UOL Carros

18/09/2007 - 15h32

Montana tem vendas triplicadas com motor 1.4

Da Auto Press
A General Motors acertou em cheio quando reposicionou a picape Montana, no final de junho. Num país onde os campeões de vendas são os veículos simples e baratos, o modelo ganhou competitividade com o propulsor 1.4 flex. Depois de amargar um primeiro semestre de vendas tímidas, ficando em terceiro no ranking do segmento, a Montana desandou a vender.

Os números falam por si: a picape tinha média mensal de 1.033 unidades até junho, quando a versão com motor 1.4 litro chegou ao mercado. No mês seguinte, em julho, as vendas saltaram para 2.547 unidades. E, em agosto, fechou com nada menos que 3.520 modelos emplacados.

Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
Visual da Montana é o mais arrojado entre as picapes do segmento
MAIS FOTOS DA MONTANA
Tal crescimento é sustentado basicamente pelo baixo custo. Antes, com preço na faixa de R$ 37 mil, a Montana 1.8 era a mais cara dentre as pick-ups compactas à venda no país. Não à toa, o modelo ficava atrás da líder Fiat Strada e da Volkswagen Saveiro. Ambas tinham versões de entrada com preços mais atraentes, em torno de R$ 31 mil.

Com o motor 1.4, a Montana agora começa em R$ 29.755. A configuração básica ficou mais barata até que a quarta colocada Ford Courier 1.6 Flex, vendida por R$ 30.410. Já a Saveiro City 1.6 flex custa R$ 31.750 e a Fiat Strada Fire 1.4 flex sai por R$ 30.640.

Mesmo com direção assistida, a Montana ainda é mais em conta: custa R$ 31.687, enquanto os modelos equivalentes das rivais Saveiro, Strada e Courier saem por R$ 33.730, R$ 33.620 e R$ 32.350, respectivamente.

Com isso, o modelo da GM cresceu surpreendentemente em vendas e já é a segunda´picape compacta mais vendida do país. Com as 3.520 unidades emplacadas no último mês, desbancou a vice-líder Saveiro, que teve 2.541 unidades. A recém-lançada versão 1.4 litro, sozinha, somou 3.143 unidades (quase 90% do total), contra 347 da Montana 1.8 flex.

Tal ascensão, no entanto, se deve também a outros fatores. O principal é o interessante motor 1.4 flexfuel, herdado do sedã Prisma. A unidade de força, batizada pela GM de EconoFlex, contribuiu para a redução do custo da Montana, mas sem deixar de oferecer vigor à picape.

FICHA TÉCNICA
Motor: Gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.389 cc, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 105 cv com álcool e 99 cv com gasolina, a 6 mil rpm.
Torque máximo: 13,4 kgfm com álcool e 13,2 kgfm com gasolina, a 2.800 rpm.
Diâmetro e curso: 77,6 mm x 73,4 mm. Taxa de compressão: 12,4:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com viga de torção soldada com dois braços fundidos de controle, molas do tipo barril progressivas e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor.
Carroceria: Picape compacta com duas portas e dois lugares. 4,42 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,45 m de altura e 2,71 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.161 kg (com ar)
Caçamba: 1.143 litros até a borda da caçamba, com 735 kg de capacidade de carga.
Tanque: 52,5 litros.
Chevrolet Montana 1.4 Econo.Flex
São 105 cv de potência máxima com álcool e 99 cv com gasolina, disponíveis aos 6 mil giros, além de 13,4 kgfm de torque máximo com álcool e 13,2 kgfm com gasolina, liberados logo aos 2.800 giros. Números bem decentes para uma unidade de litragem 1.4.

Para obter tal rendimento, a GM promoveu algumas "singelas" modificações na engenharia do propulsor. A unidade ganhou acelerador eletrônico, coletor de admissão de plástico em substituição ao de alumínio e nova calibragem dos sistemas de admissão e escapamento -- para possibilitar um melhor fluxo de ar.

Já em relação à caixa de transmissão manual, a fábrica escolheu um diferencial 12% mais curto que o utilizado no Prisma, para buscar respostas mais ágeis nas trocas de marchas.

Retoques
No aspecto estético, a Montana ganhou apenas alguns retoques para justificar o fato de ser oferecida como modelo 2008 em meados de 2007. De significativo, a grade frontal do radiador passou a vir com uma barra cromada e o quadro de instrumentos recebeu novos grafismos.

Mas, mesmo com poucas novidades que saltem aos olhos, a picape compacta da GM ainda é a que tem o desenho mais arrojado e imponente do segmento. Há vincos por toda parte, com destaque para os dois grandes culotes que surgem dos pára-lamas traseiros.

Feita a partir da plataforma do Corsa de terceira geração (segunda no Brasil), a Montana tem a altura da caçamba mais elevada do segmento e uma cabine relativamente espaçosa. Por outro lado, a redução de preço acarretou no enxugamento dos itens de série. Direção hidráulica e ar-condicionado, antes oferecidos de fábrica na versão de entrada 1.8 flex, agora são opcionais: custam cerca de R$ 1.700 e R$ 3.500, respectivamente.

