UOL Carros

16/11/2007 - 18h14

Mustang GT conversível esbanja charme e gasolina

Da Auto Press
Em San Diego (EUA)
Nos salões de automóveis de todo o mundo, veículos híbridos, elétricos ou movidos por fontes renováveis de energia são destaque. Mas muita gente não está nem aí para o tal "aquecimento global" e boceja ao ouvir falar de motores com baixos índices de emissão.
Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

O Ford Mustang V8, de visual retrô, não poupa barulho e gasolina
VEJA MAIS FOTOS DO MUSTANG GT V8

O ronquinho tímido dos carros híbridos, que lembra o dos barbeadores elétricos, também deixa muitos americanos entediados. Mesmo na Califórnia, onde as leis anti-poluição são as mais rigorosas e se vende mais veículos híbridos que em qualquer parte do planeta, muitos ainda sonham com a chance de acelerar um esportivo americano à moda antiga, ao som de um motorzão V8.

É para agradar quem não liga para argumentos racionais, e é mais motivado pela emoção, que existem carros como o Ford Mustang GT conversível Premium 4.6 V8.

  • Impressões ao dirigir: um Mustang e 300 cavalos

    BEM RÁPIDAS
    O Mustang foi lançado na Feira Mundial de Nova Iorque de 1964. Seu primeiro protótipo havia sido apresentado dois anos antes, durante o Grande Prêmio de Watkins Glen, no estado de Nova Iorque.
    Lançado numa época em que os grandes esportivos ianques eram o Chevrolet Corvette e o Ford Thunderbird, ambos bem mais caros, o Mustang se tornou um sucesso instantâneo. No primeiro dia de lançamento, vendeu mais de 22 mil unidades.
    Menos de um ano e meio depois do lançamento, o Mustang atingiu a marca de um milhão de unidades. Cerca de 6% dos carros vendidos nos Estados Unidos em 1966 eram Mustang.
    O "appeal" do Mustang no mercado americano é tamanho que existem várias revistas dedicadas unicamente ao modelo, além de diversos sites na Internet.
    O esportivo é produzido na fábrica da Ford em Flat Rock, no Estado de Michigan.
    Uma das mais famosas versões do Mustang foi a GT 500 de 1967, preparada por Carrol Shelby.
    A Ford oferece o Mustang em 12 diferentes versões, que combinam motores V6 e V8, carroceria cupê ou conversível e as opções de acabamento De Luxe e Premium. Também existem as séries especiais Shelby GT 500, V6 Pony e GT Cal Special.
    Com 43 anos de estrada e tido por muitos como a representação automotiva do "American way of life", o Mustang ainda chama a atenção onde quer que passe. Isso num lugar onde é comum ver Ferrari, Porsche, Maserati e Lamborghini dividindo um mesmo engarrafamento. Um discreto adesivo no reduzido vidro lateral traseiro ajuda a explicar parte do carisma que esse ícone americano sobre rodas arrebatou desde que foi lançado, em 1964.

    A mensagem "Built with pride. Quality is job # 1" ("Feito com orgulho. Qualidade é o trabalho nº 1") é assinada pelo logo da Ford e por uma engrenagenzinha com as letras UAW, de Union of Automotive Workers, o poderoso sindicato dos trabalhadores automotivos norte-americanos. No Brasil, onde muita gente nem desconfia se o carro que dirige é nacional ou importado, pode parecer um exagerado patriotismo.

    Mas nos Estados Unidos, onde a maioria das casas ostenta na fachada a bandeira americana, valorizar a procedência faz todo sentido. Afinal, o Mustang possui um predicado que nenhum esportivo europeu jamais vai ter: é ianque até o último parafuso.

    A quinta geração do Mustang, lançada no final de 2005 e que ganhou novos opcionais esse ano, traduz bem esse americanismo nostálgico. Referências retrô se espalham de um pára-choques ao outro. Na parte frontal, além do inexorável pônei cromado a galope, dois pares de faróis redondos compõem o visual de época. Na lateral, um pronunciado sulco vai da frente à traseira, contornando as caixas de rodas.

    As lanternas, que ladeiam a marca redonda cromada do GT na tampa do porta-malas, são retangulares e conservadoras, divididas em três gomos verticais. As ponteiras cromadas de escapamento, como não poderia deixar de ser, se insinuam sob o pára-choques. A capota retrátil é simples, de vinil. Não esbanja tecnologia e demora 13 segundos para se fechar totalmente, mas compõe o estilo esportivamente despojado.

