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31/08/2007 - 20h00

Com cara de 'tiozão', Sentra S sobe nas vendas

Da Auto Press
A Nissan percebeu que a vida é dura entre os sedãs médios no Brasil. Lançou em abril a nova geração do Sentra com a expectativa de vendas de 700 unidades/mês. Não é muito. Representa menos de 6% num nicho que tem vendido por volta de 12,5 mil unidades mensalmente. Só que é também um segmento onde figuram modelos tradicionais e com muito mais tempo de mercado.

IMAGENS DO SENTRA S
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
E então, o carro da Nissan tem ou não tem a tal cara de 'tiozão'?
MAIS FOTOS DO SENTRA S
Por isso, não dá para a marca japonesa ficar insatisfeita com o desempenho do modelo fabricado no México, que tem emplacado 550 unidades por mês. É um número próximo ao obtido por rivais como Renault Mégane e Peugeot 307, que chegam a 600 carros mensais, e só fica bem atrás mesmo de pesos-pesados como Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Vectra, que superam as 2.000 vendas todos os meses.

Das 2.185 unidades vendidas entre abril e julho, nada menos que 48% foram da versão intermediária S; a básica respondeu por 37%, e a top, SL, por 15%. Ao preço de R$ 63,5 mil na versão com câmbio mecânico, o Sentra S consegue juntar um bom recheio e um preço competitivo e tem a função de tentar seduzir consumidores da versão básica do Civic e de versões intermediárias de Corolla, Vectra, 307 sedã e Mégane.

FICHA TÉCNICA
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.997 cc, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote, controle de abertura e fechamento de válvulas continuamente variável. Bloco e cabeçote em alumínio, injeção e acelerador eletrônicos.
Transmissão: Câmbio manual de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência: 142 cv a 5.500 rpm.
Torque: 20,3 kgfm a 4.800 rpm.
Diâmetro e curso: 84 mm x 90,1 mm. Taxa de compressão: 9,7:1
Carroceria: Sedã médio em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,56 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,51 m de altura e 2,68 m de distância entre-eixos.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira em eixo de torção, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor na traseira. Sistemas ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Porta-malas: 371 litros.
Peso: 1.305 kg com 411 kg de carga útil.
Tanque de combustível: 55 litros
Nissan Sentra S 2.0 16V
Pelo menos a potência do único propulsor disponível para o modelo da Nissan no Brasil (um 2.0 16 válvulas) supera a dos principais rivais. Por outro lado, a ausência de tecnologia flex pode ser um obstáculo para as ambições do três volumes da marca japonesa. Mas trata-se de um propulsor moderno, com bloco e cabeçotes em alumínio. E que ainda conta com um comando variável de válvulas, que foi traduzido numa sigla exagerada: CVVTCS.

Esta unidade de força trabalha com um eficiente câmbio manual de seis marchas e gera 142 cv de potência a 5.500 rpm. O torque é de 20,3 kgfm disponível aos 4.800 giros, mas fica a 90% do máximo a partir de 2.400 giros.

Conforto e segurança
A estratégica posição intermediária do Sentra S encontra correspondência no nível dos equipamentos. A versão S conta com itens indispensáveis nesse segmento, como ar-condicionado, direção elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos, computador de bordo, controle de cruzeiro, rádio com CD player, MP3 e disqueteira para seis discos e regulagens de altura do banco do motorista e do volante.

No quesito segurança, incorpora freios com ABS e EBD, airbag duplo frontal. Mas tudo isso representa apenas um dever de casa bem-feito. Todos os rivais diretos oferecem os mesmos equipamentos.

Outro fator que tem bastante importância é a aparência. Por esta razão, o Sentra S é bem "emperiquitado", com rodas de liga leve aro 16, faróis de neblina, retrovisores na cor da carroceria e moldura cromada do quadro de instrumentos.

Como é trazido do México, a logística impõe limitações na variação de recursos. Daí a lista de opcionais mínima: apenas câmbio automático CVT e pintura metálica. Completo, o Sentra S chega aos R$ 69.390. Para um recheio mais polpudo -- com airbags laterais e de cortina, teto solar e bancos de couro --, é preciso recorrer à versão top, SL 2.0, que custa R$ 81.700 com câmbio CVT.

