UOL Carros

05/10/2007 - 19h34

Honda CR-V migra da lama ao asfalto

Da Auto Press
Na maioria das vezes, a idéia de comprar um sport-utility e colocá-lo na terra não passa mesmo disso: uma idéia. A certeza da capacidade de se livrar de um lamaçal pode ser sedutora, mas as características mais valorizadas pelo mercado são as urbanas, como conforto, espaço interno, praticidade, estabilidade e beleza. E foram exatamente estas qualidades que a Honda exaltou na terceira geração do SUV médio CR-V, que passou a ser trazido ao Brasil em janeiro.

Nem a Honda esperava uma reação tão positiva: até setembro, emplacou 1.374 unidades. E a média, de 152 unidades mensais, poderia ser maior, pois a marca montou inicialmente um estoque de apenas 300 unidades. Tanto que nos dois últimos meses a média mensal subiu para quase 250 unidades. No ano passado inteiro foram 683 unidades.

O HONDA CR-V EM IMAGENS

Importado, o Honda CR-V custa cerca de R$ 123 mil; espaço e vocação urbana são atrações
MAIS FOTOS DO HONDA CR-V 2.0
Essa nova geração do CR-V foi lançada em outubro do ano passado, no Salão de Paris. E o design do utilitário segue a lógica futurista do Civic, carro com o qual divide a plataforma: faróis angulosos, volumes musculosos e linhas limpas e fluidas deixam o modelo explicitamente mais urbano. Ele perdeu até mesmo o "crachá" de off-road: o estepe pendurado na tampa traseira. Ainda que assuma a cidade como destino, o carro da Honda mantém algumas características razoavelmente aventureiras. Como a tração integral, batizada de "real time", que distribui permanentemente a potência entre as quatro rodas. Este sistema não dá ao CR-V um vigor radical, mas o transforma num modelo bem divertido.

Leia também: Impressões ao dirigir o Honda CR-V

Por outro lado, o assistente de estabilidade VAS (de Vehicle Stability Assist) mostra a intenção de manter o modelo bem agarrado ao asfalto. Talvez a melhor definição para esse carro, em vez de SUV, fosse SAV, de Sport Activity Vehicle, ou veículo para atividades esportivas -- usada pela BMW para designar o modelo X3.

FICHA TÉCNICA


Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, com bloco em liga de alumínio, 1.997 cc, comando simples no cabeçote com sistema de variação do tempo de abertura de válvulas i-VTEC, quatro cilindros em linha, 4 válvulas por cilindro, injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração integral com distribuição de potência variável.
Potência: 150 cv a 6.200 rpm.
Torque: 19,4 kgfm a 4.200 rpm.
Diâmetro e curso: 81 mm x 96,6 mm. Taxa de compressão: 10,5:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores e barra estabilizadora. Traseira independente com braços sobrepostos, molas helicoidais, amortecedores e barra estabilizadora. Sistema de assistência de estabilidade VAS.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos com ABS e EBD.
Carroceria: Utilitário-esportivo médio em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,52 metros, com 1,82 m de largura, 1,68 m de altura e 2,62 m entre-eixos.
Peso: 1.595 kg.
Porta-malas: 1.011 litros/2.064 litros (bancos traseiros rebatidos).
Tanque: 58 litros.
Honda CR-V 2.0 16V
O interior do CR-V, bem despojado, reforça esta idéia. Os materiais de revestimento são bem resistentes e laváveis. Há um bom porta-objetos entre os assentos dianteiros e dois porta-luvas e porta-mapas espaçosos nas portas. No console de teto, à frente da abertura do teto solar, há um porta-óculos cuja a tampa tem um espelho convexo, que permite visualizar a fileira de bancos de trás e é bastante útil para vigiar a criançada.

