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07/12/2007 - 18h55

Renault Logan, um 'folgado' campeão de vendas

Da Auto Press
Quando lançou o Logan, em julho, a Renault anunciou uma expectativa de vendas comedida, de 1.500 unidades/mês para o sedã. Era pouco. Afinal, o modelo é um compacto de baixo custo e, no mercado brasileiro, os veículos de entrada correspondem a mais de 70% das vendas. Mas o grande trunfo do Logan é outro, que nenhum dos concorrentes têm.

Pelo preço de um veículo compacto, o sedã da Renault oferece tamanho de carro médio, com espaço interno bem maior que o dos principais rivais Fiat Siena e Chevrolet Classic. O modelo começa em R$ 28.590, na versão básica Authentique.

Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias


Visual do Logan é quadradão, mas atualizado com os demais países

E com essa esperta união de preço razoável e tamanho superior, o Logan começa aos poucos a se destacar no nicho de sedãs compactos. Tanto que já é o modelo mais vendido da marca francesa no país. Na soma de julho a novembro, foram 10.683 unidades no total, média de 2.136 carros/mês. De quebra, foi o único automóvel nacional que superou, em novembro, o volume de vendas de outubro. Foram 3.296 unidades contras as 2.407 anteriores -- um crescimento de quase 37%. Isso sem falar na fila de espera de quase dois meses, em média, para conseguir o três volumes nas concessionárias Renault.

Tal desempenho se deve, sobretudo, à configuração intermediária Expression. Com 60% de participação no mix de vendas (outros 29% são da versão topo de linha Privilège e os 11% restantes são do modelo de entrada Authentique), essa versão começa em R$ 29.990 e oferece itens interessantes, que sequer existem como opcionais no modelo de entrada.

Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
Interior do Logan tem acabamento simples, mas o forte é o espaço
A lista de série é básica, mas bem trabalhada: traz banco do motorista com regulagem de altura, ar quente, desembaçador do vidro traseiro, console central do painel na cor prata, luz no porta-malas, porta-trecos no console central traseiro e retrovisores com regulagem manual interna -- todos ausentes no Logan Authentique.

Como opcional, a Renault oferece um pacote que acrescenta ar, direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricas, por R$ 5.000. A pintura metálica custa mais R$ 850. O preço final é de R$ 35.840. Por esse valor e com os equipamentos que traz, o Logan 1.0 Expression disputa mercado com a versão básica do Fiat Siena, que, com os mesmos opcionais, sai a R$ 33.754, e a configuração Super, do Chevrolet Classic, vendida por R$ 33.485. Mas, ainda que em igualdade de preço e equipamentos, o Logan leva vantagem sobre os rivais.

Além de ser um projeto mais novo e com plataforma bem mais moderna, o Logan tem o motor 1.0 16V mais forte entre todos: são 76 cv de potência com gasolina e 77 cv com álcool a 5.850 rpm e 9,9/10,1 kgfm de torque máximo, na mesma ordem, aos 4.350 giros. No Siena, o motor 1.0 tem 65/66 cv a 6.000 rpm, e 9,1/9,2 kgfm a 2.500 rpm, enquanto o motor 1.0 VHC do Classic desenvolve 70/72 cv a 6.400 e 8,8/9,0 kgfm a 3.000 giros.

Impressões
Basta entrar no Logan e logo fica evidente: o modelo prima pelo espaço interno. Com acessos amplos e entre-eixos largo (são 2,63 metros, 26 centímetros maior que os 2,37 m do rival Siena), o sedã de entrada da Renault oferece espaço de carro médio a preço de compacto. O porta-malas comporta excelentes 510 litros.

Mas não há muito além de espaço. A versão intermediária Expression traz quantidade mínima de equipamentos, que dispensa itens básicos, como ar e direção hidráulica. O motor também não é dos mais instigantes. Embora seja o de maior potência entre os concorrentes de litragem 1.0, oferece desempenho apenas razoável, típico dos outrora chamados "populares".

