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15/10/2007 - 14h47

Fábricas de carro tentam soprar fumaça da má fama ecológica

Da Auto Press
É verdade que o mundo industrial gerou inúmeras riquezas e benefícios. Mas são os danos colaterais que mais têm chamado a atenção da comunidade mundial. Principalmente os ambientais. Assim como no plano de convívio social o fumante já é execrado, no plano ecológico quem está na berlinda são os automóveis.

E boa parte dos danos já está feita, por máquinas que despejam uma infinidade de poluentes na atmosfera há mais de um século. Hoje, são apontados como um dos principais causadores do temível aquecimento global. Na condição de novos vilões da sociedade moderna, os fabricantes de veículos tentam desesperadamente passar uma imagem de ecologicamente corretos, e investem em projetos de automóveis que utilizem energias menos danosas ao meio ambiente. Além, é claro, dos crescentes investimentos em marketing ecológico.


Flávio Florido/UOL - set.07

O 62º Salão de Frankfurt, em setembro (na foto acima, protesto do grupo ecológico Greenpeace na entrada do evento), deixou clara essa preocupação institucional das fábricas de automóveis. Diversos híbridos (que combinam motor a combustão e outro elétrico) foram destaque no motorshow germânico. Isso sem contar as tecnologias com motores movidos a etanol e outros biocombustíveis. Tudo para evidenciar uma faceta ecologicamente responsável.

Ainda mais porque a Comunidade Européia já estabeleceu que, até 2012, todos os veículos produzidos devem emitir no máximo 120 g/km de dióxido de carbono. Atualmente, emitem 180 g/km, em média. "Não será simples. Por mais que tenha catalisador e injeção eletrônica, só é possível baixar a emissão a este nível com redução de consumo", calcula Jorge Mussi Filho, gerente de Treinamento Técnico da Volvo na Suécia.

Diminuição que pode ser obtida também por meio de energias alternativas, como usam os próprios híbridos -- que na Europa, Estados Unidos e Japão já existem de fato. Mas, assim como automóveis que usam biocombustíveis, os híbridos até minimizam os danos ambientais, mas continuam a emitir poluentes.

NOTAS DO AMBIENTE
A Nissan estima que metade de suas vendas em 2050 serão de carros puramente elétricos.
O Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), do Ministério do Meio Ambiente, que determina normas e limites de emissões dos automóveis fabricados no país, foi criado em 1986.
A bateria de um carro híbrido custa de 30% a 40% o valor do veículo.
Para cumprir as normas de emissões mais rígidas, como no estado da Califórnia, a Volvo desenvolveu um catalisador de três vias que diminui os principais gases poluentes do automóvel.
Em 1997, a Fiat foi condenada por "fraude ecológica" porque seus modelos Fiat Mille Eletronic e Mille ELX usavam um recurso eletrônico para enganar os sensores de medição de emissão de gases dos laboratórios da Cetesb, apesar de poluírem 20% mais que os níveis permitidos. A multa estabelecida pela Justiça foi de R$ 3,9 milhões.
Além disso, no momento são tecnologias restritas a países ricos, numa espécie de "apartheid ambiental", devido ao seu alto custo. Na Europa, por exemplo, os híbridos custam de 30% a 40% mais que as motorizações convencionais. "No Brasil, por exemplo, se você aumenta o preço de um carro em R$ 3.000 já gera um impacto negativo em vendas", compara Vicente Lorenzo, diretor da Powertrain, unidade de motores da General Motors.

Caro ou barato, esses modelos com pretensões ecológicas ajudam a limpar a imagem e a "consciência" das fabricantes. Assim como os diversos conceitos movidos por célula de combustível que as montadoras sempre fazem questão de destacar a cada salão internacional. Poucos protótipos, porém, chegam às lojas. E trata-se de uma das poucas fontes de energia realmente limpas no que diz respeito a automóveis.

"Empresas que têm as marcas atreladas a uma imagem negativa vão ter problemas lá na frente. Empresas pioneiras têm certas vantagens, mas correm mais riscos, como levantar a bandeira que o híbrido é a solução e descobrir lá na frente que o consumidor não está disposto a pagar", observa Fernando Menezes, gerente de comunicação da Nissan.

A questão dos custos, porém, não obrigatoriamente se torna um entrave para uma aplicação mais democrática de tecnologias limpas. "Todas as tecnologias inovadoras no passado se mostraram, num primeiro momento, inviáveis, como a injeção eletrônica. É esperar para ver", acredita Lorenzo, da Powertrain.

Para quem tem de controlar o que anda saindo do escapamento dos automóveis, porém, o segredo está na lei. Principalmente no Brasil. "A grande mola propulsora é a legislação. Isso ficou provado lá fora. Primeiro, o governo tem de ir na frente e colocar limites. A indústria vai seguir e acompanhar", sugere Renato Linke, coordenador da Comissão de Emissões de Veículos Leves da AEA e gerente de Engenharia e Certificação da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). (por Fernando Miragaya)

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