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07/09/2007 - 19h00

Peugeot 206 SW automática não pára nas lojas

Da Auto Press
Por muito tempo, câmbio automático no Brasil foi coisa de rico. Só era oferecido em modelos de luxo. Mas, desde a virada do milênio, a transmissão automática tem ficado mais popular. Hoje, quase todos os modelos médios já oferecem o recurso, assim como o pequeno Honda Fit. E agora foi a Peugeot quem decidiu estender a moda a seus compactos. A iniciativa agregou às linhas 206 e 206 SW uma imagem de tecnologia e um certo grau de requinte.

E esta "exclusividade" está sendo reconhecida pelo mercado: a marca francesa tem vendido sistematicamente toda a produção de seus compactos na versão automática. O 206 SW representa 15% do total comercializado (média de 250 unidades/mês), mas a Peugeot já pensa em aumentar para 25% o mix de stations automáticas que saem das linhas de Porto Real, no Rio de Janeiro.

FICHA TÉCNICA
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
Motor: A gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.587 cc, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindros, duplo comando no cabeçote. Injeção e acelerador eletrônicos.
Transmissão: Câmbio automático de quatro marchas à frente e uma a ré com modo seqüencial manual. Tração dianteira.
Potência máxima: 113 cv com álcool e 110 cv com gasolina a 5.600 rpm.
Torque máximo: 15,5 kgfm com álcool e 14,2 kgfm com gasolina a 4.000 rpm.
Diâmetro e curso: 78,5 mm X 82 mm. Taxa de compressão de 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos integrados. Traseira independente com barras de torção transversais, amortecedores hidráulicos semi-horizontais, dois braços estabilizadores e barra estabilizadora.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás, com ABS e EBD.
Carroceria: Station wagon compacta em monobloco com quatro portas e cinco lugares. 4,02 metros de comprimento, 1,66 m de largura, 1,48 m de altura e 2,44 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.148 kg em ordem de marcha.
Porta-malas: 313 litros/1.136 litros com os bancos traseiros rebatidos.
Tanque de combustível: 50 litros.
Preço: R$ 53,9 mil (sem opcionais)
Peugeot 206 SW 1.6 Flex Automatic
O 206 SW ganhou o mesmo câmbio Tiptronic que equipa outros modelos feitos pela holding PSA Peugeot Citroën no Mercosul, como 307, Xsara Picasso e C4 Pallas. Trata-se de uma transmissão de quatro velocidades com opção seqüencial. Além disso, o câmbio conta com seleção de modo esporte por meio de uma tecla "S", quando o motor começa a trabalhar em regimes mais altos de rotação.

Há também o botão com o desenho de floco de neve que aciona o sistema antipatinação para situações onde o carro enfrente pisos mais escorregadios e de baixa aderência.

A transmissão tem um sistema eletrônico inteligente, que "aprende" o modo de dirigir do motorista. Ao mesmo tempo, conta com um conversor de torque pilotado. Esse dispositivo possibilita a ação do freio motor e ajuda o carro a trabalhar com a rotação do motor e a velocidade do veículo em níveis compatíveis.

Tudo isso trabalha em conjunto com o conhecido propulsor 1.6 16V flex-fuel. Com 100% de álcool no tanque, ele gera uma potência de 113 cv a 5.600 giros e um torque máximo de 15,5 kgfm disponíveis em 4.000 rotações. Apenas com gasolina, a potência fica em 110 cv e o torque chega a 14,2 kgfm.

Interior modificado
A adoção do câmbio automático implicou em algumas mudanças na estética interior da 206 SW. A versão da perua conta com quadro de instrumentos diferenciado. As molduras são cromadas e os mostradores têm fundo preto. Além disso, ganhou um espaço que indica qual marcha está engatada. Com isso, o marcador de temperatura foi transferido para o espaço onde fica o velocímetro.

Já o console com a manopla do câmbio é cromado e o banco recebeu novo revestimento em tecido. Por fora, a configuração Automatic da 206 SW conta com rodas de liga leve, antena externa mais curta, além de maçanetas, frisos, retrovisores externos e pára-choques na cor da carroceria.

Baseada na versão mecânica top Féline, a 206 SW Automatic é a mais completa da linha. Conta com itens de conforto indispensáveis para uma configuração top, como ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, regulagens de altura do banco do motorista e do volante e computador de bordo. Recebe como equipamento de segurança ABS e retrovisor do motorista bipartido.

Há ainda "mimos" como sensor de chuva, acendimento automático e sistema follow-me de faróis e limpador do vidro traseiro vinculado à ré. De opcionais, apenas a pintura metálica. Rádio/CD player e o comando no volante para som só são oferecidos como acessório de concessionária. Já o airbag frontal duplo, só por encomenda direta à fábrica. Além da espera, o equipamento custa entre R$ 3.500 e R$ 4.000.