Com ele, o Logan acelera de zero a 100 km/h em 14,3 segundos e chega à máxima de 160 km/h. O câmbio bem escalonado e com engates precisos compensa. E a suspensão, apesar de macia para fortalecer o conforto, não afeta a diribilidade e firmeza em curvas e retas -- e deixa o Logan bastante estável. (por Diogo de Oliveira)

DE ZERO A 100 PONTOS, O LOGAN EXPRESSION 1.0
Desempenho - Dos sedãs compactos de entrada, o Logan é o mais "forçudo". São 76 cv com gasolina e 77 cv com álcool a 5.850 rpm e um torque máximo de 9,9/10,1 kgfm, com liberação total aos 4.350 giros. Mas o motor é de baixa cilindrada. Ou seja, as acelerações e retomadas são apenas razoáveis. O zero a 100 km/h é feito em 17,5 segundos e 60 km/h a 100 km/h, em 17,6 s. A máxima é de 160 km/h. De resto, o câmbio é bem escalonado e as frenagens se mostram seguras. Nota 7
Estabilidade - O Logan tem excelente comportamento nas curvas e retas. Tanto em baixa quanto em alta velocidade, o sedã se mantém seguro e bem postado, sem ameaças de descolar a traseira. Nas retas e frenagens, o modelo também se mostra firme, com bom equilíbrio. As rodas têm boa comunicação com o volante. Nota 7
Interatividade - No Logan, a disposição dos comandos é pratica e o painel tem leitura simples. O banco do motorista com ajuste de altura permite encontrar a melhor posição de dirigir, mas a coluna de direção é fixa. Já a troca de marchas é suave e precisa. E a manobrabilidade encontra reforço na ampla área envidraçada. Nota 7
Consumo - Com álcool, o Logan fez médias razoáveis de 7,1 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada. Nota 7
Conforto - O Logan tem suspensão bem macia, o que na cidade ajuda a amortecer as imperfeições do asfalto. Mas seu trunfo é mesmo o espaço interno. Há sobras para pernas e cabeça e o entre-eixos é de carro médio: são 2,63 metros contra 2,37 m do Siena e 2,44 m do Classic. Nota 8
Tecnologia - Apesar de oferecer um pacote de equipamentos de série bem básico, mesmo na versão intermediária Expression, o Logan traz um bom motor 1.0 Hi-Flex e chassi bem mais moderno que o dos principais concorrentes. A suspensão, embora macia, é bem ajustada para manter estabilidade em curvas e retas. Mas não há rádio/CD, ar-condicionado, direção hidráulica e vidros ou travas elétricas. Nota 7
Habitabilidade - O habitáculo do Logan é seu grande trunfo para atrair os brasileiros. Os acessos são amplos, o espaço interno é enorme e há boa quantidade de porta-trecos. E a mala de 510 litros é de fazer inveja a muito automóvel médio. Nota 9
Acabamento - Ser um carro básico é a vocação do Logan. Portanto, todo o revestimento interno é prático e simples; os plásticos têm textura agradável aos olhos e ao toque, assim como os tecidos. Mas há pouquíssimas rebarbas aparentes e, no aspecto geral, as peças se encaixam com harmonia. Nota 7
Design - Como o Logan foi pensado de dentro para fora, seu desenho tem importância menor que outros aspectos, como o tamanho do habitáculo. Mesmo assim, suas linhas quadradonas seguem o padrão da marca e estão atualizadas com as do exterior. Nota 7
Custo/benefício - A Renault projetou o Logan a partir do custo/benefício. É a fórmula que a marca encontrou para conquistar mercados emergentes, como o brasileiro, oferecendo um carro barato com dimensões grandes. Assim, os R$ 29.900 pedidos na versão Expression e os três anos de garantia são interessantes, sobretudo em relação aos R$ 33.754 e R$ 33.485 de Siena Fire Flex e Chevrolet Classic Super. Nota 8
Total - O Logan Expression 1.0 somou 74 pontos em 100. NOTA FINAL: 7,4

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