UOL Carros

27/11/2007 - 01h21

Renault aposta suas fichas no pequeno-médio Sandero

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial a Florianópolis (SC)*
A Renault do Brasil apresentou à imprensa nesta segunda (26), num resort de Florianópolis (SC), o hatch Sandero, que deve chegar às concessionárias no dia 10 de dezembro com preços entre R$ 30 mil e R$ 47 mil (aproximadamente) e motores flex 1.0 16 válvulas e 1.6 8V (Hi-Torque) e 16V.

Os investimentos na plataforma B0, compartilhada pelo Sandero e pelo sedã Logan, foram da ordem de 372 milhões de euros, num processo que durou três anos. Em nossa moeda, dá cerca de R$ 985 milhões. Assim como o irmão três-volumes, o Sandero deve virar um carro mundial da Renault, com a diferença -- segundo os executivos da montadora -- de ter nascido com "DNA brasileiro" e "sob medida para o consumidor nacional", nas palavras de Jérôme Stoll, presidente do grupo no país e diretor da operação Mercosul da Renault.


E a aposta da marca francesa é mesmo alta: só no ano que vem ela quer vender 30 mil Sanderos, cerca de 27% do total de 112 mil veículos que estima que entregará aos consumidores. Com essa performance, o novo carro abocanharia, de saída, 4,5% do mercado brasileiro de hatches em sua faixa de preço. O potencial impacto que o Sandero pode gerar não seria grande apenas pelas pretensões da Renault. O carro chega com dimensões dilatadas, que o colocam numa espécie de posição intermediária entre as de hatch compacto e médio. O Sandero não se encaixa bem na primeira devido ao tamanho (ele é maior). Na segunda, não entra principalmente devido ao preço (é mais barato).

IMPRESSÕES AO DIRIGIR


O UOL Carros participou do test-drive de duas motorizações do Sandero, ambas na versão de acabamento Privilège: com o propulsor Hi-Torque 1.6 8V e com o 1.6 16V. Cerca de 2/3 do percurso foram cumpridos em estrada de boa qualidade; o restante, em vias mais lentas ou na cidade de Florianópolis.
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De qualquer modo, considerando-se os vetores tamanho e preço, os carros que o Sandero chama para a briga são vários. Não há exagero em incluir nessa lista desde Celta, Palio e Gol até Golf, Peugeot 307 e Nissan Tiida (citados num gráfico exibido por um executivo da Renault). Mas a provocação parece ser dirigida principalmente ao VW Fox e ao Fiat Punto. E esse último, por também ser uma novidade no mercado brasileiro, talvez seja o maior inimigo do Sandero.

E quais são as armas do novo carro da Renault? Em princípio, três: preço (inclusive garantia e custo de manutenção), design e espaço interno.

A Renault apresenta o Sandero começando em R$ 29.990, na versão de entrada Authentique 1.0 16V flex. Mas trata-se de uma jogada de marketing: a empresa queria porque queria o Sandero aparecendo na mídia e nos anúncios com preço inicial abaixo dos R$ 30 mil. Para isso, tirou R$ 10 desse valor-limite e criou uma espécie de "versão Desmanche" (ou Desmanchée) do carro, a qual não tem nem calotas. Um truque simplesmente risível.

O Authentique também possui opção de motor 1.6 8V Hi-Torque, que a Renault espera ser o puxador de vendas tanto dessa versão como das superiores. Com esse propulsor, o Sandero de entrada começa em R$ 31.990. Já a versão Expression sai por R$ 33.790 (1.0 16V) e R$ 35.390 (1.6 8V Hi-Torque), e a topo-de-linha Privilège custa R$ 41.190 (1.6 8V Hi-Torque) e R$ 43.790 (1.6 16V Hi-Flex).

O eventual comprador deve ficar muito atento, porque cada uma das versões precisa de "pacotes paralelos" para se tornar atraente. O Sandero Authentique (versão depenada), por exemplo, só ganha ar quente, desembaçador e limpador traseiro (necessário em hatches), as básicas calotas e o (mais básico ainda) ajuste interno do retrovisor (não elétrico -- estamos falando daquela alavanquinha manual mesmo) com o acréscimo de R$ 1.000. Mais ar-condicionado, e o preço sobe R$ 4.600. Pintura metálica custa R$ 850 em todas as versões.

Isso é lá embaixo. Lá em cima, para sair guiando um Sandero o mais completo possível -- com vidros e travas elétricos, trava de velocidade nas portas, volante de couro, airbag duplo e freios ABS (porque segurança continua sendo item de luxo) --, é preciso desembolsar R$ 47.540.

Mesmo com essas ressalvas, são preços bem competitivos. A tabela do Datafolha traz os valores da concorrência do Sandero, mas é bom notar que há "pacotes" também nas demais marcas.

Outro aspecto a ressaltar é a garantia total de três anos (ou 100 mil km), paralela a um plano de manutenção com revisões a preço fixo, perfazendo um custo médio diário de menos de R$ 1. A Renault também deverá oferecer, na boca do caixa da concessionária, um plano de financiamento com valores especiais, buscando atrair o comprador a trocar seu Sandero por outro a cada dois anos.

O CLIO FICA, MAS SÓ 1.0
Com a chegada do Sandero, a Renault tira de linha o Clio hatch 1.6. No entanto, mantém a produção da versão com motor de 1 litro, que ganha oficialmente o status de carro de entrada da marca no Brasil. O Clio sedã 1.6 continua, até porque -- segundo a montadora -- tem um público muito fiel, em especial entre as mulheres. A médio prazo, a Renault estima que a linha Logan e Sandero responderá por 85% de sua produção (o sedã já é o carro mais vendido da marca). Mas atenção: no Brasil, serão feitos carros somente para o Mercosul. A Europa, por exemplo, será abastecida de Logan por uma fábrica a ser construída no Marrocos.
O design (entendido aqui como o projeto, o "corpo") do Sandero é o segundo ponto a destacar. Ele apela, segundo a Renault, a compradores na faixa dos 30 aos 40 anos de idade, provavelmente homens, solteiros ou casados-com-filhos, em busca de um carro que dê mais status a seu dono do que daria um carro menor ou mais conhecido. Daí a relativa ousadia de linhas do Sandero, com vincos decorativos no alto do másculo capô do motor e em arco nas laterais (como se fora um BMW).

E, como de praxe, faróis e lanternas determinam o "humor" do carro. Mais afilado que o do Clio, o conjunto óptico dianteiro é agressivo e peculiar, já que tem um acabamento no alto que existe apenas para recortar o capô (se não houvesse isso, pareceria um farol de Citroën). Atrás, as lanternas avançam pela lateral como uma estrela -- e essas formas mais retas são abruptamente quebradas pela luz de ré em meia-elipse. Um verdadeiro achado.

Por fim, o tamanho. É aborrecido citar medidas, mas o Sandero merece. São 4,02 metros de comprimento, 2,59 metros de entre-eixos (medida que define o espaço interno), mais 1,74 metro de largura e 1,52 metro de altura. Se os compactos pequenos são P e os médios são M, o Sandero precisaria de uma etiqueta intermediária.

* Viagem a convite da Renault

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