Sem nenhum opcional, nem pintura metálica, a 206 SW Automatic sai por R$ 53,9 mil. Ou seja: R$ 4.500 a mais que a configuração Féline, que não conta com câmbio automático. Mas como não tem concorrentes no mercado, a Peugeot reina tranqüila. Ainda mais porque nem Fiat nem Volkswagen parecem dispostas a instalar tão cedo transmissões automáticas em suas stations compactas. (Fernando Miragaya)

PEUGEOT 206 SW AUTOMATIC EM DEZ PONTOS


Desempenho - O câmbio automático "casou" muito bem com a 206 SW. Ainda mais porque, na versão manual, os engates deixam a desejar. As acelerações são boas e as retomadas, que costumam ser críticas em transmissões automáticas de quatro velocidades, são eficientes. O motor entrega um bom torque já a partir dos 3 mil giros e o carro "decide" rápido que marcha engatar, mesmo em subidas ou situações de ultrapassagens. Os delays nas passagens são pequenos e as freadas são eficientes - ajudadas pelo ABS. Nota 9
Estabilidade - A station compacta se comporta bem em curvas de baixa velocidade. Mesmo quando forçada, a carroceria torce pouco. O ABS garante equilíbrio nas freadas bruscas e a perua em nenhum momento sai da trajetória. A estabilidade em retas só é comprometida acima dos 150 km/h, quando surge uma sensação de flutuação. Já as rodas atendem prontamente aos comandos do volante. Nota 7
Interatividade - A direção é suave e precisa, a visualização do painel é boa e o computador traz uma interessante gama de informações. Além disso, a versão Automatic oferece regulagens de altura e profundidade do banco e da coluna de direção. Em contrapartida, as grossas colunas centrais atrapalham a visibilidade do motorista nos cruzamentos, assim como as colunas traseiras gordinhas comprometem na hora de estacionar a 206 SW. A ergonomia também é falha na perua. Os comandos dos vidros elétricos, por exemplo, são malposicionados, no console central. Nota 6
Consumo - Com 100% de álcool no tanque, até que a 206 SW Automatic não deu sustos. Fez a média de 7,8 km/l, razoável já que se trata de um carro automático e flex. Nota 7
Conforto - A Peugeot 206 SW tem uma recalibragem de suspensão mais interessante que a da versão hatch, mas continua deixando a desejar. Tem uma rigidez mais apropriada para as "autoroutes" francesas do que para as esburacadas autoestradas brasileiras. As irregularidades da pista são transferidas em sacolejos incômodos, principalmente para os ocupantes de trás. O espaço para pernas é razoável e o teto baixo compromete o espaço para a cabeça. O isolamento acústico do motor, pelo menos, é satisfatório. Nota 6
Tecnologia - Na Europa, o 206 já vai dando lugar ao sucessor 207. A plataforma, portanto, não é um primor de modernidade - já tem nove anos de mercado europeu. O modelo oferece uma boa gama de equipamentos de conforto, que inclui mimos como sensores de chuva e luminosidade, além de uma transmissão automática bem trabalhada e moderna. Entre os itens de segurança, o ABS de série. Já os airbags, estranhamente, só sob encomenda. Nota 8
Habitabilidade - Os acessos à station só são comprometidos pela baixa altura do modelo. O número de porta-objetos dentro do habitáculo é apenas regular e a capacidade do porta-malas é a menor do segmento. Há luzes de leitura na frente e atrás, o que confere uma boa iluminação interna. Cintos e tampas são bem ajustados e finalizados. Nota 7
Acabamento - A 206 SW Automatic é baseada na configuração top Feline, que tem como um dos destaques o acabamento. Encaixes e fechamentos são precisos, não há sinais de rebarbas e os materiais empregados são agradáveis ao toque e ao visual. Nota 8
Design - Apesar de usar a frente do 206 que desde 1998 é vendido na Europa, a versão SW ainda apresenta certa modernidade. As linhas são harmônicas e conferem um certo arrojo. Só que na Europa já há o 207, sucessor da linha. A Peugeot está para fazer alterações no 206 no ano que vem, mas não se sabe se vai começar a fabricar o 207 - que usa a mesma plataforma do C3 em Porto Real - ou reestilizar o 206. Nota 7
Custo/benefício - A versão automática da station sai por R$ 53.900 com um interessante pacote de equipamentos. Os R$ 4.500 a mais que a configuração Feline servem para pagar a transmissão automática que, sem dúvida, é um diferencial nesse segmento. Trata-se da única perua compacta do mercado a contar com o câmbio automático. Nota 7
Total - A 206 SW Automatic somou 72 pontos em 100. Média: 7,2
IMPRESSÕES: 206 SW TEM BOM "DRIVE"

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