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03/08/2007 - 20h00

Impressões do Logan: força interior

Da Auto Press
É difícil olhar para o Renault Logan e não reparar em seu desenho quadradão e desprovido de arrojo. Mas, ao entrar no sedã compacto da marca francesa, esquece-se o estilo conservador e vem a surpresa com o espaço interno. O motorista e o passageiro têm uma folga para as pernas difícil de encontrar até mesmo nos médios disponíveis no mercado.

Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
O custo/benefício é uma atração do Logan, carro que a Renault trouxe da Romênia
FOTOS DO RENAULT LOGAN
Atrás, então, dois adultos e uma criança viajam sem qualquer problema, graças ao amplo vão para as pernas e para a cabeça. Três adultos comprometem um pouquinho o conforto, mas muito menos que em qualquer outro modelo do segmento.

Antes de se preparar para ligar o carro, chamam a atenção o quadro de instrumentos bem posicionado e a regulagem de altura do banco, que auxiliam o motorista a encontrar a posição ideal para dirigir. A direção precisa e suave, a posição alta, a boa área envidraçada e as colunas pouco largas ajudam bastante na hora de manobrar.

O único problema é a insistência da Renault em instalar os comandos em locais pouco lógicos. Os comandos do vidro elétrico e do ar, por exemplo, estão dispostos em uma posição baixa no console central. Pior mesmo só o botãozinho do retrovisor elétrico, que fica no console central bem abaixo da ponta da alavanca do freio de mão.

Outro ponto negativo é a transmissão. O câmbio até que é suave, mas tem engates pouco precisos e o curso demasiadamente longo. O que também compromete um pouco o desempenho do motor 1.6 litro e 16 válvulas de 115/107 cv do sedã. As arrancadas são nervosas, mas não mantém o fôlego conforme o ponteiro do velocímetro sobe e as marchas são trocadas.

De zero a 100 km/h foram necessários 12,2 segundos. As retomadas também não são das melhores e o modelo só ganha força mesmo após os 3.500 giros: de 60 km/h a 100 km/h em quinta, por exemplo, foram necessários 14,3 segundos.

Estabilidade e frenagem
Na hora de entrar arisco na curva, o modelo também surpreende e não joga a traseira indevidamente. A carroceria até torce um pouco, é verdade, mas nada que comprometa a boa estabilidade do Logan. Quando é necessário frear bruscamente, o compacto também não sai da trajetória, mesmo sem assistentes de frenagem como ABS e EBD.

Acima dos 150 km/h, porém, a sensação de flutuação é percebida. Mesmo assim foi possível pisar mais fundo e, com um pouco de paciência, alcançar os 180 km/h de máxima.

Infelizmente o Logan não leva sua proposta de custos baixos para o posto de combustível. O modelo Privilège 1.6 16V testado obteve a apenas razoável média de 9,4 km/l, num percurso que alternou estradas e trechos urbanos, com gasolina no tanque. (Fernando Miragaya)

EM DEZ PONTOS, O LOGAN PRIVILEGE 1.6
DesempenhoO conhecido motor flex de 115 cv tem arrancadas vigorosas e, à primeira vista, até impressiona. O propulsor responde bem às investidas no pedal do acelerador. Mas conforme os giros e as marchas aumentam o sedã perde o fôlego. Mesmo assim, foi possível fazer de zero a 100 km/h em 12,2 segundos e alcançar a máxima de 180 km/h. Em velocidades mais baixas o modelo até que atende bem aos comandos no acelerador, mas em velocidades altas as respostas são mais demoradas. O câmbio de cursos longos também atrapalha um ímpeto mais vigoroso. Na hora de frear, o modelo se comportou bem.8
EstabilidadeO terceiro volume e a altura do Logan sugeriam um comportamento instável em situações extremas. Nas curvas em alta, o modelo pouco torce a carroceria e joga a traseira muito discretamente. A suspensão é bem acertada e conta com uma bem-vinda barra estabilizadora. Em altas velocidades, alguma sensação de flutuação surge após os 150 km/h, mas nas frenagens bruscas o modelo não saiu da trajetória. As rodas atendem bem aos comandos da direção e não há folgas.7
InteratividadeA posição dos comandos principais, como vidros elétricos e ar-condicionado, ao centro do painel, poderia ser menos baixa para não obrigar o motorista a ficar "catando" os botões. Pior é o botão no comando do retrovisor elétrico, que fica no console central e acaba escondido pela ponta do freio de mão. O quadro de instrumentos tem desenho simples, mas de fácil percepção. Quando é preciso manobrar, o motorista percebe o valor de uma boa área envidraçada. A posição de dirigir também ajuda e o modelo Privilége ainda conta com ajuste de altura do assento. O computador de bordo tem as informações básicas e sua visualização é facilitada por estar no mesmo espaço do hodômetro digital no quadro de instrumentos. Já os engates da marcha são macios, mas pouco precisos. 7
ConsumoO modelo avaliado fez a média de 9,4 km/l apenas com gasolina no tanque. Não chega a impressionar pela economia mas também não assusta pelo desperdício.7
ConfortoÉ um dos trunfos do três volumes. O Logan possui entre-eixos de 2,63 m, maior que o do Toyota Corolla, o que resulta em ótimo espaço para as pernas. A altura da carroceria também confere um bom espaço para a cabeça dos ocupantes. A suspensão foi bem acertada. O conjunto absorve bem as irregularidades da pista e ajuda a segurar a carroceria na hora das curvas. O isolamento acústico é satisfatório.8
TecnologiaO compacto usa a plataforma do Clio III europeu. O motor da versão Privilége é o conhecido 1.6 16V Hi-Flex que a Renault usa no restante da linha no Brasil. Destaque para a suspensão com barra estabilizadora. O airbag duplo, único item de segurança, é oferecido como opcional. Entre os itens de conforto, direção hidráulica, computador de bordo e o trio elétrico são de série nessa versão.8
HabitabilidadeOutro ponto forte do sedã. O porta-malas gigantesco de 510 litros é indicado para quem gosta de levar a casa dentro do carro. Os acessos são facilitados pelo excelente vão das portas, a iluminação interna é adequada e há uma generosa quantidade de porta-objetos. A área do banco traseiro é tão boa que virou mote para a campanha publicitária. Cintos e tampas podem aparentar simplicidade, mas não deixam a desejar em relação aos concorrentes.9
AcabamentoO Logan é assumidamente um carro popular e tudo foi pensado para baratear seu custo. O painel é uma peça única em um padrão bem simples na cor preta que não tem qualquer requinte ou sofisticação. As únicas bossas na versão Privilége são os detalhes em plástico que lembra alumínio na parte central do painel e na manopla do câmbio. Mas apesar de simples, os materiais não são agressivos ao toque. Além disso, os encaixes são bons e não há sinais de rebarbas. A forração dos bancos e painéis das portas, porém, poderia ser melhor. Dentro do segmento, no entanto, não fica nada a dever.7
DesignÉ um típico carro do Leste Europeu, com estilo quadradão e poucas ousadias no design para não elevar os custos de produção. Trata-se do mesmo Logan que roda na Europa, sendo que lá a Renault empurrou o seu popular para a bandeira da subsidiária romena Dacia.6
Custo/benefícioÓtimo espaço interno e no porta-malas, motor 1.6, direção hidráulica, trio elétrico, alarme e computador de bordo por pouco mais de R$ 36 mil não deixa de ser um chamariz para o Logan. Que ainda conta com o motor mais potente entre os sedãs compactos.8
Total/médiaO Renault Logan Privilége 1.6 16V somou 75 pontos em 100 possíveis.7,5
QuesitoComentárioNota

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