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23/11/2007 - 20h23

Passat V6, carro de passeio mais caro da VW, une poder e luxo

Da Auto Press
A Volkswagen não é exatamente uma especialista em vender sedãs. Mas não se pode negar que a marca oferece no mercado brasileiro modelos de três volumes bem modernos em todos os seus segmentos de atuação. Casos do Polo sedã, do mexicano Jetta e, claro, do Passat. Esse sedã médio-grande, trazido da Alemanha, esbanja tecnologia e requinte. Principalmente na versão de topo de linha, V6.

O modelo é o carro de passeio mais caro da marca comercializado no Brasil, a R$ 168.820 (em outro segmento, o SUV Touareg 4.2 V8 é vendido a R$ 292 mil), e conta com estrutura, equipamentos e motor que o credenciam à marqueteira função de ser a vitrine de tecnologia da empresa alemã no Brasil.



O Passat V6, realmente, está longe de ser um modelo comum. E o próprio mix de vendas evidencia isso: ele responde por apenas 10% das unidades do três volumes no país. Em números: apenas 88 unidades do V6 foram vendidas entre janeiro e outubro de 2007. Essa exclusividade ganha ares de privilégio pela peça de engenharia instalada sob o capô, um dos maiores atrativos do modelo.

Lá está o vigoroso motor FSi V6. Com injeção direta de combustível na câmara de combustão, 3.2 litros de capacidade volumétrica e seis cilindros em V, esse propulsor é capaz de gerar 250 cv de potência a 6.250 rpm e um torque máximo de 33,7 kgfm a 2.750 giros.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Quem olha o desenho conservador do Passat V6 pode até esquecer que por trás (ou melhor, por baixo) das linhas clássicas desse três volumes há um espírito altamente esportivo. O modelo conta com uma estrutura e equipamentos modernos que só são percebidos quando o sedã está em movimento.
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Ele trabalha em conjunto com uma transmissão automática com modo seqüencial de seis velocidades do tipo Direct Shift Gearbox, DSG. Esse sistema tem embreagem dupla que, durante as acelerações, pré-engata a marcha seguinte para reduzir o delay nas mudanças. Entre outras bossas, o câmbio pode ser comandado por borboletas atrás do volante, que permitem a troca seqüencial.

Para completar, o trem de força distribui a potência nas quatro rodas, no sistema de tração integral 4Motion, similar ao Quattro usado pelos Audi mais esportivos.

Superequipado
Na gama de equipamentos há itens bem previsíveis -- mas há também os que buscam diferenciar o modelo. Como a função massagem no encosto do motorista, limpadores de pára-brisa e retrovisores externos aquecidos (coisas para o inverno europeu), banco e retrovisores com memória, faróis autodirecionáveis e persiana elétrica no vidro traseiro.

Eles se juntam aos "obrigatórios": ar-condicionado eletrônico dual zone com saídas para o banco de trás, direção hidráulica, trio elétrico, rádio/CD/MP3, computador de bordo, controle de cruzeiro, bancos de couro com aquecimento na frente e ajustes elétricos. Mas há ainda outros sinais exteriores de requinte. Lanternas em leds, rodas de liga leve aro 17, chave eletrônica e sensor de chuva.

No quesito segurança, obviamente, o Passat tem o que se espera de um sedã de topo. Estão lá seis airbags (frontais, laterais e de cabeça) e controles eletrônicos de estabilidade e de tração. Eles atuam em conjunto com o ABS dos freios, que têm ainda distribuição de pressão e assistência de frenagem para emergências. Sensor de obstáculos, faróis de xênon, sistema de monitoramento da pressão dos pneus e retrovisor interno eletrocrômico são itens de série nessa versão.

Design conservador
No estilo, uma sobriedade clássica que é aprofundada pela falta de ousadia em design da Volkswagen. O capô liso converge para a grade trapezoidal com moldura cromada. O conjunto óptico também é típico, com dupla parábola e contornos irregulares que invadem o pára-choque. O formato da carroceria em parábola reforça o estilo conservador. As lanternas traseiras, com seções redondas, reforçam a identidade da marca.

Os principais rivais do Passat V6 no segmento de médios-grandes no Brasil seriam Peugeot 407 Griffe 3.0 V6, Citroën C5 Exclusive 3.0 V6 e Toyota Camry XLE 3.5 V6. Todos entre R$ 15 mil e R$ 25 mil mais baratos que o Passat -- mas bem menos fornidos de aparatos tecnológicos. De penetra nesse nicho está até o Chevrolet Omega, que é um modelo grande, mas custa R$ 145 mil. Menos, portanto, que os R$ 168.820 do Passat.

