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02/11/2007 - 15h15

Impressões ao dirigir: Rallye é um bom veterano

Da Auto Press
É inegável que a versão Rallye passa uma imagem moderninha e esportiva para o Volkswagen Gol, com máscaras negras nos faróis, soleiras, volante esportivo e aerofólio, entre outros detalhes estéticos. Mas ao se sentar no banco do motorista e virar a chave, a realidade veterana do hatch predomina. Principalmente por conta da posição baixa e torta de dirigir -- defeito crônico, mas que nunca atrapalhou as vendas.

Mas há o que desfrutar no Gol. O espertinho motor 1.6 de 103 cv (obtidos somente com álcool) garante uma performance que, se não é esportiva, também deixa muito compacto veterano para trás. As respostas às pisadas no pedal do acelerador são quase imediatas.

Aliado ao câmbio bem-escalonado (as primeiras três marchas têm relações curtas) e com engates curtos e macios, o Rallye tem arrancadas eficientes, e para sair da imobilidade e alcançar os 100 km/h foram necessários razoáveis 11,5 segundos.

Mas o fôlego começa a esmorecer a partir dessa velocidade. Depois dos 130 km/h, perde realmente o vigor. É preciso pé pesado e paciência para alcançar os 180 km/h de máxima. O problema de chegar a este ponto é que, muito antes, lá pelos 150 km/h, a frente do Gol já flutua bastante.

FICHA TÉCNICA
Motor: Álcool e gasolina, dianteiro, longitudinal, 1.596 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro. Comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 103 cv com álcool e 101 cv com gasolina a 5.750 rpm.
Torque máximo: 14,5 kgfm com álcool e 14,2 kgfm com gasolina a 3 mil rpm.
Diâmetro e curso: 81,0 mm X 77,4 mm. Taxa de compressão de 11,0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira interdependente, com braço longitudinal, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,93 metros de comprimento, 1,65 metro de largura, 1,45 metro de altura e 2,47 metros de entre-eixos.
Peso: 983 kg em ordem de marcha (440 kg de carga útil).
Porta-malas: 285 litros.
Tanque: 51 litros.
Volkswagen Gol Rallye 1.6
A sensação de perda de domínio sobre o veículo cresce na mesma proporção da velocidade. Melhor mesmo trabalhar em velocidades mais civilizadas. Com o motor acima dos 3.000 giros (o que dá algo como 100 km/h em 5ª marcha), o Gol garante boas retomadas de velocidade e ultrapassagens seguras. O desempenho em ladeiras também não deixa a desejar, e o compacto encara bem as subidas -- é claro, sabendo-se trabalhar a marcha e com rotações acima dos 3.000, quando o torque máximo de 14 kgfm está disponível.

Boa suspensão
O carrinho também se comporta bem na hora de encarar curvas de forma mais arisca. A suspensão bem calibrada faz o carro torcer quase nada nas curvas e praticamente grudar no chão. Bem acertada, elevada e com amortecedores reforçados, ela garante uma condução sem solavancos nas esburacadas ruas das grandes cidades brasileiras. Até porque, se sacudisse muito, os ocupantes de trás com mais de 1,75 m com certeza bateriam a cabeça no teto do carro, já que o espaço para a cabeça é bem restrito devido à curvatura na parte traseira do teto.

Essa altura limitada também dificulta o acesso ao veículo, juntamente com o vão das portas, igualmente restrito. No mais, o espaço para as pernas é até razoável, inclusive na frente. Aliás, o motorista conta com uma boa ergonomia, com a maioria dos comandos ao alcance das mãos e uma direção precisa, além do câmbio macio. A dirigibilidade só volta a ser comprometida nas visibilidades traseira e lateral, devido às colunas grossas e ao vidro traseiro de tamanho enxuto. Se para estacionar é ruim, para frear bruscamente é pior. O Gol travou as rodas, desviou a trajetória e cantou os pneus.

Na hora de abastecer, mais um susto. O modelo avaliado fez a média de 6,4 km/l com álcool. Muito gastador para um carro de recursos tão modestos. (por Fernando Miragaya)

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