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28/11/2007 - 16h32

Dólar fraco deve trazer Edge, Captiva, C4 Picasso e outros

Da Auto Press
O primeiro verbo que geralmente vem à mente quando o dólar ou o euro estão baixos é "comprar". Seja num free shop, numa loja de vinhos caros ou numa tendinha de bugigangas chinesas, os consumistas de plantão ficam eufóricos só de imaginar produtos importados mais acessíveis. Na indústria automobilística, a euforia pode até ser mais comedida -- mas a desvalorização da moeda ianque em relação ao real incentiva as marcas a trazerem novos modelos. E os consumidores a comprarem mais importados.

Segundo a Anfavea, este ano já foram importadas 205.588 unidades, 97% a mais que as 104.427 unidades que desembarcaram no país nos dez primeiros meses de 2006.

As empresas que operam no país não perdem tempo. Como o dólar não dá sinais de que vai voltar aos R$ 2 tão cedo, tratam de aproveitar o câmbio favorável para trazer novos modelos -- mesmo aqueles que não gozam dos incentivos alfandegários do Mercosul e do México.

A Ford vai importar o crossover Edge dos Estados Unidos, e a GM, como resposta, trará o Captiva da Coréia do Sul. A Renault já confirmou a vinda dos franceses Mégane Coupé-Cabriolet e da Grand Scénic para fevereiro. A rival Citroën finalmente trará, também da França, o C4 Picasso em 2008, e a Fiat estuda vender por aqui o Cinquecento italiano.

Isso, sem contar os recentes Nissan Frontier SEL, Volvo C30 e Mitsubishi Outlander, e o fenômeno coreano Hyundai Tucson, que se tornou o segundo SUV mais vendido do país, atrás apenas do Ford EcoSport e superando concorrentes nacionais como Chevrolet Blazer e Mitsubishi Pajero.

DOIS ESTRANGEIROS PARA 2008
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O Ford Edge deve chegar no ano que vem; GM Captiva o enfrentará
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O C4 Picasso é uma possível novidade importada da Citroën
"A queda do dólar, sem dúvida, ajuda, mas é sua estabilidade o que mais importa. Não adianta estar baixo agora e logo depois subir ou cair", afirma José Luiz Gandini, presidente da Abeiva, associação brasileira das empresas importadoras de veículos automotores.

Os números são animadores. De acordo com a entidade, foram vendidos 49.200 importados de países sem acordos alfandegários este ano, contra 24.978 do ano passado (97% a mais). Para os modelos que vêm de países com isenções de taxas de importação, o momento é ainda mais favorável. Já foram 150.226 unidades trazidas da Argentina e do México. Neste rastro, a General Motors vai importar o retrô HHR, a Volkswagen trará a versão station do Jetta, ambos do México, e a Ford aguarda a Venezuela entrar no Mercosul para voltar com a Explorer montada lá.

E apesar das incessantes lamúrias das fabricantes de que o dólar baixo atrapalha as exportações, um incremento das importações tem suas compensações financeiras. Afinal, a moeda nessa balança comercial é a norte-americana. "Como se assume compromissos em dólar, é bom também receber em dólar. Se a moeda cai, é possível se proteger importando", explica José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM.

RÁPIDAS
A participação de veículos importados no mercado geral brasileiro atualmente é de 10,4%. No ano passado, foi de 7,6%.
Os veículos importados pagam 35% de imposto alfandegário, mais os impostos aplicados sobre produtos nacionais, como IPI, ICMS e PIS/Cofins.
Os automóveis e comerciais leves importados e exportados do Mercosul não pagam taxa de importação, em decorrência dos acordos bilaterais. Os do México têm uma taxa simbólica de 1%.
A Abeiva reúne atualmente seis marcas e suas representações no Brasil: as alemãs BMW e Porsche, as italianas Ferrari e Maserati, e as sul-coreanas SsangYong e Kia.
A BMW projeta um crescimento nas vendas para este ano de 18% a 20% no Brasil.
A Chana foi a primeira marca chinesa a iniciar suas atividades oficialmente no Brasil. As conterrâneas Chery e Effa chegarão provavelmente no ano que vem.
Mas, apesar das perspectivas positivas, muitas marcas preferem manter o pé atrás. Até porque geralmente os contratos de importação são feitos com antecedência média de nove meses. Esta, inclusive, é a justificativa para não ocorrer reduções imediatas nos preços dos importados. "Não se pode indexar ao dólar totalmente, trabalhar com a flutuação da moeda diretamente. Tem de se proteger e pensar no câmbio futuro", afirma Jorg Henning Dornbusch, diretor-presidente da BMW do Brasil.

"Quem é importador tem de ter olho no agora e no futuro. Se está numa situação em que o dólar está caindo, se esperar uma semana talvez ganhe milhares de reais. Por outro lado, é preciso nacionalizar o carro rapidamente para distribuir para a rede. E, quando pago imposto na alfândega, é a taxa do dia", pondera Mario Mizuto, gerente nacional de vendas da Citroën.

A desvalorização do dólar também configura um panorama favorável para a entrada de novas marcas. O Brasil, inclusive, viveu um boom parecido na segunda metade dos anos 1990, com a chegada de empresas pouco conhecidas. Muitas ficaram, outras fizeram fábricas no país -- e algumas foram embora. A expectativa, agora, é em relação aos chineses e indianos, com veículos cujo preço será o principal atrativo.

"O momento é propício não só para os chineses, mas para qualquer marca", avalia o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. Mas há quem acredite que modelos da China e da Índia só vão incomodar mesmo quem trabalha com carros de entrada. "Não acho que os chineses ou indianos sejam uma resposta adequada às necessidades do mercado brasileiro, e não os vejo competitivos frente à PSA", minimiza Vincent Rambaud, presidente da PSA Peugeot Citroën no Mercosul. (por Fernando Miragaya)

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