Mas, pela impressionante reação das vendas, parece que o consumidor brasileiro pouco se importa com isso. O preço inicial -- o famoso "a partir de" -- ainda comove muita gente. (Diogo de Oliveira)

A CHEVROLET MONTANA 1.4 EM DEZ PONTOS


Desempenho - É um dos aspectos mais interessantes na Chevrolet Montana. A moderna unidade de força 1.4 litro flex é ágil e estimulante, tanto nas acelerações quanto nas retomadas. São 105 cv de potência com álcool e 99 cv com gasolina despejados nas rodas dianteiras aos 6 mil giros e um torque máximo de 13,4 kgfm com o combustível vegetal e 13,2 kgfm com o fóssil, liberados logo às 2.800 rotações. Há uma "elasticidade" no motor que o permite trabalhar bem em regimes alto e baixo de giros. A pick-up vai de zero a 100 km/h em 12,5 segundos. Destaque ainda ao diferencial mais curto, com trocas mais ágeis. Nota 8
Estabilidade - A Montana torce um pouco nas curvas mais fechadas, o que é comum nas pick-ups compactas. Além disso, a suspensão traseira tem o curso mais longo para suportar carga na caçamba, o que também contribui para uma certa impressão de desequilíbrio. A sensação de flutuação efetivamente aparece a partir dos 130 km/h, mas não há desvio da trajetória nas frenagens em retas e a comunicação entre rodas e volante é ótima. Nota 7
Interatividade - A Montana tem todos os comandos de uso freqüente ao alcance das mãos, o que não chega a ser um grande diferencial. A versão de entrada Conquest traz um pacote bem básico de equipamentos. Itens como ar e direção hidráulica, por exemplo, são opcionais. Mas mesmo nas versões mais bem equipadas, todos os comandos são simples de operar, assim como as informações. O posicionamento mais ereto do motorista agrada, embora a regulagem de altura do banco seja parte de pacotes opcionais. De negativo, o câmbio é ligeiramente duro e impreciso. E o volante é um pouco torto, uma "herança" do antigo Corsa e do Chevette, o que compromete a ergonomia. Em compensação, o jogo de direção é bom. Nota 7
Consumo - O motor 1.4 litro se mostrou nivelado com a maioria dos propulsores flexíveis. Ou seja, levemente "beberrão", tanto com gasolina quanto com álcool. Num trajeto que incluiu um terço de trechos rodoviários e dois terços em perímetro urbano, as médias foram de 9,1 km/l com gasolina e 6,4 km/l com álcool. Nota 6
Conforto - Apesar de ser uma pick-up compacta, a Chevrolet Montana tem um espaço interno bastante razoável. Pernas e cabeças ficam bem acomodadas e a cabine com espaço um pouco mais generoso que o convencional das pick-ups possibilita também carregar pequenas bagagens no habitáculo - atrás dos bancos. Já o comportamento da suspensão agrada por absorver as imperfeições do solo, apesar do curso maior para suportar cargas. E o isolamento acústico não compromete, pois abafa bem o ronco do motor. Mas, para ter preço competitivo no segmento, a GM "cortou" muitos equipamentos antes oferecidos de série na pick-up - como direção hidráulica e ar-condicionado, que agora são parte de pacotes opcionais. Nota 7
Tecnologia - O motor 1.4 foi muito bem calibrado para a Montana e é o mais moderno entre os propulsores nacionais de mesma litragem. O chassi da pick-up também é o mais moderno da categoria. A versão de entrada Conquest vêm quase "vazia", sem equipamentos de entretenimento, conforto ou segurança. De fábrica, apenas alerta sonoro do farol aceso e vidros verdes. Nota 7
Habitabilidade - O habitáculo da Montana traz um pouco mais de espaço atrás dos bancos que as outras pick-ups do segmento. Ali cabem mochilas, bolsas e outros objetos do dia-a-dia. A caçamba também é ampla, com altura elevada e tem ótima capacidade de carga - leva até 735 kg, 30 a mais que os 705 kg de capacidade da Fiat Strada. No mais, há porta-objetos e os acessos são de bom tamanho. Nota 7
Acabamento - A Montana 1.4 tem como proposta levar cargas, e não tem luxo ou materiais nobres no interior. É bem simples e traz somente plástico e tecidos por dentro. Mas texturas e forração são agradáveis aos olhos e ao toque, com bons fechamentos e encaixes. Nota 7
Design - O desenho da Montana se destaca no segmento de pick-ups compactas. O modelo é agressivo e robusto ao mesmo tempo, característica que se torna um grande atrativo para, já que as concorrentes têm estilos mais comportados e datados. Além disso, foi lançada em 2003 e é a pick-up mais moderna do nicho. Seus cortes e vincos traduzem a identidade mais moderna da Chevrolet. Nota 8
Custo/benefício - Por R$ 29.755, a Chevrolet Montana Conquest com o motor 1.4 se tornou a pick-up compacta mais barata no mercado brasileiro, sem deixar de oferecer razoável potência. Mesmo a versão equipada com direção hidráulica tem preço mais interessante que o das concorrentes: sai por R$ 31.687. Os modelos equivalentes das rivais Fiat Strada Trekking 1.4 flex, Volkswagen Saveiro 1.6 flex e a Ford Courier 1.6 flex custam R$ 33.620, R$ 33.730 e R$ 32.350. Nota 8
Total - A Montana 1.4 flex somou 72 pontos em 100. NOTA FINAL: 7,2

Compartilhe:

    Fale com UOL Carros

    SALOES