UOL Carros

03/09/2007 - 14h52

Cactus, o 'carro-cidadão' da Citroën, faz 30 km/l

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
A Citroën vai mostrar no Salão de Frankfurt, que abre na semana que vem na Alemanha, um carro-conceito que ela apresenta como "ecológico", "essencial", "esperto" e "cidadão".

O nome do veículo é C-Cactus, uma referência à planta do deserto que consome água parcimoniosamente, devido à escassez do líquido em seu ambiente.

A analogia, claro, é com outra escassez, essa em escala global: a de combustíveis. Daí a graça do nome: segundo a fábrica, o C-Cactus é capaz de rodar quase 30 km com um litro de combustível (mais exatamente, 29,4 km/l). As emissões poluentes são muito baixas: 78 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado. Para comparar, um C3 francês emite 120 g/km.

A motorização do Cactus é híbrida (eletricidade + combustível, que, no caso, é o diesel). Ao contrário do que sugerem as imagens divulgadas pela Citroën, ele é um carro médio, com 4,2 metros de comprimento (exatamente o tamanho de um VW Golf).

NO MÍNIMO, O CACTUS
Divulgação
O painel some, e os instrumentos se espalham pelo console e volante
Divulgação
Peças da dianteira são "repetidas" na traseira: economia na produção
MAIS FOTOS DO CACTUS
A fábrica anuncia que a intenção é baratear a eventual produção do carro, e que, para isso, tomou algumas medidas: simplificou "ao extremo" (palavras da Citroën) alguns mecanismos ou peças; agrupou várias funções dentro de uma única peça; eliminou tudo que não era essencial ao funcionamento do veículo ou ao bem-estar e à segurança dos passageiros.

Um exemplo é a extinção pura e simples do painel de instrumentos (nos modelos "normais" da Citroën ele já era minimalista, aliás). Tudo foi pulverizado pelo console central e o cubo do volante.

Outras soluções estão na carroceria do Cactus e na montagem dela. A peça que engloba os faróis e o logo da Citroën na dianteira é produzida no mesmo molde da peça traseira que contém as lanternas. Já os painéis das portas têm duas peças -- segundo a fábrica, um sedã tradicional precisa de 12 peças. No total, são 200 peças no interior do Cactus, contra cerca de 400 de um sedã tradicional.

Ou seja, haveria uma tremenda economia de máquinas na produção em série do Cactus.

Mais radical é a eliminação de mecanismos de abertura dos vidros: segundo a fábrica, a climatização do interior tornou supérfluo o gesto de abrir a janela do carro.

Deslize
O design diferenciado do Cactus não esconde alguns deslizes. O maior deles são os motivos em forma de flores, vegetais e borboletas que se repetem em elementos do espaço interno -- que, segundo a Citroën, num incrível toque naïf na apresentação do carro, simbolizam o "meio ambiente, a pureza e o bem-estar".

O C-Cactus, como dito, é um carro-conceito. Sua apresentação em Frankfurt vai ao encontro da pegada "ecológica" do evento, que terá vários modelos híbridos em destaque. Mas não há data para que o carro passe a ser produzido de verdade.

O preço, de acordo com a Citroën, seria o da versão mais barata de um C4. Se a referência é ao Pallas, que está chegando este mês às lojas do Brasil, esse valor fica em torno de R$ 65 mil.

Compartilhe:

    Fale com UOL Carros

    SALOES