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02/11/2007 - 18h50

Picape S10 topo de linha tenta conter a forte concorrência

Da Auto Press
Que a Chevrolet S10 é um veículo defasado, ninguém questiona. Mas também é inegável que a General Motors tem conseguido mantê-la como a picape média mais vendida do país desde o seu lançamento, em 1995. Além de oferecer uma ampla gama de preços (que começam com a básica Advantage 2.4 Flex cabine simples, de R$ 54.484), a montadora criou versões bem recheadas para aproximar a S10 de concorrentes modernos, como Toyota Hilux e a recém-lançada Mitsubishi L200 Triton.

É a função da configuração Executive, com motor 2.8 turbo-diesel Eletronic e tração nas quatro rodas. Modelo mais caro da linha S10, sai por R$ 105.455. A proposta da picape top da Chevrolet é entregar um bom pacote de equipamentos a um preço menor que o dos rivais. Ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, rádio/CD player, regulagem de altura do volante, espelhos nos pára-sóis, console no teto com bússola, termômetro, luzes de leitura e porta-objetos e controle de cruzeiro estão entre os itens de conforto. No quesito segurança, constam ABS e airbag duplo, além do diferencial de deslizamento limitado.

A S10, DE ZERO A 100
Desempenho - Os 140 cv do motor turbo-diesel emprestam valentia à S10. O modelo encara bem ladeiras e a aceleração de zero a 100 km/h se dá em satisfatórios 12,9 segundos. As retomadas são ainda mais eficientes, graças à razoável faixa de giros - 1.800 a 2.400 rpm - que recebe o torque máximo de 34,7 kgfm. A velocidade máxima foi de 165 km/h. Nota 8
Estabilidade - Como a maioria das pick-ups médias, a S10, a partir dos 120 km/h em retas, passa alguma sensação de flutuação. Nas acelerações, a frente levanta e, nas freadas bruscas, mesmo com o ABS, é a vez da traseira desviar a trajetória. O mesmo ocorre nas curvas. Esse temperamento um tanto indócil em asfalto, porém, acaba sendo adequado para trechos off-road, onde a S10 mostra um comportamento mais favorável, principalmente na hora de enfrentar buraqueiras. Nota 6
Interatividade - A versão top da S10 só oferece ajuste de altura do volante, mas não é difícil encontrar uma boa posição para dirigir. Para acionar os comandos no centro do painel, o motorista é obrigado a se esticar um pouco. O câmbio tem engates pouco precisos. A manobrabilidade, porém, só é prejudicada pelas dimensões do veículo. Nota 6
Consumo - O modelo fez a boa média de 11,1 km/l, com diesel e 2/3 do uso em cidade. Nota 9
Conforto - Há espaço de sobra na cabine dupla. O vão para as pernas e cabeça é bom. Trata-se de uma picape, e sua suspensão reflete as irregularidades da pista. A suspensão com curso longo resulta em sacolejos demais. O isolamento do motor funciona até os 2.500 giros. Nota 6
Tecnologia - Trata-se de uma plataforma apresentada no Brasil em março de 1995, que já começou a fazer hora-extra. Para compensar, a versão Executive oferece boa gama de itens de conforto e de segurança de série, condizente com as rivais. Nota 7
Acabamento - Os materiais e forrações utilizados aparentam boa qualidade. Fechamentos e encaixes são precisos. Nota 8
Design - A S10 tem um desenho bastante datado. É certo que são poucas as pick-ups ousadas, mas a estética do modelo explicita demais a idade do projeto. Nota 6
Custo/benefício - A versão top da S10 oferece uma interessante gama de equipamentos e é mais barata que Hilux e L200 Triton. Mas também é mais defasada e tem motor menos potente. Nota 6
Habitabilidade - A S10 oferece uma boa quantidade de porta-objetos e uma ótima iluminação interna. O espaço na caçamba condiz com o segmento e apenas os acessos aos bancos traseiros são ruins, problema crônico nas pick-ups com cabine dupla. Nota 7
Total - A S10 Executive somou 69 pontos em 100. NOTA FINAL: 6,9
Se o estilo é datado, o jeito é incorporar elementos para agregar sofisticação. Grade frontal com detalhe dourado, faróis de neblina, barras longitudinais no teto, maçanetas internas cromadas, retrovisores, pára-choques e molduras na cor do veículo e rodas de liga leve aro 16 fazem parte da configuração.

A versão top da S10 só é mais cara que a também veterana Ford Ranger (R$ 95.580 na XLT 3.0 4x4 CD) e que a Nissan Frontier SE 4x4 2.8 CD (R$ 99.720), da qual uma versão mais moderna e importada da Tailândia será lançada esse mês, com o nome de Frontier SEL.

Com um nível de equipamentos parecido, a Hilux SRV 3.0 parte dos R$ 111.200, enquanto a L200 Triton HPE 3.2 mecânica custa R$ 114.900. Mas as rivais da Mitsubishi e Toyota apresentam vantagens técnicas. Além de se tratarem de plataformas mais modernas, utilizam motores mais potentes.

A S10 Executive conta com um MWM 2.8 litros turbo-diesel com injeção direta Common Rail, potência de 140 cv a 3.500 rpm e torque máximo de 34,7 kgfm entre 1.800 e 2.400 giros. A Hilux tem propulsor 3.0 com turbo de geometria variável, intercooler, injeção direta de 163 cv e torque de 35 kgfm entre 1.400 e 3.200 rotações. Já na L200 Triton, o motor turbo-diesel 3.2 de alta pressão gera 165 cv e 31,1 kgfm a 2 mil rpm.

Impressões ao dirigir
A S10 4x4 estimula o condutor a pisar fundo, já que o som do motor turbo-diesel e a boa aceleração do propulsor 2.8 com injeção direta são animadores. As reações ao pedal do acelerador são boas, principalmente nas retomadas, onde a picape ganha força a partir dos 1.800 giros para fazer ultrapassagens com segurança. A partir dos 120 km/h, porém, leva tempo para levar o pesadão veículo até a máxima de 165 km/h.

Mas não basta apenas paciência. É preciso ser cauteloso e administrar bem o apetite do veículo. Nas retas em altas velocidades, acima de 120 km/h, a comunicação rodas/volante perde precisão e a frente da S10 começa a flutuar.

Já nas curvas, a carroceria torce mais que o desejável e o modelo joga um pouco a traseira, principalmente se a caçamba estiver vazia. Pelo menos na bomba de combustível, a S10 Executive transmite tranqüilidade: o modelo avaliado fez a boa média de 11,1 km/l com diesel. (por Fernando Miragaya)

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