Mas o carro da Volkswagen ainda pode ser mais recheado. E com opcionais de apelo tecnológico, como o som da marca Dynaudio e o teto solar elétrico com um sistema de refrigeração automático, alimentado por células solares, que mantém a temperatura do habitáculo. Com eles, o Passat V6 chega a R$ 185.085. (por Fernando Miragaya)

O PASSAT V6 DE ZERO A 100
Desempenho - Basta pisar no acelerador para perceber que o Passat V6 é um carro instigante. A ótima potência e o sistema de injeção direta de combustível contribuem para reações imediatas e acelerações vigorosas. De zero a 100 km/h foram apenas 7,1 segundos. O câmbio Tiptronic de seis velocidades e sistema de embreagem dupla tornam a performance do sedã ainda mais esportiva. Não há delays entre as marchas nem buracos entre os giros. Com isso, as retomadas também são igualmente eficientes. O modo seqüencial favorece a condução mais divertida e objetiva, principalmente em trechos que exigem uma troca mais frequente de marchas, comum numa subida de serra, por exemplo. Alcançar a máxima de 240 km/h não exigiu muita paciência, só um certo destemor. Nota 9
Estabilidade - É lugar-comum, mas define bem: o Passat parece correr sobre trilhos. Sem falar na eficiente tração integral, que proporciona um comportamento ainda mais equilibrado. Com o controle de estabilidade, que age em conjunto com o ABS, e o controle de tração, o Passat mostra excelente aderência em curvas de raio aberto ou fechado. Mesmo quando se abusa em busca dos limites, chega-se, no máximo, próximo ao limite de aderência - quando ele ameaça soltar a frente, os dispositivos de segurança logo se apresentam e recolocam o modelo na trajetória correta. Nas retas, mesmo em velocidades superiores a 200 km/h, nada de sensação de flutuação. A comunicação roda/volante permanece precisa. Nas frenagens bruscas, os freios com ABS e EDB ajudam a manter a trajetória, mesmo em pista molhada. Nota 10
Interatividade - O Passat tem ajustes elétricos nos bancos dianteiros com três memórias para o assento do motorista, que configura também os retrovisores externos. Em resumo: é fácil encontrar a posição ideal para dirigir e uma boa visualização do quadro de instrumentos e do computador de bordo. Ao mesmo tempo, os principais comandos ficam à mão e a manobrabilidade só é prejudicada pela traseira elevada e pelas largas colunas centrais. Menos mal que o sensores de obstáculos traseiro e dianteiro facilitam a vida na hora de estacionar. Nota 8
Consumo - O modelo testado fez a sofrível média de 6,2 km/l com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 6
Conforto - A opção da Volkswagen foi mesmo pela esportividade. Tanto que não pensou em recalibrar ou amolecer a suspensão para as esburacadas vias brasileiras. Atrás, os passageiros sofrem um bocado com os solavancos em trechos muito irregulares, mas ainda assim o sedã mantém um bom nível de conforto. Até porque o Passat esbanja equipamentos e espaço interno. A área para pernas e cabeças é generosa para todos os ocupantes. Atrás três adultos não-obesos viajam sem apertos e o barulho do motor só invade o habitáculo quando o ponteiro do conta-giros ultrapassa os 4.000 rpm. Ou seja: quando se quer mesmo um comportamento mais esportivo. Nota 8
Tecnologia - A sexta geração do Passat nasceu em 2005 e tem uma plataforma bastante moderna. Isso sem falar do trem de força, que reúne o motor 3.2 V6 FSi com a transmissão DSG de seis velocidades. O modelo ainda tem ABS, EBD, controles de tração e estabilidade, airbags, sensores de obstáculo e comandos do câmbio seqüencial nas palhetas atrás do volante. No quesito entretenimento oferece Bluetooth. Mas falta um DVD player, item bem-vindo no segmento. Nota 9
Habitabilidade - O avantajado porta-malas de 565 litros oferece espaço de sobra para quem exagera na bagagem e os acessos ao interior do veículo são facilitados pelo bom vão das portas. Há uma boa quantidade de porta-objetos, mas a iluminação interna proporcionada pelas luzes de cortesia e leitura poderia ser mais eficiente. Nota 9
Acabamento - Um carro de R$ 168 mil não pode abrir mão de usar materiais de qualidade. Os revestimentos e forrações de bancos e painéis do Passat são muito agradáveis aos olhos e ao toque. O banco de couro, por sua vez, reforça o requinte, assim como os detalhes cromados. Fechamentos e encaixes são precisos. Nota 9

Design - Por dentro e por fora, o sedã esbanja sobriedade. A Volkswagen costuma evitar riscos nas suas linhas e isto pesa sobre o Passat. Não há qualquer detalhe que empreste mais arrojo. Mas é o mesmo veículo vendido em todo o mundo e a 6ª geração adotou conjuntos ópticos que viraram uma identidade da marca. Nota 7
Custo/benefício - Começa em R$ 168.210 e completo chega aos R$ 185.085. Na verdade, é mais caro que seus concorrentes, mas tem equipamentos e tecnologia para justificar esta situação. Nota 7
Total - O VW Passat V6 somou 82 pontos em 100. NOTA FINAL: 8,2

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