    FICHA TÉCNICA
    Motor: Gasolina, dianteiro, longitudinal, 4.606 cc com oito cilindros em "V" e três válvulas por cilindro com comando variável no cabeçote. Injeção eletrônica de combustível seqüencial. Blocos e cabeçotes em alumínio.


    Transmissão: Câmbio automático de cinco velocidades. Tração traseira com sistema de controle de tração. Direção hidráulica, do tipo pinhão e cremalheira.
    Potência: 300 cv a 5.750 rpm.
    Torque: 44,2 kgfm a 4.500 rpm.
    Diâmetro e curso: 90,2 mm X 90,0 mm. Taxa de compressão de 9,8:1.
    Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais; traseira com eixo rígido de três braços, barra Panhard e molas helicoidais.
    Freios: Discos sólidos e ABS nas quatro rodas.
    Carroceria: Cupê conversível esportivo em monobloco com duas portas e configuração 2+2. 4,76 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,41 m de altura e 2,72 m de distância entreeixos.
    Peso: 1.605 kg.
    Porta-malas: 215 litros.
    Tanque: 60,6 litros.
    Ford Mustang GT conversível Premium 4.6 V8
    Se por fora o Mustang atende saudosistas expectativas estéticas, o interior também impressiona. São dois lugares reais a bordo. Os bancos de trás (onde é possível levar com algum conforto pessoas de, no máximo, 1,40 m) servem apenas para que possa ser enquadrado como um "esportivo 2+2". O interior, todo em couro preto, reforça o aspecto "old fashion".

    Apliques em aço escovado ressaltam o volante de três raios, os mostradores e entradas de ar circulares e também a alavanca do câmbio automático de cinco velocidades, que é opcional. Já os airbags frontais e laterais são de série.

    Mas a alma de um Mustang está sob o capô. Na versão GT Premium, lá se encontra um V8 de 4.6 litros com bloco e cabeçotes em alumínio, três válvulas por cilindro com comando variável e injeção eletrônica seqüencial. A potência é de 300 cv aos 5.750 giros, com torque de 44,2 kgfm aos 4.500 rpm. A Ford fala em consumo médio urbano de 17 milhas por galão (7,2 km/l), mas o cabriolet, em 1.200 km nas ruas e highways do sul da Califórnia, rodou apenas 6,3 km/l.

    Com um pacote intermediário de opcionais, que inclui o câmbio automático de cinco velocidades, alarme anti-roubo e rodas de 18 polegadas em alumínio, entre outros, o preço nos Estado Unidos, com as taxas inclusas, vai a US$ 39.800 -- cerca de R$ 70 mil.

    A Ford até trouxe um ou outro Mustang para enfeitar os estandes nas últimas edições do Salão do Automóvel, em São Paulo, mas diz que não pretende vendê-lo oficialmente no Brasil. Importadores independentes se aproveitam disso e aceitam encomendas, por valores em torno de R$ 185 mil. (por Luiz Humberto Monteiro Pereira)

