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02/11/2007 - 14h57

Volks lança versão Rallye para remoçar o Gol

Da Auto Press
Criar roupagens aventureiras ou esportivas para automóveis é um recurso tão antigo quanto os modelos mais veteranos do mercado brasileiro. Serve para tentar agregar uma imagem mais moderna e incrementar as vendas. Foi o que a Volkswagen fez ao decidir trazer de volta a versão Rallye do Gol.

O recurso consiste, basicamente, em criar uma configuração recheada de adereços visuais. A maquiagem tenta disfarçar os inevitáveis efeitos dos 13 anos desde que o carro sofreu sua maior transformação e virou "Bolinha", em 1994. Por baixo do traje esporte, está o veterano Gol, líder do mercado brasileiro há mais de duas décadas.
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
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Com o Gol Rallye, a Volkswagen busca utilizar a fama de compacto robusto e resistente para se alinhar com concorrentes que exploram a imagem de aventureiro, mesmo sem sê-lo. Estão lá itens comuns a estes casos, como faróis com máscara negra, aerofólio traseiro, acabamento cinza na grade frontal e nos pára-choques, revestimento das colunas centrais e traseiras e na soleira na cor preta.

O GOL, LANCE A LANCE
A Volkswagen iniciou suas atividades no Brasil em 1953 com a importação do Fusca. Em 1957 começou a produzir a Kombi.
O Gol é o modelo-base da chamada família BX - da qual derivaram a Parati, o Voyage e a Saveiro. A apresentação oficial foi em 1979 e as vendas começaram no ano seguinte. O modelo era equipado com velho motor do Fusca, um boxer 1300 refrigerado a ar.
O projeto da Volkswagen é criar uma nova geração do Gol utilizando a plataforma do Fox já no segundo semestre de 2008. Será a 5ª desde a estréia.
O compacto foi o primeiro modelo brasileiro a contar com injeção eletrônica, em 1989, através da versão GTI.
A 2ª geração do Gol foi lançada em setembro de 1994, com 11 cm a mais no entre-eixos e carroceria mais arredondada - virou o Gol "Bolinha".
Só em 1997 o compacto ganhou uma configuração quatro portas.
Em 1999, ano em que comeorou 3 milhões de unidades do Gol fabricadas, a Volks lançou a chamada Geração III do carro. Quatro anos depois, o compacto foi o 1º carro nacional a ser vendido com motor flexfuel.
A última reestilização do modelo ocorreu em 2005.
Além do Rallye, o Gol é comercializado nas versões City com motores 1.0 e 1.6, Plus 1.0 e Power 1.6 e 1.8.
Nas laterais das portas, a inscrição "Rallye". A lista de personalização também inclui equipamentos interessantes, como faróis e lanterna de neblina, faróis de milha, rodas de liga leve aro 15 e pneus com 195 mm de largura. Ao mesmo tempo, a configuração tem a suspensão elevada em 3 cm, alteração de alguma efetividade e nem sempre presente nos outros "aventureiros do asfalto".

Por dentro, o acabamento também busca marcar uma diferença para a versão normal e reforçar a proposta esportiva. Um detalhe que chama a atenção é o charmoso volante de três raios, que remete aos usados nos antigos bólidos de competição da Porsche. Mas a ousadia não vai muito além disso. A esportividade se esvai num abuso de tons cinza nos painéis do interior. É o caso dos apliques que tentam, de forma muito pouco convincente, lembrar aço escovado.

A inscrição "Rallye" se repete na manopla do câmbio e nos encostos dos bancos, que contam com elásticos para prender objetos nas laterais, como há em algumas mochilas.

A forração dos bancos é num revestimento camurçado no centro e num tecido mais grosso, com bolinhas amarelas, nas bordas. O modelo ainda tem pedaleiras esportivas e console central baixo, com porta-copos e porta-objetos. Entre os itens de conforto, pouca coisa: direção hidráulica, ajuste de altura do banco, espelhos nos pára-sóis, lavador, desembaçador e limpador do vidro traseiro. Ar, trio elétrico, rádio/CD/MP3 e alarme são os opcionais.

Motor manjado
Por baixo disso tudo, uma estrutura bem manjada e antiga. Tanto que ainda utiliza motor longitudinal. Como o motor é mais comprido que o transversal, ele avança na direção do habitáculo e faz com que o volante e os pedais sejam desviados para a direita, para fugir da caixa de roda. Para acompanhar, o banco do motorista também é colocado torto em relação ao resto da carroceria.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR


É inegável que a versão Rallye passa uma imagem moderninha e esportiva para o Volkswagen Gol, com máscaras negras nos faróis, soleiras, volante esportivo e aerofólio, entre outros detalhes estéticos. Mas ao se sentar no banco do motorista e virar a chave, a realidade veterana do hatch predomina.
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Esse problema é oriundo, na verdade, do primeiro Gol, lançado em 1980. A mesma plataforma esticada foi usada em 1994, no chamado "Bolinha". Por isso mesmo, o problema foi herdado e se mantém até hoje. E sob o capô está um outro velho conhecido: o motor a água 1.6 8V, uma evolução da unidade usada no modelo desde 1985. Atualmente o motor é flexfuel e gera, com álcool 103 cv a 5.750 rpm e torque de 14,5 kgfm a 3.000 giros. Com gasolina, estes valores caem para 101 cv e 14,2 kgfm.

