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03/08/2007 - 20h01

Aos 75, alemã ZF mostra tecnologias do futuro

Da Auto Press
Em Berlim

Divulgação

A fabricante de autopeças ZF decidiu comemorar seus 75 anos em grande estilo. Alugou uma pista nos arredores de Berlim, no antigo lado oriental, para receber algumas dezenas de jornalistas de todo o mundo - apenas dois brasileiros. A idéia foi mostrar na prática o que os sistemas que a ZF desenvolve podem fazer.

No Brasil, a empresa é mais centrada em produção de sistemas e autopeças para veículos de carga, como câmbios e sistemas de suspensão e tração para caminhões, por exemplo. Na Europa, além dos pesados, a ZF se dedica a atender os chamados clientes premium, capazes de absorver recursos de autopeças mais sofisticados.

Estão lá Mercedes-Benz, BMW, Audi, Land Rover, Volvo e Jaguar, entre outras. Também foram modelos dessas marcas que a ZF colocou na pista, na pequena localidade de Gross Doelln, para serem testados.

A área de testes, na verdade um complexo de pistas, é um antigo aeroporto militar soviético comprado pela fabricante de pneus Michelin, com casamatas e tudo mais, rebatizada de Fahrerlarger Driving Center. Espalhados em vários pontos do complexo, foram montados circuitos com núcleos de testes.

Num deles, por exemplo, se avaliava os sistemas de câmbio desenvolvidos pela ZF. Havia carros como uma Maserati Quatroporte, Mercedes-Benz CLK, BMW 323 cupê-cabriolet, Jaguar XK e até um novíssimo Audi A5 (que estava apenas em exposição).

Também foi apresentado um câmbio seqüencial de seis marchas acoplado a uma transmissão mecânica comum. A função da embreagem e a mudança das marchas é feita por sistema robotizado. Ali também testou-se um câmbio de oito marchas que, segundo a fabricante de sistemas automotivos, pode proporcionar até 6% de economia de combustível.

ALGUMAS NOVIDADES
Módulo de controle para sistemas híbridosO sistema criado pela ZF para motores a combustão e elétrico intervém para suavizar a passagem de um sistema de propulsão para outro. Este equipamento é capaz de fazer o veículo consumir até 30% menos combustível. Para sair da inércia até alcançar 50 km/h, que é o momento de maior consumo de combustível, o veículo é impulsionado por energia elétrica, caso a carga nas baterias seja suficiente. Nas demais situações, funciona a explosão.
Dinâmica de Rodas Inteligente, ou IWD (Intelligent Wheels Dynamics)Este equipamento corrige a trajetória do veículo em situações críticas, como na frenagem com baixa aderência ou a aquaplanagem de um dos lados do veículo - como quando se passa com um dos lados do automóvel sobre poças d'água. Sensores fazem a leitura do ângulo de rotação do volante, que indicam a intenção do motorista, e do movimento real do veículo. Para coordenar os dois, o IWD age sobre a direção com assistência elétrica, evitando o desvio de trajetória.
Nivelador Automático de Suspensão, ou Nivomat Este equipamento consiste em amortecedores especiais instalados nos eixos traseiros dos automóveis. O Nivomat usa um sistema de vasos comunicantes e faz com que o óleo dos amortecedores seja bombeado entre diferentes reservatórios para nivelar a altura do veículo. Como não tem sensores ou aparatos eletrônicos, pode ser instalado em qualquer veículo.
Estabilizador Adaptativo para Off-Road, ou AOS (Adaptive Off-Road Stabilizer)No uso no asfalto, a barra estabilizadora impede que as rodas de um mesmo eixo tenham movimentos muito díspares, pois isso dificultaria o controle e comprometeria a estabilidade do veículo. No off-road, por outro lado, nos casos de grandes desníveis no solo, esta limitação de movimento vertical entre as duas rodas do mesmo eixo pode fazer com que uma delas fique no ar. O sistema AOS da ZF "neutraliza" a ação a barra estabilizadora nesses casos, através de uma articulação no eixo estabilizador comandada por um botão no painel.
Diferencial traseiro direcional, ou Vector-DriveEste sistema funciona na mesma lógica funcional do IWD, que visa corrigir a trajetória, mas é próprio para veículos com tração nas quatro rodas. Numa curva ou numa situação de falta de aderência, o Vector-Drive distribui o torque individualmente nas rodas traseiras para devolver o controle do veículo ao motorista ou fazê-lo retornar à trajetória desejada. Para estabelecer os parâmetros, usa vários sensores, como os que medem a aceleração das rodas e a rotação no volante.
Em outro núcleo do Driving Center houve uma avaliação dinâmica dos sistemas híbridos oferecidos pela ZF - testados, no caso, em dois Mercedes, um sedã E320 e um furgão Sprinter. A idéia era demonstrar a sutileza com que o sistema alternava o uso dos motores a combustão e elétrico.

Em outro setor do complexo de pistas, era testado o interessante Nivomat. O dispositivo consiste em amortecedores que nivelam automaticamente a altura do eixo traseiro do veículo independentemente do peso da carga. Para este teste, havia um Volvo V70 e um Opel Astra perua.

O velho aeroporto soviético só não se prestava para o teste do AOS, ou Adaptive Off-Road Stabilizer (algo como barra estabilizadora adaptável para off-road). O sistema, instalado numa Mercedes-Benz ML, teve de ser testado numa área aberta a trator, na lateral de uma das pistas para reproduzir condições de fora-de-estrada.

O equipamento é uma barra estabilizadora com uma articulação controlada eletricamente. Pode-se fazer as duas pontas do eixo trabalhar em conjunto ou torná-las independente, a partir de um comando no painel. Isso torna o veículo capaz de manter a estabilidade normal no asfalto, quando a barra está travada, e aumentar muito sua capacidade off-road, com a barra liberada.

Rodas espertas
Mas a novidade mais impressionante apresentada pela ZF foi mesmo o sistema de rodas inteligentes - Intelligent Wheel Dynamics, ou IWD. O equipamento mantém o veículo na direção indicada pelo volante, mesmo que haja uma aquaplanagem em um dos lados. Quando se passa com duas rodas sobre uma poça, o próprio equipamento mantém o carro na trajetória.

No caso, o teste era uma frenagem de emergência com as rodas da esquerda passando sobre um piso bem menos aderente que o piso das rodas da direita. O veículo, uma BMW Série 5 Touring, mostrava tendências de jogar a traseira para a direita, mas o sistema retomava a trajetória original.

Num outro BMW Série 5, só que sedã, o IWD funcionava conjunto com o sistema de eixo de torção ativo (Active Front Steering), já existentes em modelos normais de linha, como os próprios sedãs BMW. Este equipamento simplesmente impede que a carroceria incline nas curvas feitas com aceleração lateral acima de modestos 0,5 G.

Para dar uma idéia, um Fórmula 1 chega a enfrentar sem problemas acelerações laterais superiores a 4 G. O mecanismo consiste num motor elétrico acoplado à barra estabilizadora dianteira, que entra em funcionamento e impede a inclinação. (Eduardo Fonseca da Rocha)

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