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17/08/2007 - 20h05

Só preço ainda segura carro 2 portas no mercado

Da Auto Press
Foi-se o tempo em que carro quatro portas era exclusivo de táxis ou de segmentos de luxo. Hoje em dia, 85% dos modelos vendidos no Brasil possuem acessos traseiros, além dos dianteiros. Uma peculiaridade que transformou o mercado e as ruas brasileiras.

Atualmente, além de algumas versões de carros importados com pretensões esportivas, só hatchs compactos de entrada têm duas portas. Sedãs e stations feitos no Brasil não contam mais com versões duas portas. E quanto mais sobe o nível do segmento, mais rara é essa configuração.

Hoje, a principal função dos modelos de duas portas é a de chamariz, para atrair o consumidor que busca um primeiro carro o mais barato possível, ou o frotista que procura economia em escala.

A questão do preço fica evidente nos compactos mais baratos. O Chevrolet Celta, por exemplo, é o único carro nacional que vendeu no acumulado do ano mais modelos duas portas do que quatro portas: 36 mil contra 32 mil unidades. A diferença de preço entre os dois é de aproximadamente R$ 1.500, cerca de 5% do valor do carro.

ALGUNS RESISTENTES
Divulgação
O Uno Mille, muito procurado por frotistas, vende bem na versão com duas portas
Divulgação
O Palio 1.8R segue a tendência dos esportivos e têm só dois acessos
Divulgação
O Celta tem uma versão de entrada com duas portas, o que reflete no preço menor
Já o Fiat Uno Mille tem uma grande vendagem de modelos sem as portas traseiras, 30 mil no ano, enquanto a outra configuração entregou 43 mil entre janeiro e julho. E, conforme o compacto vai ficando mais caro, menor a incidência de modelos duas portas. Das vendas totais do Volkswagen Fox no ano, por exemplo, apenas 20% são duas portas.

"O modelo de duas portas ainda é consumido pelo jovem, que usa o carro praticamente sozinho, que quer uma porta ampla para poder entrar", acredita o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.

Modelos com apelo esportivo também mantêm suas peculiaridades. O Citroën C4 VTR importado da França, por exemplo, só chega com duas portas. O Volkswagen Polo GTi, trazido da Alemanha, também só com duas portas. E depois do face-lift feito no Palio, a Fiat optou por ressuscitar o modelo com acessos só na frente na versão 1.8R.

Mas a questão do arrojo está longe de ser regra. Modelos como o Volkswagen Golf GTI e o Honda Civic Si, apesar da proposta verdadeiramente esportiva, só dispõem de quatro portas. O volume de vendas restrito dos modelos também não contribuiria para uma outra versão.

"Chegou-se a pensar no Si duas portas, mas há o complicador volume. São 120 unidades/mês, o que não justifica desenvolver uma outra estrutura e moldes de estamparia diferentes para essa quantidade", reconhece Alberto Pescumo, gerente geral comercial de automóveis da Honda.

Tanto que no segmento dos médios para cima, a proporção de modelos duas portas é ainda menor. Nada menos que 95% dos modelos dos nichos superiores têm portas traseiras. Chevrolet Astra, lançado apenas na versão duas portas, hoje só existe com quatro portas. Entre os modelos que têm um perfil mais familiar, então, carro duas portas não existem.

"CARRO DE BANDIDO"
Os automóveis de quatro portas carregaram muitos estigmas até a década de 80. Além do preconceito de que era veículo para servir como táxi, era comum as pessoas tacharem tal configuração de carroceria como "carro de bandido", já que agilizaria a ação de malfeitores.
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Trava destravou
Sedãs, stations wagons e monovolumes, sejam compactos ou médios, sempre têm quatro portas. Uma mudança de hábito do brasileiro que tem, entre suas razões, o advento da trava elétrica. Afinal, ter de conferir se cada uma das quatro portas está fechada não é propriamente sinônimo de conforto. "Era uma preocupação que hoje o proprietário não precisa mais ter", diz Filipe Pereira, diretor de vendas da Audi. "Tecnologias como travamento de portas e de vidros traseiros para crianças tornaram o carro quatro portas uma opção de compra mais atraente", concorda Marcelo Ferreira, gerente de marketing de produto da Volkswagen.

Para os especialistas, porém, o carro duas portas vai continuar a existir. Mas apenas para atender situações específicas. Seja para a fabricante valer-se da versão duas portas para colocar na campanha o preço do modelo "a partir de", para atrair frotistas, ou, principalmente, um consumidor que busca um zero-quilômetro o mais barato possível.

"É tudo uma questão de costume. O brasileiro se habituou a uma facilidade que é o carro quatro portas", acredita Garbossa. "No caso de sedãs, por exemplo, se tiver apelo esportivo, até tem demanda para um duas portas. Mas se for mais conservador, dificilmente vai pegar no mercado", afirma Pereira, da Audi. (Fernando Miragaya)

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