No porta-malas, há uma prateleira intermediária, e todos os bancos são apoiados numa estrutura tubular (como os de ônibus urbanos). Eles têm um bom vão entre assento e assoalho, que tanto facilita a limpeza como cria um espaço para pequenos pacotes dentro do habitáculo. Como é padrão nos modelos da Honda, o quadro de instrumentos tem função "blackout" -- é iluminado mesmo de dia.

O pacote de série inclui teto solar, rádio/CD com MP3, entrada para iPod e disqueteira para seis discos, ar-condicionado digital automático de duas zonas, airbags frontais, controle de cruzeiro controlado no volante multifuncional, freios ABS e EBD e controle eletrônico de estabilidade, além de direção elétrica, alarme, trio e imponentes rodas de alumínio aro 18.

Motor não muda
Sob o capô, o motor é o mesmo 2.0 litros 16V com comando de válvulas variável que já empurrava a geração anterior, com 150 cv de potência a 6.200 giros e 19,4 kgfm de torque máximo a 4.200 rpm. O câmbio automático, antes de quatro marchas, tem agora cinco relações e alavanca na base do console central (em vez de vir ao lado do painel, como na geração anterior).

A caixa tem ainda com o programa Grade Logic Control, que controla as trocas de acordo com a situação de rodagem, e com o modo Overdrive, acionado na manopla por meio do botão D3.

Vendido em versão única nas cores preto e prata, o Honda CR-V custa R$ 123 mil. Nessa faixa de preço, o SUV (ou SAV...) fica praticamente sem rivais diretos, disputando vendas com as versões top de modelos compactos, como o Hyundai Tucson GLS 2.7 litros V6 de 180 cv, vendido por R$ 135 mil, e com utilitários maiores, como o Toyota RAV4 2.4 litros e 170 cv, que sai por R$ 134.700, e o Land Rover Freelander II 3.2 litros e 233 cv, que começa em R$ 132 mil.

Ainda este ano, o modelo da Honda pode deixar de ser importado do Japão e passar a ser produzido no México, na fábrica onde hoje é feito o Accord. A partir daí, com um imposto de importação mais baixo, o CR-V é capaz até de ganhar novas versões. E um preço mais atraente. (por Eduardo Fonseca da Rocha e Diogo de Oliveira)

