UOL Carros

27/11/2007 - 01h57

Impressões: Sandero anda bem e oferece, mesmo, bom espaço

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial a Florianópolis (SC)*
O UOL Carros participou do test-drive de duas motorizações do Sandero, ambas na versão de acabamento Privilège: com o propulsor Hi-Torque 1.6 8V e com o 1.6 16V. Cerca de 2/3 do percurso foram cumpridos em estrada de boa qualidade; o restante, em vias mais lentas ou na cidade de Florianópolis (SC). Foi o suficiente para uma impressão ainda ligeira sobre o carro.

Conduzir o Sandero é diferente de conduzir um hatch realmente compacto, como um Gol ou um Palio -- mas não é a mesma coisa que, por exemplo, guiar um Polo (outro quase-médio) e muito menos um "médio-mesmo", como o Nissan Tiida. Ou seja, todo o discurso da Renault sobre criar um carro compacto que não é compacto tem base na realidade. E isso não se traduz apenas no espaço interno.

Pesado e com pneus mais largos (185) que os usuais na categoria, o Sandero tem os pés no chão. A direção é firme (um pouco mais macia na versão Hi-Torque) e a suspensão, bem ajustada, filtra as irregularidades do terreno na medida certa para garantir o conforto dentro do carro. O pedal da embreagem é suave, o que evita que o motorista tenha de se esfalfar para as múltiplas trocas de marcha exigidas pelo tráfego urbano. O câmbio, de engates muito precisos, é outro destaque da dirigibilidade, o que deve contar pontos para quem vai usar o Sandero em trânsito pesado.

A performance dos dois motores 1.6 é bem digna, com respostas imediatas e que passam confiança ao motorista. Ultrapassar é tranqüilo para o Sandero. E ele chega a uma velocidade de cruzeiro de 120 km/h com facilidade.

DOIS DETALHES
Divulgação
O painel tem fundo branco e possui computador de bordo
Divulgação
O banco traseiro é espaçoso, mas falta um 3º apoio de cabeça
A Renault espera que o motor Hi-Torque 8V de 92/95 cavalos (gasolina e álcool) seja a estrela do Sandero, por causa do torque de 14 kgfm que aparece em rotação logo abaixo de 3.000 giros (importante na cidade) e do consumo de combustível menor. Mas na estrada a superioridade do desempenho (e do nervosismo) da unidade de 16 válvulas (107/112 cavalos e 15,5 kgfm) é claríssima. O Sandero é um carro de uma tonelada, e é óbvio que um motor com mais potência ajude a puxá-lo melhor em velocidades constantes e mais altas. Ambos os propulsores são igualmente barulhentos, mas isso não chega a irritar quem viaja dentro do Sandero.

Tudo isso pode ser resumido, grosso modo, no seguinte: o Sandero é mais gostoso e esperto para guiar que a média do segmento dos compactos.

Tal percepção é um tantinho deslustrada pelo fato de o novo carro não ter regulagem de posição do volante nem mesmo na versão topo de linha (não é pedir muito, dadas as suas pretensões de grandeza). Se todo mundo usasse o banco -- cuja regulagem de altura é bem funcional -- lá embaixo, não haveria problema. Mas não: é subi-lo um pouco, e a parte superior do painel desaparece atrás do volante.

Outro atentado à ergonomia são os comandos de ventilação e ar-condicionado, dispostos numa parte do painel que se afasta do motorista, e o controle dos retrovisores, que fica exatamente sob o freio de mão. É muito difícil acioná-lo com o carro em movimento. O comando dos vidros e das travas das portas fica no painel também -- melhor seria tê-los na porta, mais à mão do motorista. Velocímetro e conta-giros são grandes e redondos. O computador de bordo e o conjunto de luzes-espia, retangulares, ficam ao centro. Não é um triunfo do design, mas a visualização é boa.

CONSUMO E FICHAS
Não foi possível verificar o consumo de combústível do Sandero durante o rápido test-drive em SC. No entanto, publicações especializadas aferiram, em cidade e estrada, 7,2 e 9,2 km/l (revista Quatro Rodas) e 7,3 e 10,1 km/l (revista Carro), ambas com álcool no tanque e com o motor 1.6 16v da versão Privilège.
FICHA MOTOR 1.0 16V (.doc)
FICHA MOTOR 1.6 8V (.doc)
FICHA MOTOR 1.6 16V (.doc)
Sem mimos, com espaço
Todas essas deficiências (que não são graves, diga-se) constituem o que distancia o Sandero do segmento dos hatches médios -- porque ser médio, e não pequeno, também se reflete no acabamento e nos mimos ao motorista. Mas é fato que o carro da Renault está muito mais perto do andar de cima que do de baixo.

E é nesse ponto que chega-se ao espaço interno. Por ser um cartão de visitas do Renault Logan, sedã meio-irmão do Sandero, e um importante argumento da empresa para convencer consumidores familiares a comprar o novo hatch, o tema merece ficar para o final. E tudo é muito simples de explicar: no Sandero, recuando um pouquinho o banco o passageiro da frente já pode esticar as pernas totalmente, quase sem tocar o assoalho; atrás, duas pessoas viajam com absoluto conforto e a uma boa distância dos bancos dianteiros (e uma da outra, caso não sejam amigas). Evidentemente que três passageiros não devem esperar essa moleza. Mas mesmo assim o Sandero oferece mais espaço que seus concorrentes. E a bagagem da turma pode ir acomodada nos razoáveis 320 litros no porta-malas.

*Viagem a convite da Renault

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