UOL Carros

22/11/2007 - 18h57

Ranger ganha versão Sport para 'bater' nas menores

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A Ford apresentou nesta quinta-feira (22) a linha 2008 de sua picape Ranger. Além de algumas mudanças técnicas, em especial na suspensão, a novidade do veterano utilitário é a versão Sport, que chega com preço (R$ 49.990) e predicados para disputar espaço com as picapes pequenas, um dos segmentos mais aquecidos do mercado automotivo brasileiro.

Na apresentação da Ranger Sport, os executivos da Ford foram direto ao ponto: a idéia é colocar uma "picape de verdade" (palavras deles) para brigar com carros que têm caçamba e robustez, mas que não seriam totalmente dignos do nome (outra vez, o raciocínio é todo da Ford). Assim, o preço menor inauguraria uma nova subcategoria no segmento: a da picape-média-com-preço-de-pequena.
Divulgação


Cor e pneus com "texto" em branco dão graça à Ranger Sport


Por esses quase R$ 50 mil, a Ranger Sport traz, de série, direção hidráulica, ar-condicionado, vidros e travas elétricos, controle elétrico dos retrovisores, farol de neblina e rádio/CD com MP3. Para entregar a esportividade prometida no nome, ela oferece detalhes como pára-choque dianteiro, moldura da grade do radiador e capa dos espelhos na cor do veículo -- além de rodas de 16" e pneus Pirelli 245/70 Scorpion com a marca e logotipo em branco, no que talvez seja o aspecto externo mais arrojado da picape. Além disso, o obrigatório vermelho foi incorporado à paleta de cores (há ainda preto, prata, branco e cinza).

Para efeito de comparação: no site da Fiat, uma Strada Adventure 1.8 cabine estendida completa, inclusive com equipamentos indisponíveis na Ranger Sport (como sensor de chuva e teto-solar), sai por R$ 51.865 para o Estado de São Paulo. Já uma Chevrolet Montana Sport 1.8 totalmente equipada é exibida no site da marca por R$ 52.149.

Em busca de um público jovem (25 a 35 anos), que possa hesitar entre um desses carros menores (inclusive a Ford Courier) e uma picape maior como a Ranger, e também por uma necessidade de mercado imposta pelos concorrentes de maior porte (as picapes japonesas, por exemplo), a Ford buscou dar à nova linha uma dirigibilidade mais suave e controlada, próxima à dos carros de passeio.

Divulgação
Os pneus Pirelli Scorpion com e as rodas "másculas" se destacam
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A suspensão traseira da Ranger passa a ser a vedete da linha 2008
FICHA TÉCNICA DA RANGER 2.3
FICHA TÉCNICA DA RANGER 3.0
Para isso, a principal mudança foi na suspensão traseira, que teve a distância entre os amortecedores (assimétricos: o esquerdo inclinado para trás, o direito à frente) aumentada em 43,5 cm. Isso significa que eles estão do lado de fora das molas e bem mais próximos das rodas, "segurando-as" de modo mais efetivo. Segundo a Ford, isso aumentou a capacidade de amortecimento em 55%. Já a direção hidráulica teve sua dureza diminuída em 10%.

Opções não faltam
A linha Ranger tem nada menos que 16 opções, combinando os acabamentos, tipos de cabine, combustível e tração. Preste atenção para não se perder: a Ranger Cabine Simples com motor diesel dispõe das versões XL (4x2 ou 4x4) e XLS (4x2). O modelo cabine simples com motor a gasolina é produzido nas versões XL e XLS, com tração 4x2. A Ranger Cabine Dupla com motor diesel tem as versões XL, XLS e XLT, com tração 4x2 ou 4x4, além da topo de linha LTD, exclusivamente 4x4. Com motor a gasolina, ela oferece as versões XL, XLS e XLT, todas 4x2. A versão Sport é derivada da XLS cabine simples a gasolina.

Os motores são o Power Electronic 3.0 a diesel, com 163 cv de potência e torque de 38,7 kgfm, ou o Duratec 2.3 a gasolina, que entrega 150 cavalos e possui torque de 22,1 kgfm.

Na tabela Datafolha, os preços da linha vão de R$ 47.850 (XL 4x2 simples 2.3 a gasolina) até R$ 100.755 (LTD 4x4 dupla 3.0 a diesel). De acordo com a Ford, cerca de 120 mil Ranger já foram vendidas no Brasil. Em outubro, dados da Fenabrave, associação nacional dos distribuidores, mostram a linha em 11º lugar na categoria de comerciais leves, com 1.354 unidades emplacadas.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
O UOL Carros participou de test-drive da Ranger 2008 dirigindo um exemplar XLS 2.3 cabine simples a gasolina (base da Sport), num trecho que incluiu algumas dezenas de quilômetros de estrada de boa qualidade e vários minutos de engarrafamento e fumaceira na parada São Paulo desta quinta, 22.
A Ford não exagera quando afirma que a condução da Ranger está próxima à de um carro de passeio. A direção é mesmo leve, até um tantinho "solta"; o câmbio, muito bem posicionado, é preciso e suave; e a estabilidade com duas pessoas a bordo e caçamba vazia não compromete.
Motorista e passageiro (a Ford lembra que a Ranger foi homologada para três pessoas na cabine simples, mas não dá nem para discutir isso a sério) vão num habitáculo espartano, que mistura carro de passeio (descansa-braço, controles elétricos na porta, painel com os quatro instrumentos básicos) a utilitário (freio de mão no pé, volante fino). A sensação também é mista: a altura e a visão do capô do motor lembram o motorista de que ele está numa picape; o baixo nível de ruído e a dirigibilidade (em velocidade constante) dão a impressão de se estar num veículo bem menor.
O motor 2.3 a gasolina de 150 cavalos permite que uma condução a 120 km/h seja feita na faixa dos 3.000 rpm (o torque máximo surge pouco acima disso) e com bastante naturalidade. Mas em quase quaisquer ultrapassagens e retomadas é necessário reduzir a marcha. Os freios pareceram bem confiáveis. O consumo médio, segundo a Ford, é de 8,6 km/l.
A experiência com a Ranger na estrada é uma coisa, mas na cidade congestionada é bem outra: a embreagem dura e a inexistência de apoio para o pé esquerdo fazem com que o anda-pára e as constantes trocas de marcha sejam um martírio para a perna. Se a visibilidade traseira é excelente, o motorista que trocou um carro menor pela alta Ranger fatalmente vai se assustar tentando descobrir onde estão todos esses "motoboys invisíveis" que insistem em buzinar -- eles ficam praticamente fora do campo de visão dos espelhos laterais.
Esse "atrito" com o tráfego urbano pesado, somado ao design antiquado, que lembra um caminhãozinho (mas que, certamente, dá impressão de robustez), e à flagrante desvantagem de não possuir motorização flex, deixam algumas dúvidas quanto à seduçao que a Ranger possa exercer sobre quem possui ou aprecia picapes pequenas -- se é mesmo esse o filão que a Ford quer explorar.

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