente para garantir acelerações com naturalidade e boas retomadas -- geralmente é possível sair de trás de um carro mais lento e ultrapassá-lo sem reduzir de quinta para quarta.

Numa velocidade de cruzeiro de 120 km/h, a sensação é de navegar numa "barca" que ainda tem disposição de sobra para correr (a Honda não divulga a velocidade máxima do carro).

O volante do Civic, de jeitão esportivo com seus três raios e acabamento em couro e metal perfurado, é um tantinho duro (quem já guiou carro com direção elétrica pode se irritar um pouco até acostumar-se), mas as respostas são precisas.

A suspensão (dianteira McPherson e traseira Double Wishbone) garante a homogeneidade da condução e impede que o motorista se incomode com eventuais irregularidades no solo -- às vezes, só se percebe que o Civic passou com a roda num buraco devido ao barulho do impacto. Por fim, os freios (dotados de ABS) esbanjam confiança: basta um toque leve no pedal para tirar de 10 a até 15 km/h da velocidade de momento. Quanto ao consumo, o exemplar testado fez 7,9 km/l com gasolina, rodando 60% em cidade e 40% em estrada.

Ponto final
A conclusão dessa convivência com o Civic é simples: trata-se de um bom carro. O entusiasmo tecnológico que ele provoca nos entendidos não faz diferença para o motorista comum. Este quer o que ele entrega: conforto, desempenho e imagem.

E tudo isso vem em doses suficientes para satisfazer o gosto do crescente número de brasileiros que podem gastar mais de R$ 60 mil com um carro. E gosto, como sabemos, não se discute.

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