Os números de vendas para o Rallye, contudo, são tímidos e apenas ilustram bem que a estratégia da Volks é tentar agregar uma imagem mais jovem ao veterano modelo. Ao preço de R$ 36.375, a meta é vender 3.000 unidades até julho do ano que vem, o que confere uma média de 272 unidades/mês para a configuração.

Isso representa menos de 1,5% do total do Gol, que ronda a casa das 20 mil unidades todo mês e que lidera o ranking dos mais vendidos: entre janeiro e setembro foram pouco mais de 180 mil, contra quase 170 mil do Fiat Palio. Vale lembra que, em 2008, o campeão da VW deve passar por uma transformação mais radical, com a chegada do que a montadora chama de Geração V do modelo. (por Fernando Miragaya)

O GOL RALLYE DE ZERO A 100


Desempenho - Com menos de uma tonelada e com um motor de 103 cv, o Gol Rallye não decepciona. As acelerações são bastante espertas, auxiliadas pela segunda e terceira marchas curtas. O motor responde bem ao se pisar no pedal do acelerador - de zero a 100 km/h foram consumidos 11,5 s. Isso pôde ser conferido ainda nas retomadas, quando os 14 kgfm de força são entregues já aos 3.000 giros, o que garante também uma boa performance do compacto em ladeiras. Só a partir dos 130 km/h é que o modelo parece perder um pouco o vigor e exige paciência para chegar à máxima de 180 km/h. Nota 8
Estabilidade - No limite, em trechos mais sinuosos, o carro tende a "rolar" um pouco, especialmente porque esta versão é elevada em 3 cm. Em retas, nas velocidades superiores a 150 km/h, a comunicação roda/volante fica comprometida e a sensação de flutuação aparece. Nas frenagens bruscas, o ABS fez falta: o carrinho trava as rodas com facilidade e se desvia da trajetória. Mas em situações normais, as dimensões enxutas e a suspensão independente na frente e interdependente atrás mantêm o Gol "no chão", tanto em curvas de alta quanto nas baixa velocidade. Nota 7
Interatividade - Não há muitas surpresas. Os comandos ficam à mão e nos lugares lógicos. O painel, reaproveitado do Fox, ganhou um termômetro de motor em cristal líquido. O cluster é dominado pelo velocímetro, com um mostrador de conta-giros pequeno de um lado e o marcador de combustível do outro. A visibilidade nas manobras fica comprometida pelas largas colunas centrais e traseiras. O volante não tem regulagem de altura e isso limita até o uso do ajuste do banco - se o assento for colocado muito alto, o motorista não enxerga o topo do painel. Em contrapartida, o câmbio oferece engates curtos, macios e, com exceção da ré, bem precisos. O pior do Gol é mesmo a ergonomia, que tem um defeito embrionário. A posição dos pedais, do volante e banco do motorista são enviesadas em relação ao eixo de movimento do carro. Além da estranha sensação de guiar um carro torto, em viagens longas o torcicolo é uma possibilidade. Nota 5
Consumo - Fez a elevada média de 6,4 km/l apenas com álcool. Alta para um modelo com 983 kg e motor 1.6. Nota 6
Conforto - O Gol tem as limitações usuais do segmento de compactos. O espaço para pernas até que é razoável e quem vai na frente, vai bem. Mas a altura reduzida do modelo compromete o espaço para as cabeças, principalmente atrás. Pessoas com mais de 1,75 m raspam a cabeça no teto. A suspensão elevada e reforçada, pelo menos, absorve bem as irregularidades da pista. O isolamento acústico é falho. O barulho do motor invade o habitáculo, principalmente acima dos 4.000 giros. Nota 6
Tecnologia - É um projeto defasado. A plataforma é a mesma de 1980, que foi alongada em 1994. O motor 1.6 também é veterano e não tem grandes inovações tecnológicas. A versão Rallye não conta com equipamento de segurança. ABS e Airbag nem fazem parte da lista. Itens de conforto práticos, só como opcionais. Nota 5
Habitabilidade - O Gol Rallye conta com uma boa iluminação interna, com luzes de leitura na frente e atrás. Os cintos têm regulagens de altura e há uma boa quantidade de porta-objetos e uma ótima prateleira sob o painel. O tamanho do porta-malas é reduzido, coisa comum entre os compactos. Os acessos também não são generosos, devido às portas diminutas e à altura do veículo. Nota 7
Acabamento - A versão Rallye tem itens de diferenciação no habitáculo que melhoram o aspecto interno. Os detalhes que imitam aço e cromados emprestam um ar esportivo. O painel usa materiais que aparentam qualidade ao toque e ao visual e as forrações dos bancos são boas. Os fechamentos e encaixes são bons, mas há rebarbas e soldas de plástico. Nota 7
Design - A versão é baseada na última reestilização pela qual passou o compacto, em 2005, que deixou o carro mais moderno, mas com desenho que não é unanimidade. Por outro lado, o habitáculo do Rallye, com volante esportivo e novas forrações, ficou até interessante. Nota 7
Custo/benefício - Por R$ 36.375 se tem um projeto antigo de compacto com roupagem esportiva e suspensão reforçada. Completo, como a versão avaliada, chega a R$ 46.220. Com os mesmos equipamentos, fico com preço semelhante ao do Fiesta Trail, que é mais moderno, mas não tem suspensão elevada. Nota 7
Total - O Gol Rallye somou 65 pontos em 100. NOTA FINAL: 6,5

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