UOL Carros
 
06/12/2007 - 16h23

Fábricas de carro trabalharão no limite em 2008

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A indústria automotiva brasileira cravou recordes de venda e produção de veículos em 2007 e já prevê operar quase no limite de sua atual capacidade instalada no ano que vem. A expectativa é de que as montadoras construam cerca de 3,240 milhões de veículos em 2008 (isso inclui carros, caminhões, ônibus e maquinário agrícola), para uma capacidade máxima de produção de 3,5 milhões de unidades. O aumento seria de 8,9%.

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) também prevê um crescimento nas vendas, este de 17,5% -- o que significaria o emplacamento de 2,88 milhões de veículos em 2008. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6), em São Paulo.

Leia também: Indústria tem melhor novembro

Este ano, a produção (projetada, para incluir dezembro) chegará a 2,97 milhões de unidades. As vendas baterão em 2,45 milhões de veículos. Ambos os valores são recordes históricos da indústria automotiva.

Divulgação


Linha de produção da Honda, em SP: fábricas terão de se adaptar à demanda crescente em 08
A própria Anfavea, por meio de seu presidente, Jackson Schneider, observa que essa previsão de produção é ligeiramente conservadora, já que, considerada a média diária de veículos produzidos em novembro, de 13.370 unidades, uma projeção de 12 meses chegaria a 3,43 milhões de veículos -- apenas 70 mil a menos que o limite da capacidade.

A Anfavea afirma que várias de suas associadas devem fazer investimentos em suas linhas de produção para enfrentar essa tendência de crescimento. A equação é simples: num cenário de estabilidade econômica e inflação controlada, crédito fácil e melhora do poder aquisitivo, mais pessoas compram carros nas cidades, mais empresas compram caminhões, mais tratores e máquinas são vendidos no campo. São as fábricas que devem correr atrás dessa demanda.

Um dos resultados de gargalos na produção (ou do desencontro entre procura e oferta) são as filas de espera por alguns modelos. Isso já está acontecendo, seja com carros mais baratos, seja com aqueles que têm preço acima de R$ 60 mil.

As fábricas associadas à Anfavea são Fiat, Ford, GM, Honda, Hyundai, Mitsubishi, Nissan, Peugeot-Citroën, Renault, Toyota e Volkswagen.

COMO ABRIR ESPAÇO PARA TANTO CARRO NAS RUAS?
Em meio a uma apresentação de dados estatísticos positivos e de análises de conjuntura otimistas, o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, respondeu a uma pergunta sobre o excesso de veículos em circulação nas ruas do país -- especialmente nas capitais e grandes cidades --, um problema que só tende a se agravar com mais alguns milhões de carros sendo vendidos nos próximos anos.
Segundo o presidente da Anfavea, as autoridades devem investir em obras viárias "inteligentes", que retirem o trânsito das grandes cidades. Citou nominalmente o Rodoanel paulista, que tem como função interligar as principais rodovias do Estado sem que se passe por dentro de São Paulo. Schneider também cobrou mais investimento no transporte coletivo de massas.
Mas o principal ponto defendido pela Anfavea como contribuição ao desafogo na circulação de veículos é a inspeção veicular. A tese é a de que carros com manutenção em dia tendem a quebrar menos, e conseqüentemente deixam de atravancar a circulação.
De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), são recolhidos das ruas de São Paulo, diariamente, cerca de 500 veículos que quebraram. Um carro parado por 15 minutos numa faixa de rolamento de uma avenida importante pode gerar 3 quilômetros de congestionamento.
Naturalmente, carros reprovados numa inspeção tendem a buscar peças de reposição e/ou reparações em oficinas. Podem também resultar numa decisão de compra de um veículo mais novo ou zero. Tudo isso mexe na cadeia produtiva capitaneada pela Anfavea.

Veja também

Carregando...
Fale com UOL Carros

SALOES