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28/08/2007 - 18h44

GPS deve virar "de fábrica" no próximo ano

Arionauro/Carta Z Notícias



Da Auto Press

A recente resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) que libera o uso do GPS com mapas exibidos com o veículo em movimento abre novas perspectivas para a navegação automotiva. Agora, o equipamento pode ser instalado no painel dos veículos. Com isso, fabricantes dos aparelhos estão em negociações com diferentes montadoras para fornecerem o equipamento. A perspectiva é de que os dispositivos "de fábrica" comecem a surgir no segundo semestre de 2008.

A demora é justificada pela complexidade da implantação do equipamento. "As montadoras fazem uma série de especificações, exigências e testes, o que demanda um tempo razoável", argumenta Valdir Souza, diretor-adjunto de Vendas e Marketing da Delphi.

Robson Ventura/Folha Imagem
Por ainda não virem de fábrica, GPS são presos ao vidro com ventosa
Ao mesmo tempo, o GPS portátil começa a se popularizar. Em um mercado ainda embrionário (teve início no ano passado) já foram vendidas 30 mil aparelhos. A expectativa para este ano é totalizar 50 mil unidades e, para 2008, espera-se mais de 100 mil. "A tendência é de crescimento constante, porque as pessoas estão tomando conhecimento dessa tecnologia", torce Ricardo Rocha, responsável pelo Business Telemática da Magneti Marelli. "Está cada dia mais 'individual', mas muitas cidades ainda não estão mapeadas", ressalta Jorge Checkley, diretor de Peças e Acessórios da Citroën.

A popularização do GPS tem efeitos no próprio mapeamento. Em outubro de 2006, apenas Rio de Janeiro e São Paulo tinham suas ruas rastreadas. Já a próxima atualização da Navtek, uma das duas empresas que fazem o serviço de mapeamento no país, vai reunir 74 cidades em nove Estados. "Na edição seguinte a previsão é de 110 municípios. A expansão é bastante veloz", afirma Helder de Azevedo, diretor geral da Navtek.

CURIOSIDADES DO GPS
GPS é a sigla para Global Positioning System, ou sistema de posicionamento global.
O sistema via satélite é controlado pelo governo dos Estados Unidos, que libera o sinal para outras regiões.
A Delphi vai lançar no Salão de Frankfurt, que começa dia 13 de setembro, um navegador integrado à tevê digital.
No ano passado, foram vendidos 1 milhão de aparelhos GPS nos Estados Unidos. No Japão foram 5 milhões.
No próximo mês a Mobimax lança uma nova geração de seu GPS com novo suporte de ventosa mais rígido, maior capacidade de memória, tela de alta sensibilidade, antena embutida e com possibilidade de embutir no painel do carro.
A Ituran oferece um serviço de autobusca pela Internet, onde o usuário ou o frotista podem monitorar seus veículos.
O mapeamento das ruas feito pela Navtek reúne geógrafos e cartógrafos que percorrem as ruas de carro para aprimorar os detalhes dos mapas.
No rastro do crescimento do setor, preços mais acessíveis. No início, um navegador via satélite não saía por menos de R$ 2.000. Hoje já há aparelhos no mercado que custam R$ 1.600. E não só o preço direto serve como chamariz para novos consumidores: carros com navegadores e rastreadores se refletem em apólices de seguro mais baratas.

"O custo vem caindo bastante, e o GPS vai seguir o mesmo caminho do celular. Até porque é fator de redução de custo de seguro", acredita Pedro Coli, responsável pelo Marketing da Ituran. O próprio mercado de telefonia móvel segue esses passos. Tanto que a Nokia lançou o modelo de aparelho N95 com funções de navegação, como um GPS portátil.

Mais interação
Só que para manter o mercado constantemente aquecido as empresas já articulam uma interação e ampliação de serviços. A Airis acaba de lançar um GPS com mais de mil cidades cadastradas, guias de serviços, mapas em 2D e 3D, comandos de voz em 27 idiomas e compatibilidade com MP3 e telefone celular. Navegadores compatíveis com telefonia via Bluetooth, DVDs, CD, MP3 logo se tornarão lugar-comum com a expansão dos GPS embutidos.

Mas a tecnologia "de fábrica" também vai possibilitar hábitos que muitos imaginavam possíveis apenas em filmes futuristas. Em caso de uma colisão por exemplo, o GPS atua em conjunto com o airbag do carro para poder acionar os serviços de emergência de uma estrada. E não será de espantar se daqui a alguns anos o motorista puder ver qual filme está sendo exibido em determinado cinema ou ainda reservar uma mesa em um restaurante de sua preferência. Tudo sem sair do carro e usando como intermediário o GPS.

Realidade mais palpável ficará por conta do monitoramento do trânsito. Muitos navegadores já possuem entrada para o serviço que vai indicar quais vias estão engarrafadas e quais têm um fluxo de veículos melhor em tempo real, tal como existe na Europa. Resta às autoridades daqui liberarem o sinal. "Quando existir o sinal, será uma mão na roda. Acho que até 2009 teremos esse serviço disponível", acredita Mario Wagner Okno, diretor da Mobimax. (Fernando Miragaya)

UM BIG BROTHER AUTOMOTIVO
Outra resolução do Contran também faz as empresas de navegadores comemorar. O órgão tornou obrigatória a implantação de rastreadores em todos os veículos fabricados no Brasil a partir de 2009. Com isso, as fabricantes do dispositivo vislumbram vacas gordas para os próximos 24 meses. "Essa resolução, obviamente, é ótima, pois vai gerar mais volume. Mas também porque teremos diversos tipos de controle, não só de roubo", acredita Ricardo Rocha, da Magneti Marelli.

Ou seja, os rastreadores também vão integrar diversos serviços online. Principalmente para frotistas. Dados de consumo instantâneo, eventuais colisões, tempo percorrido poderão ser obtidos em tempo real. "A empresa que desenvolver um rastreador simplesmente para rastrear estará pensando pequeno. Há uma possibilidade de vários serviços além da segurança", avisa Jorge Bau, presidente da Sascar.

Mas há quem acredite que as intenções do governo, através da resolução, são outras. Afinal, com os rastreadores, será possível saber onde e como está rodando aquele motorista inadimplente. "O governo vai poder achar quem está em dívida com taxas e impostos sobre carros", profetiza Ricardo Rocha.

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