Tem cara de 'tiozão'
O desenho, é verdade, não foge tanto a um estilo bem sênior, algo que a publicidade do modelo tenta negar (cantando "não tem cara de tiozão") e empurrar para os concorrentes. O jeito volumoso, musculoso e sóbrio, com faróis verticalizados, que lembram os do Ford Fusion, visa muito mais agradar aos norte-americano (objetivo principal da produção do Sentra no México). Ainda assim, não deixou de seduzir um bom número de "tiozões" brasileiros. (Fernando Miragaya)

O SENTRA S EM DEZ PONTOS


Desempenho - Os 147 cv do motor do Nissan Sentra garantem um desempenho bem interessante ao modelo. As respostas ao pedal do acelerador são ágeis e se traduzem em acelerações eficientes. De zero a 100 km/h, por exemplo, foi possível fazer em 9,9 segundos. O escalonamento do câmbio de seis marchas e o comando variável de abertura e fechamento das válvulas também ajudam na tarefa. O torque de 20,3 kgfm só disponível em altas rotações - 4.800 giros -, porém, compromete as retomadas, principalmente em sexta marcha - que é, na verdade, uma marcha só de economia. De 60 km/h a 100 km/h foram necessários 13,1 s. O ABS e EBD sustentam frenagens comportadas. Uma desvantagem é não ter motorização flex. Nota 7.
Estabilidade - A suspensão do sedã conta com barras estabilizadoras na frente e atrás, o que ajuda no bom comportamento em curvas. A estabilidade em retas também é digna de elogios. Acima dos 170 km/h aparece uma leve sensação de flutuação. Nas frenagens bruscas, o ABS e EBD dão seu recado e o carro não sai da trajetória. Nota 8.
Interatividade - A visualização do painel do Sentra é boa, mas o mesmo não se pode dizer do computador de bordo. O visor está disposto no console central, numa tela recuada de coloração âmbar, e os números são pequenos. Os comandos no volante facilitam a vida do motorista e a posição de dirigir é favorecida pelas regulagens do banco e da coluna de direção e pela suave direção elétrica. A traseira elevada, o vidro diminuto de trás e a ausência de sensor de estacionamento, no entanto, complicam na hora de estacionar. Agora, difícil de entender mesmo são os retrovisores externos que não rebatem. Isso também dificulta na hora de entrar em garagens apertadas e vira "alvo" fácil para eventuais motoqueiros, que andam nos corredores de trânsito. Outra falha é o pára-sol, que, quando abaixado, cobre quase toda a visão do motorista. O câmbio tem engates precisos, macios e curtos, mas o pedal da embreagem é mais duro que o desejável. Nota 6.
Consumo - Fez uma boa média de 9,1 km/l com gasolina. Nota 8.
Conforto - A suspensão bem acertada se traduz em conforto para os passageiros, já que as buraqueiras das ruas brasileiras não se refletem em solavancos no habitáculo. O espaço para pernas é bom para todos os ocupantes, mas o teto curvo compromete o vão para a cabeça para quem vai atrás. O isolamento acústico do motor é eficiente. Nota 7.
Tecnologia - O modelo dispõe de uma plataforma nova e de um motor moderno, com bloco e cabeçote em alumínio, comando variável de válvulas na admissão e no escape e acelerador eletrônico. Entre os itens de segurança, freios com ABS e EBD e airbag duplo. Há também uma eficiente direção elétrica e computador de bordo. As ausências sentidas são do sensor de estacionamento e de controles de estabilidade e tração, que não são oferecidos nem como opcionais. Nota 8.
Habitabilidade - O porta-malas de 371 l perde para muitos sedãs compactos, mas tem divisória que oculta a bagagem. A iluminação interna é eficiente, há boa quantidade de porta-objetos, cintos e tampas bem ajustados e acessos facilitados pelo bom vão das portas. Nota 8.
Acabamento - O acabamento interno do Sentra S pode não agradar em termos estéticos, mas aparenta qualidade. Os materiais usados nos painéis e forrações são suaves ao toque e aprazíveis aos olhos. Não há sinais de rebarbas e os encaixes e fechamentos são precisos. Nota 8.
Design - Embora a Nissan insista em afastar a imagem de "carro de tiozão", o Sentra tem um design um tanto conservador, com teto em parábola, traseira alta e faróis verticais parecidos com os do Ford Fusion, que dão ao conjunto um aspecto abrutalhado, mas sóbrio. Por dentro, o design tenta ser mais moderninho, mas é lugar-comum. Nota 7.
Custo/benefício - O Sentra S custa R$ 63,5 mil e fica na mesma faixa de preço de seus rivais. O Corolla XE-i custa R$ 63.944, o Civic LXS parte dos R$ 62.860, o Mégane Dynamique 2.0 16V tem preço de R$ 63.890 e o Vectra Elegance sai por R$ 63.614. Nota 7.
Total - O Nissan Sentra S somou 74 pontos em 100 possíveis.
Nota final - O carro fica com 7,4

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