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10/08/2007 - 20h00

Novo Palio leva goleada do concorrente da VW

Da Auto Press
O Fiat Palio até aparece no retrovisor do Gol, mas não o ultrapassa. Apesar de há 11 anos comer poeira nas vendas do veterano hatch da Volkswagen, a marca italiana não desiste. A estratégia tem sido seguir o modelo da marca alemã em tudo. Basta o Gol sofrer um "face-lift" que a Fiat logo promove uma boa maquiagem no seu hatch.

Na mais recente, porém, houve uma significativa diferença. Enquanto a Volkswagen bancou mudar o visual do carrinho de uma só vez, em 2005, a Fiat se atrasou e preferiu fazer aos poucos. Apresentou o Palio 2008, mas manteve o antigo, rebatizado de Palio Fire, em produção. Foi a sorte. O novo visual, de clara inspiração chinesa, não agradou. A versão velha é a que continua sustentando a vice-liderança do compacto no ranking (principalmente pelo baixo preço oferecido a frotistas).

IMPRESSÕES E FOTOS DO PALIO
Pedro

O Palio jamais foi um grande exemplo de comportamento dinâmico ou de tecnologia. Mas desde que a empresa promoveu mudanças na suspensão, no "face-lift" de 2004, o compacto ficou incomodamente mole, a ponto de comprometer sua estabilidade. Em freadas bruscas, além de o veículo não manter a trajetória, embica. Na hora de arrancar, acontece o inverso. A frente do Palio levanta em excesso.
MAIS PALIO: UMA FALSA EVOLUÇÃO
OUTRAS FOTOS DO PALIO
Para o consumidor, no entanto, o velho ou o novo não trazem grandes diferenças. Afinal, estruturalmente os dois são idênticos. Basicamente, é o mesmo carro criado para países em desenvolvimento e lançado em 1996.

Mas a Fiat tinha motivos para adotar um desenho tão controverso no seu hatch. Há boas possibilidades de a empresa italiana importar a versão do Palio 2008 da China, que tem exatamente essa cara, para não investir num aumento de produção aqui.

Mas a mudança representou uma melhora em um aspecto: o Palio Fire era o modelo com o pior índice de reparabilidade entre 14 hatchs compactos do país, segundo o Centro de Experimentação de Segurança Viária, o Cesvi. Já o Palio 2008 é "apenas" o quarto pior entre 15.

Na frente, o capô foi elevado e dois vincos proeminentes percorrem toda a tampa e convergem para a grade bicuda. Os faróis foram aumentados em tamanho, mas são menos eficientes que o do modelo velho, que tem dupla parábola. Os contornos arredondados dos conjuntos óticos espremem entre si a grade retangular e levemente saltada à frente.

Grade, saia e pára-choques dianteiros integram uma peça única, bem bojuda. Na traseira, uma só peça inclui o pára-choque, a parte inferior da lateral, desde a caixa de rodas, e a parte abaixo das lanternas. A tampa traseira está mais inclinada e o vidro parece menor que o espaço reservado para ele (há uma estranha faixa de lataria na base do vidro). As lanternas trapezoidais lembram as de modelos da década de 90.

FICHA TÉCNICA
Fiat Palio ELX 1.4
Motor: Gasolina ou álcool, dianteiro, transversal, 1.368 cc, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro. Injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência: 81 cv com álcool e 80 cv com gasolina a 5.500 mil rpm.
Torque: 12,4 kgfm com álcool e 12,2 kgfm com gasolina a 2.250 rpm.
Diâmetro e curso: 72 mm X 84 mm. Taxa de compressão de 10,3:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores transversais, barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira com rodas independentes, braços oscilantes longitudinais, barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais.
Freios: Discos na frente e tambores atrás.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. 3,84 metros de comprimento, 1,64 metro de largura, 1,44 metro de altura e 2,37 metros de distância entre-eixos.
Peso:986 kg em ordem de marcha com 400 kg de carga útil.
Porta-malas: 290 litros.
Tanque: 48 litros.
Preço: De R$ R$ 32.510 a R$ R$ 50.173
A prova de que o visual não emplacou é que a comercialização do Palio 2008 responde por apenas 30% das vendas. Em julho, das 19.780 unidades entregues (4.000 a menos que as 23.823 unidades do Gol), 13.846 foram do Palio Fire. O Palio 2008, que volta a usar um "Novo" à frente do nome, como na geração passada (talvez para tentar disfarçar a idade), vendeu menos de 6.000 carros mês passado. Se fosse separado no ranking, cairia para a oitava posição. Na "geração" atual, a versão a ELX 1.4 representa 15% do total do compacto, somados o "Novo" e o antigo.

A configuração traz itens interessantes, mas também indispensáveis em um carro que começa em R$ 32.510. Regulagem de altura do banco do motorista e da coluna de direção, computador de bordo, conta-giros, espelhos nos pára-sóis, faróis de neblina, tomada 12V e relógio digital são de série. Há também "bossas" como porta-óculos, porta-luvas extra no lugar onde deveria haver um airbag, abertura interna do porta-malas e do reservatório de combustível e alerta de limite de velocidade.

