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16/11/2007 - 18h26

Impressões ao dirigir: um Mustang e 300 cavalos

Da Auto Press
Em San Diego (EUA)
O sul da Califórnia, de Los Angeles até San Diego, quase na fronteira com o México, é uma região onde defender a natureza está na moda. Por cruel ironia, o local foi recentemente castigado por violentos incêndios que deixaram o ar quase irrespirável.

Antes do fogo, foi lá que o Mustang conversível ganhou a estrada para ser avaliado. Beberrão, barulhento, nervoso e sem nenhuma identificação com a causa ecológica, o cabriolet da Ford até recebeu um ou outro olhar desaprovador. Mas olhares "verdes" -- só que de inveja -- eram infinitamente mais numerosos.
Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias
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Pisar fundo no acelerador de um Mustang conversível é uma experiência sensorial bastante rica. Simultaneamente, o vento e o barulho inconfundível do motorzão V8 invadem o habitáculo. Ao mesmo tempo, confome o carro acelera mais, dá para perceber as costas se afundando no banco de couro, o que reforça a sensação de interatividade. O volante, também forrado de couro, é de ótima empunhadura e transmite com precisão os comandos do motorista às rodas.

Pena que o câmbio automático opcional do modelo testado, sem o recurso de acionamento manual das marchas, limite um pouco as possibilidades. De qualquer forma, é hora de deixar os 300 "poneizinhos selvagens" do motor desembestarem à vontade pelo asfalto afora. Como a velocidade máxima local normalmente é de 65 milhas por hora (algo perto de 105 km/h), só a lembrança das pesadas multas em dólares para eventuais excessos funciona como um implacável limitador de velocidade.

Nas retas, o Mustang se mostra confiável e demora a mostrar sinais de flutuação. Nas curvas, o conjunto suspensivo bem equilibrado dá conta do recado, sem que o controle de tração se faça sentir necessário. Já os freios a disco nas quatro rodas contam com o reforço do ABS na hora de parar o carro -- algo mais que recomendável para modelos que ultrapassam os 200 km/h.

O resultado é um cabriolet arisco, onde o motorista se sente no comando do carro, sem tanto daquela "anestesia" tecnológica que, muitas vezes, tira a graça de dirigir alguns esportivos.

Ao fim dos quatro dias do teste, um amigo brasileiro, que há oito anos mora em Los Angeles, se ofereceu para devolver o vistoso cabriolet amarelo na concessionária Ford quando voltasse do trabalho, que ficava perto. Obviamente o Mustang despertou olhares de admiração e até cumprimentos dos colegas.

No dia seguinte, ele voltou ao trabalho com seu carro habitual, um utilitário esportivo bem lugar-comum nas ruas californianas. Logo foi interpelado por uma linda colega, que jamais havia dirigido uma única palavra a ele em oito anos de convivência profissional. "Where is the Mustang?", questionou a louraça.

Depois das explicações sem graça sobre o destino do esportivo, o brasileiro saiu com a certeza de que a insinuante colega nunca mais irá lhe dirigir a palavra novamente. Pelo menos enquanto ele não arrumar um Mustang para chamar de seu. (por Luiz Humberto Monteiro Pereira)

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