    O FORD MUSTANG DE ZERO A 100
    Desempenho - Ser excitante é a essência de um Mustang. Nessa versão Premium 4.6 V8, o motor disponibiliza 300 cavalos aos 5.750 giros, com torque de 44,2 kgfm aos 4.500 rpm. Ou seja, não é carro para passeios pacatos, e sim para quem tem o pé direito bem pesado. O câmbio automático de cinco velocidades com overdrive não dispõe de opção de acionamento manual das marchas, que tornaria a brincadeira mais divertida. A Ford não informa os dados sobre o desempenho desse modelo. Nas retas da highway I-5, no trecho entre Los Angeles e San Diego, foi possível atingir os 210 km/h, mas o carro parece ter disposição para acelerar mais. O melhor zero a 100 km/h obtido ficou em 6,9 segundos. Nota 9
    Estabilidade - A eficiente suspensão traseira com eixo rígido e a boa rigidez torcional - questão particularmente delicada nos conversíveis - são proclamados destaques dessa quinta geração do Mustang. O carro transmite sensação de segurança nas curvas e frenagens. Eventuais abusos são corrigidos pelo sistema de controle de tração, que pode ser desativado por quem preferir ter o carro mais "na mão".Nota 8
    Interatividade - Embora ergonomia não seja propriamente o forte do Mustang, os comandos são até bem posicionados. A alavanca do freio de mão é um pouco alta demais, mas não atrapalha quando abaixada. A capota aberta facilita as manobras, com a ajuda dos espelhos generosos. Mas um sensor de estacionamento cairia bem. Nota 7
    Consumo - A Ford estima o consumo do Mustang GT conversível Premium 4.6 V8 em 7,2 km/litro na cidade e 9,8 km/litro na estrada. Mas o modelo testado num circuito de 1.200 km, sendo 65% estrada e 35% urbano, parecia bem mais sedento: bebeu um litro da puríssima gasolina americana de 87 octanas a cada 6,3 quilômetros. Nota 6
    Conforto - Quem privilegia o conforto tem opções mais interessantes. Na frente, os espaços são até amplos. Atrás, é melhor evitar viajar. A suspensão, apesar de privilegiar a esportividade, é bem calibrada e filtra as eventuais irregularidades com alguma eficiência. Um dos "desconfortos" do Mustang é também considerado um de seus atrativos: o característico e imponente ronco do motor V8. O isolamento não dá conta de tantos decibéis, mas esse ronco é um patrimônio imaterial do qual nenhum dono de Mustang abre mão. Nota 7
    Tecnologia - O modelo 2007 passou a oferecer novos opcionais, como sistema de navegação - não disponível no modelo testado -, rádio Sirius por satélite, espelho interno eletrocrômico com bússola e bancos dianteiros com aquecimento e ajustes elétricos. No opcional Message Center, aparecem num pequeno painel informações sobre o funcionamento do veículo. Sistema de monitoramento da pressão dos pneus, airbags frontais e laterais de série, além de ABS nas quatro rodas, reforçam a segurança. Nota 8
    Habitabilidade - Como em qualquer esportivo, entrar no Mustang exige certa elasticidade. Ainda mais nos bancos de trás, inviáveis para quem tem mais de 1,40 m. Mas um Mustang não é mesmo para levar crianças (ou anões) para passear, e sim para acelerar forte, de preferência com uma bela companhia no banco do carona. Afinal, passear por aí num esportivo sem capota é sempre uma proposta interessante. A bordo, a oferta e a funcionalidade dos porta-objetos é restrita. O porta-malas, de exíguos 215 litros, também é coerente com um esportivo conversível. Mesmo porque, levar muitas tralhas não também combina com a lúdica proposta do modelo. Nota 8
    Acabamento - O interior do Mustang tem um aspecto rústico e bastante retrô, mas o acabamento segue um padrão moderno, sem luxos mas sem rebarbas. Os revestimentos são agradáveis ao toque. Nota 8


    Design - Legítimo herdeiro das melhores tradições dos muscle cars dos anos 60 e 70, o Mustang, nessa quinta geração, resgatou parte do carisma dos seus anos dourados. Seu estilo é clássico, másculo e sem maiores gracinhas, o que agrada em cheio os admiradores. Uma das raras "frescuras" é o sistema MyColor, que dá a possibilidade de mudar e recombinar as cores das luzinhas do painel de instrumentos. As opções são verde, roxo, laranja, azul, branco e vermelho. É possível também criar uma cor personalizada, combinando as três cores primárias. Mais fashion, impossível. Nota 9
    Custo/benefício - A versão 2007 do Ford Mustang GT conversível 4.6 V8 Premium tem preço básico de US$ 31.280, mais taxas - que na Califórnia, ficam em 8,5%. Já a versão avaliada, com câmbio automático de cinco velocidades, pneus aro 18 com rodas de alumínio, bancos de couro com aquecimento, alarme antifurto, rádio satélite Sirius e mais o frete, chega a US$ 39.800, incluídas as taxas - algo em torno do R$ 70 mil. No Brasil, pode ser encomendado por um valor de cerca de R$ 185 mil, que deixa o cabriolet bem menos divertido. Nota 7
    Total - O Ford Mustang GT conversível 4.6 V8 Premium somou 77 pontos em 100. NOTA FINAL: 7,7

    Compartilhe:

    • Fale com UOL Carros

      SALOES