O principal rival, o Gol Power 1.6, começa em R$ 34.610, mas conta com direção hidráulica de série e motor mais potente 1.6, de 103 cv com álcool. O propulsor 1.4 do Palio gera 81 cv com o combustível vegetal a 5.500 rpm e torque máximo de 12,4 kgfm a 2.250 giros. É o menos eficiente entre os propulsores 1.4 nacionais.

Itens de conforto reais, como ar-condicionado, trio elétrico, rádio/CD/MP3 e direção hidráulica, só aparecem se pagos por fora. E eles fazem o preço saltar para R$ 41.694, como no caso do modelo avaliado. Na verdade, porém, este preço de lista acaba ficando só na tabela mesmo. As lojas da Fiat costumam praticar descontos generosos para vender os modelos.

Afinal, se for completo, com ABS, airbag duplo, telefonia bluetooth, volante em couro e rodas de liga leve aro 15, ele chega a R$ 50.173. Um valor inviável mesmo num mercado muito aquecido. (Eduardo Fonseca da Rocha e Fernando Miragaya)

EM DEZ PONTOS, O NOVO PALIO
Desempenho O motor 1.4 da versão ELX do Palio entrega um desempenho superior em relação aos populares de mil cilindradas do mercado, mas está longe de ser eficiente. Em relação aos concorrentes diretos, é o que tem o comportamento mais fraco. As acelerações são tímidas e o torque de 12,4 kgfm - com álcool - prejudica as retomadas. O modelo demora a engrenar, o que exige atenção principalmente na hora das ultrapassagens. Em trechos de subida, o problema se agrava. Com paciência e destemor, foi possível alcançar a máxima de 160 km/h. 6
EstabilidadeUm dos problemas crônicos do Palio desde o lançamento. Como o compacto torcia a carroceria em excesso, a Fiat optou por colocar um reforço na coluna central e amolecer a suspensão. Errou na mão e hoje o hatch rola lateralmente nas curvas, empina nas arrancadas e embica nas freadas. Nas curvas, o carro canta o pneu sem cerimônia. Nas freadas bruscas, a traseira se insinua e o modelo não mantém uma trajetória segura. Nas retas, a sensação de flutuação aparece a 120 km/h e a comunicação roda/volante é lenta e imprecisa.5
InteratividadeA ergonomia não chega a comprometer. A posição de dirigir elevada é boa e a maioria dos comandos está ao alcance das mãos. O desenho do banco, porém, não permite o apoio correto das costas e cansa em trajetos mais demorados. O painel é de fácil leitura, assim como o computador de bordo, e o modelo conta com regulagem de altura do volante. A manobrabilidade, porém, é comprometida por uma série de fatores. Para começar, o esterçamento das rodas é limitado, o que exige um esforço braçal do condutor na hora de manobrar. A visibilidade é outro ponto falho. O vidro traseiro é pequeno e as colunas centrais e traseiras, muito largas. Além disso, o retrovisor tem uma área útil diminuta. O câmbio se vale pela maciez dos engates, embora, às vezes, seja necessário procurar as marchas, tal a imprecisão. 6
ConsumoCom álcool no tanque, o modelo avaliado registrou a média de 6,3 km/l. O computador de bordo, mais otimista, assinalou 6,9 km/l (10% de erro). Pelo desempenho que entrega, é um beberrão.6
ConfortoA suspensão molenga ajuda no conforto em baixas velocidades. Mas o carro balança muito ao enfrentar pistas esburacadas. Como em todo compacto de projeto antigo, o espaço para pernas e cabeça é limitado e apenas dois adultos e uma criança viajam atrás. O isolamento acústico é fraco e o barulho do motor invade o habitáculo.5
TecnologiaEstruturalmente, é o mesmo Palio feito há 11 anos. A Fiat ainda conseguiu piorar o comportamento do veículo ao amolecer a suspensão. Entre os equipamentos de conforto, ressalvas apenas para o computador de bordo e alerta de limite de velocidade. Direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico, só como opcionais. Assim como itens de segurança como ABS e airbag. 6
HabitabilidadeO Palio oferece uma boa quantidade de porta-objetos e dispõe de boa iluminação interna. A capacidade do porta-malas é de 290 litros, razoável para um compacto hatch. Os acessos são comprometidos pelo limitado vão das portas. 7
AcabamentoO nível de materiais do Palio caiu sensivelmente com o passar dos anos. Os revestimentos usados no painel e nas forrações são pobres. A versão ELX tenta disfarçar com detalhes no painel pintados de cinza metálico. Encaixes e fechamentos no revestimento deixam a desejar e há rebarbas nas emendas de plástico e nos limites dos forros das portas e do teto.6
DesignA Fiat conseguiu piorar o desenho o Palio. O antigo podia estar datado, mas tinha alguma harmonia - combinada, pelo menos, com as linhas mais arredondadas do modelo. Agora ficou uma mistura de estilos sem charme. Faróis esbugalhados e lanternas anacrônicas tiraram a identidade do compacto. 5
Custo/benefícioO Palio ELX 1.4 começa em R$ 32.510 mas não oferece qualquer tipo de equipamento realmente interessante. Para ter ar, direção hidráulica, trio elétrico, rádio/CD/MP3 chega aos R$ 41.694. O Gol Power 1.6 tem motor mais potente, direção hidráulica, ajuste de altura do banco do motorista e começa em R$ 34.610. 6
Total/médiaO Fiat Palio ELX 1.4 somou 58 pontos em 100.5,8
QuesitoComentárioNota

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