UOL Carros

03/08/2007 - 20h01

Renault quer Logan puxando vendas no Brasil

Da Auto Press
Desde que chegou ao Brasil, a Renault buscava a imagem de fabricante mais requintada. Até seu compacto mais básico, o Clio, já apresentava um bom nível de acabamento e equipamentos superiores aos dos rivais do segmento (o airbag, por exemplo, era de série).

O LOGAN EM TEXTO E FOTOS
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
O Logan não é um ícone de modernidade, mas a concorrência também é antiquada
O Renault Logan foi lançado em 2004 no Leste Europeu a um preço de 5.000 euros - equivalente a R$ 13 mil. Na Romênia, hoje, ele custa 6.300 euros (R$ 17 mil).
O sedã compacto é vendido em três configurações, além da Privilége 1.6: Authentique e Expression, ambas com motorização 1.0 16V.
Além de Brasil e Romênia, o sedã é feito no Irã, Colômbia, Índia, Rússia e Marrocos.
O Logan já acumula mais de 500 mil unidades vendidas no mundo.
O modelo é fabricado em São José dos Pinhais (PR), no Complexo Industrial Ayrton Senna. Ele usa a mesma plataforma do Clio III, do Renault Modus e do Nissan Micra.
Da plataforma do Logan podem sair pelo menos mais três modelos: o Logan MCV, que chegaria para brigar com o Ford EcoSport, uma nova geração do Clio para brigar no segmento de compacto premium e um novo compacto que vai substituir o Nissan Micra.
Além do Logan, a Renault fabrica no Brasil os compactos Clio e Clio sedã, a minivan Scénic, o sedã médio Mégane e sua derivação station wagon Mégane Grand Tour.
IMPRESSÕES AO DIRIGIR
FOTOS DO RENAULT LOGAN
Mas o tempo foi passando e a marca francesa percebeu que, para ter volume no mercado brasileiro, não basta oferecer segurança, equipamentos ou sofisticação: é preciso preço baixo. Foi aí que a montadora decidiu retirar o airbag do Clio de entrada. Nessa mesma época, decidiu também que o sedã Logan era o carro certo para os trópicos.

Projeto simples desde a concepção da carroceria ao acabamento do habitáculo e voltado para os chamados mercados emergentes, o modelo é emblemático para ilustrar que a Renault se rendeu à lógica do mercado brasileiro.

O preço é realmente o grande atrativo do sedã: a versão básica, Authentique 1.0 16V, de 77 cv, começa em R$ 27.990. Mais barato que ele, apenas o Chevrolet Classic (o Corsa sedã antigo), que sai a R$ 25.100, com motor 1.0 de 72 cv.

Mas até mesmo a versão top do Logan, a Privilège 1.6, tem uma interessante relação custo/benefício. Ela começa em R$ 36.790 e é bem completinha -- mas sem ar-condicionado, que custa, sozinho, mais R$ 3.000. Para levar um pacote que inclui o ar e mais rádio/CD player, airbag duplo e rodas de liga leve aro 15, o comprador desembolsa R$ 6.000, totalizando R$ 42.790.

O computador de bordo é acionado na ponta da haste do limpador de pára-brisa e suas informações são dispostas no mesmo local do hodômetro. Os faróis de neblina são quadradões e os espelhos de cortesia nos pára-sóis dispensam as portinholas. No mais, direção hidráulica, alarme com comandos na chave e travamento automático das portas.

Frente aos demais rivais, o Logan Privilège 1.6 ganha não só em potência, mas em preço final. O Fiat Siena ELX 1.4 fica em R$ 39.022, enquanto o Ford Fiesta sedã 1.6 tem preço sugerido de R$ 40.445, ambos com basicamente os mesmos equipamentos.

Além disso, o três volumes da marca italiana é equipado com propulsor de 81 cv, enquanto o concorrente da Ford usa uma unidade de força de 111 cv. Já o Logan usa o propulsor 1.6 16 válvulas que gera 112 cv com álcool e 107 cv com gasolina a 5.750 rpm, e alcança um torque máximo de 15,5/15,1 kgfm a 3.750 giros. Isso sem falar que oferece três anos de garantia, a maior no segmento.

FICHA TÉCNICA
Renault Logan Privilège 1.6 16V
Motor: Gasolina ou álcool, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro. Injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência: 115 cv com álcool e 107 cv com gasolina a 5.750 rpm.
Torque: 15,5 kgfm com álcool e 15,1 kgfm com gasolina a 3.750 rpm.
Diâmetro e curso: 79,5 mm x 80,5 mm. Taxa de compressão de 10:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, com triângulo inferior, amortecedores hidráulicos telescópicos e molas helicoidais. Traseira com rodas semi-independentes, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos verticais e barra estabilizadora.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás.
Carroceria: Sedã compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. 4,25 metros de comprimento, 1,74 metro de largura, 1,52 metro de altura e 2,63 metros entre-eixos.
Peso: 1.111 kg.
Porta-malas: 510 litros.
Tanque: 50 litros.
Preço: R$ 36.790 (R$ 42.790 com ar e pacote de opcionais)
Por fora, conservador
No design exterior, não há como negar que o Logan ostenta um desenho um tanto conservador. Capô de linhas limpas, faróis trapezoidais, sem qualquer curva ou borda irregular, e grade bipartida com barras horizontais conferem um estilo bem comportado na dianteira.

Nas laterais, linha de cintura bem definida, janelas retas e apenas um vinco longitudinal. Na traseira, nada de vincos ou saliências na lataria. A tampa do porta-malas é bastante elevada, o que contribui para a ótima capacidade de 510 litros. As lanternas ficam bem na forquilha da traseira e são triangulares.

O estilo caixotinho lembra modelos fabricados no Leste Europeu. Sem coincidências, já que o projeto do sedã compacto foi desenvolvido pela Dacia, subsidiária romena da montadora. Na Europa, a Renault não perde a pose, e por lá o Logan roda com a logomarca da Dacia.

Mas as linhas mais retas e chapadas também são propositais. São simples de produzir e armazenar, reforçando a busca desenfreada da fabricante em reduzir custos. Até mesmo os vidros das janelas são quadradões. Por dentro, o painel em uma peça única e o acabamento despojado reforçam a vocação popular do sedã.

Nada, porém, que o desabone para o mercado. Onde não se vê, na estrutura, o Logan é bem mais atual que os rivais. Onde se vê, como acabamento interno e design exterior, os concorrentes não são exatamente exemplos de referências estéticas modernas: o Chevrolet Classic e o Fiat Siena foram apresentados em 1995 e 1997, respectivamente. (Fernando Miragaya)

Compartilhe:

    Fale com UOL Carros

    SALOES