UOL Carros

26/07/2007 - 12h00

Mostra futurista da Fiat expõe carros antigos

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
ÁLBUM DE FOTOS
Studio Cerri/Divulgação
Mais bonito que uma escultura perfeita? Eis o Alfa Romeo Gran Premio Tipo C, de 12 cilindros, de 1936, que está na mostra
VEJA OUTROS CARROS EM "SPEED"
A Casa Fiat de Cultura, em Nova Lima, Minas Gerais (Estado que abriga a sede da empresa), apresenta a exposição multi-suporte "Speed - A Arte da Velocidade", em cartaz até 30 de setembro. Concebida como uma homenagem antecipada aos 100 anos do Manifesto Futurista, a serem comemorados em 2009, ela reúne diversas obras que têm a velocidade (e, por tabela, o automóvel) como tema. Diversos modelos antigos estão expostos aos visitantes. A entrada é gratuita.

"Um agudo olhar sobre o impacto da velocidade nas artes, no design e na tecnologia do século 20". É assim que os organizadores descrevem a mostra. São 183 peças, entre pinturas, esculturas, filmes, fotografias, objetos de design e carros. Elas pertencem a acervos de museus e coleções particulares da Itália e do Brasil. A organização do evento foi feita no país europeu, berço do movimento futurista.

O MANIFESTO VIOLENTO
O Manifesto Futurista foi lançado em 1909 por Filippo Tommaso Marinetti e é certamente o mais agressivo e belicoso documento estético de memória recente, e ajudou a fazer do futurismo um "patinho feio" das vanguardas do início do século 20 (dadaísmo, surrealismo, cubismo), pela apologia quase demencial da máquina e da violência, além de uma aberta misoginia: "Queremos glorificar a guerra (a única cura para o mundo), o militarismo, o patriotismo, o destrutivo gesto dos anarquistas, as idéias belas que matam, e o desprezo pela mulher" (sic), propõe.
A ironia é que o elogio à velocidade e potência das máquina dirigia-se a aparelhos da época que, hoje, pareceriam tartarugas.
Eis o trecho (item 4) em que os carros são citados de modo específico: "Declaramos que o esplendor do mundo foi enriquecido por uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um carro de corrida com seu capô adornado por grandes tubos como serpentes de explosivo hálito... Um motor de carro que ruge, que parece funcionar pelo fogo de uma metralhadora, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia".
Entre os principais nomes do futurismo estão os pintores Bolla, Carrà e o próprio Marinetti. Fora da Itália, o poeta russo Maiakóvski é considerado seu maior expoente.
Os carros exibidos são, de acordo com a assessoria da mostra, principalmente das décadas de 1920, 1930 e 1940. Provavelmente essas datas não são uma mera coincidência, já que o futurismo acabou sendo, em certa medida, apropriado como estética pelos fascistas italianos -- é possível até dizer que, dentro das subdivisões do modernismo, o futurismo era o movimento mais à direita.

Com efeito, ao final dos anos 40 do século passado a Segunda Guerra já terminara, e com ela a autoridade moral (e estética) dos fascistas, especialmente nas artes plásticas e literatura.

Além dos carros -- entre outros, há modelos Lancia, Alfa Romeo e variações do clássico Fiat 500, recentemente relançado pela fábrica italiana -- há vídeos e material fotográfico de corridas antigas.

A exposição conta ainda com painéis que reproduzem páginas do manifesto, além de dez seções temáticas que abordam a arquitetura, o design, a produção industrial, a guerra etc. Todas sob o enfoque da velocidade, o grande fetiche de Filippo Tommaso Marinetti, autor do manifesto, e seu jovem grupo de audazes protofascistas.

Quando: até 30 de setembro (terça a sexta, das 10h às 21h; sab., dom. e feriados, das 14h às 21h)
Onde: Casa Fiat de Cultura, rua Jornalista Djalma Andrade, 1.250, Belverede, Nova Lima (MG)
Quanto: entrada franca
Mais informações e agendamentos: (31) 3289-8900

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