O HONDA CV-R EM DEZ PONTOS


Desempenho - A robustez do CR-V está presente no design mas também no propulsor 2.0 litros 16V de 150 cv. A boa disposição deixa o modelo bem divertido. A aceleração não é avassaladora, mas mostra o vigor do SUV e uma leve melhora, principalmente em função do câmbio de cinco marchas, em relação ao de quatro marchas da geração anterior. O zero a 100 km/h foi cumprido em 12,2 segundos e a retomada de 60 km/h a 100 km/h foi feita em 8,2 s. Os números anteriores eram de 12,4 s e 8,6 s, respectivamente. Isso num modelo com 1.595 kg e uma relação peso/potência comportada, de 10,6 kg/cv. Os bons 19,4 kgfm de torque máximo são liberados aos 4.200 giros e bastante otimizados pelo comando com sistema de variação do tempo de abertura das válvulas. Ainda assim, a reação ao acelerador é boa, sobretudo pelo ótimo trabalho do câmbio, que realiza as trocas de acordo com o estilo de direção do condutor para obter melhor rendimento. E as frenagens foram eficientes. Nota 8
Estabilidade - O CR-V sugere esportividade visualmente e cumpre quando em movimento. Os pneus cantam exageradamente nas curvas, ainda mais porque são de uso misto. Mas o modelo não solta nem frente nem traseira, no que é ajudado pelas rodas aro 18. É difícil até forçar o acionamento do controle de estabilidade -- quando acontece, uma luz no painel acusa o "fenômeno". A suspensão é até rígida. Por isso, o carro sequer aderna nas curvas, apesar de seus quase 1,80 m de altura. Em compensação, os passeios off-road ou em asfalto esburacado podem ficar mais trabalhosos, por exigir constantes correções de trajetória. Pelo menos a comunicação entre rodas e volante é precisa. Nota 9
Interatividade - Os comandos ficam bem posicionados e têm acesso fácil. A visibilidade é excelente, com ampla área envidraçada e espelhos retrovisores laterais altos e largos. O banco do motorista tem altura ajustável e o volante multifunção - também ajustável em altura e profundidade -- tem botões embutidos para o som e para o controle de cruzeiro. No painel de instrumentos, um pequenino display ao centro faz as vezes de computador de bordo, com dados como temperatura externa, autonomia e duas medidas para consumo médio e quilômetros rodados. As regulagens dos cintos e bancos são simples e a direção elétrica proporciona manobrabilidade leve e precisa. Mas um carro tão robusto merecia um sensor de obstáculos. Nota 8
Consumo - O CR-V fez média de 7,4 km/litros (trajeto 65% cidade e 35% estrada). Um modelo tão comportado deveria ir melhor. Nota 6
Conforto - Um dos maiores atrativos no CR-V é a abundância de espaço no habitáculo. Pernas, cabeças e ombros encontram sobras, por conta do 1,82 metro de largura do veículo e também do teto elevado. O isolamento acústico também merece elogios, já que abafa com eficiência o barulho do motor e ruídos externos. Já a suspensão é bastante firme e transmite as irregularidades para o interior. A ergonomia dos bancos é boa, mas os ajustes, por alavancas, são ineficientes. Nota 8
Tecnologia - Na parte mecânica, o motor 2.0 litros 16V do CR-V tem o comando de válvulas variável i-VTEC, que controla a abertura e o fechamento das válvulas de admissão do ar para melhorar a queima de combustível, o consumo e o desempenho. Para o conforto, ar digital de duas zonas, rádio/CD com MP3 e teto solar. Na parte de segurança, controle de estabilidade, duplo airbag frontal e freios ABS e EBD. A suspensão conta com o sistema de tração integral 4WD Real Time, que distribui o torque nas quatro rodas de acordo com as condições de rodagem da pista. De negativo, poucas bolsas infláveis e a falta de sensores de obstáculos e de monitor da pressão dos pneus. Nota 8
Habitabilidade - O espaço interno no CR-V é imenso, mas os atributos vão além da grande área interna. Há vasta quantidade de porta-objetos, todos os acessos são largos, a iluminação interna é bem distribuída e os cintos têm ajustes de altura para adultos e crianças. O porta-malas tem uma capacidade bastante generosa: 1.011 litros em posição normal e 2.064 litros com os bancos rebatidos. E ainda há uma prática prateleira, que permite organizar melhor os volumes. Nota 9
Acabamento - Não há bancos forrados em couro ou apliques de painel com material de luxo. Ou seja: o Honda CR-V tem acabamento correto, feito com materiais simples, como borrachas, tecidos e plástico, que buscam a praticidade e não o requinte. Mas as peças agradam aos olhos e ao toque, com encaixes e fechamentos precisos, sem rebarbas. Nota 7
Design - O estilo das linhas é o aspecto mais inovador e atraente da terceira geração do CR-V. O utilitário-esportivo está repleto de músculos e linhas ousadas, que deixaram o visual bastante agressivo. A saída da roda sobressalente da tampa da mala foi um ganho estético. Por dentro, o painel é bem clássico, com desenho mais limpo e moderno. Nota 9
Custo/benefício - O Honda CR-V é vendido atualmente por R$ 123 mil. É um pouco mais barato que concorrentes diretos, como Toyota RAV4, que sai por R$ 134.700, e Land Rover Freelander II, com preço inicial de R$132 mil. Por outro lado, é o menos potente deles e tem um volume de equipamentos menor -- só airbags frontais, por exemplo. Nota 7
Total - O Honda CR-V somou 79 pontos em 100. NOTA FINAL: 7,9

Compartilhe:

    Fale com UOL Carros

    SALOES