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20/07/2007 - 20h01

Impressões: a Fielder e o discreto poder

Da Auto Press
A Fielder agrega as mesmas virtudes do Corolla sedã: conforto, boa dirigibilidade, um bom pacote de equipamentos e um desempenho eficiente. Os 136 cv do motor 1.8 16V, agora flexfuel, garantem um comportamento sem surpresas positivas ou negativas.

Ou seja, nada de acelerações vigorosas ou uma velocidade final surpreendente. No entanto, quando se precisa da resposta do motor, ele atende às investidas no pedal do acelerador em um ritmo, digamos "coerente".

ÁLBUM DE FOTOS
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
Nem um punhado a mais de luxo consegue disfarçar as linhas ultrapassadas da perua
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A transmissão automática trabalha em harmonia com o propulsor e os delays nas mudanças de marchas são muito discretos. Nas retomadas, a eficiência maior se obtém acima dos 4.000 giros. Em baixos giros, o câmbio precisa de um tempinho para pegar fôlego para as retomadas quando se pisa fundo no pedal do acelerador.

Rapidamente, porém, o conjunto câmbio/propulsor reduz os giros para 1.800 rpm, para depois encher o motor e a Fielder prontamente volta a acelerar. De 60 a 100 km/h em drive, por exemplo, foram necessários "razoáveis" 7,8 segundos.

O comportamento certinho se dá também em altas velocidades. Mesmo na máxima de 180 km/h não há indícios de flutuação da carroceria. E nem nas curvas mais exigentes o modelo torceu a carroceria ou saiu de traseira. A suspensão bem acertada, com eixo de torção e barra estabilizadora atrás, garante uma perua "no chão", mesmo numa condução menos convencional que o próprio carro.

Essa mesma suspensão ajuda no conforto de quem vai dentro da Fielder. Ela absorve bem as irregularidades das pistas esburacadas das grandes cidades sem transmitir qualquer solavanco para dentro do veículo.

Bons equipamentos, com ressalvas
O conforto interno também é garantido pelo bom pacote de equipamentos e o espaço considerável para pernas e cabeças. Atrás, dois adultos e uma criança viajam tranqüilamente. Mas o condutor sofre com a falta de ergonomia e com os ajustes manuais do banco. Duros em demasia e do tipo alavanca, exigem movimentos repetitivos para rebaixar até mesmo o encosto.

A posição dos comandos é satisfatória, à exceção do rádio/CD player malposicionado e do volante que conta apenas com regulagem de altura (essa, por sinal, bastante limitada). Já o computador de bordo é de difícil visualização, pois está misturado em meio a outras tantas informações dentro do quadro de instrumentos.

O consumo, por sua vez, entregou a conta da transmissão automática: média de 6,1 km/l apenas com álcool no tanque de combustível. (por Fernando Miragaya)

EM DEZ PONTOS, A TOYOTA FIELDER FLEX
DesempenhoO motor 1.8 de 136 cv e comando variável de válvulas da Fielder SE-G garante um desempenho eficaz à perua da Toyota. Acelerações e retomadas são eficientes, principalmente quando o ponteiro do conta-giros ultrapassa os 4.000 rpm. Além disso, o motor trabalha em boa sincronia com o câmbio automático de três velocidades mais overdrive. Os delays entre uma marcha e outra são muito sutis, mas ela refuga um pouco em retomadas exigidas abaixo de 3.000 rpm, até pegar fôlego e acelerar com força. Foi possível alcançar a máxima de 180 km/h e na hora de frear, a eficiência esperada do modelo, ainda mais com ABS e EBD. O zero a 100 km/h é cumprido em bons 10,2 segundos.8
EstabilidadeAssim como no sedã, a Fielder é um carro bastante certinho. A suspensão bem acertada, com eixo de torção e barra estabilizadora atrás, confere um ótimo comportamento em curvas, seja em baixa ou alta velocidade. A carroceria torce o mínimo e, apesar do "malão", não joga a traseira. Nas frenagens bruscas, não há desvios de trajetória, auxiliado e muito pelo ABS e EBD nos freios a disco. Em altas velocidades nas retas, a perua não flutua, mesmo a velocidades acima de 160 km/h.9
InteratividadeA direção da Fielder é precisa e suave. E as manobras ainda são ajudadas pela boa visibilidade traseira. Falta, porém, sensor de estacionamento traseiro - ainda mais num modelo de topo. Os comandos em geral são bem posicionados, com exceção do rádio, que requer um esforço extra do condutor. Nesse segmento, os comandos de som já poderiam estar num volante multifuncional. Ali estão apenas os comandos do computador de bordo que, por sua vez, é de difícil visualização - fica em um pequeno mostrador digital no velocímetro - e conta apenas com informações básicas. A ergonomia deixa a desejar. As regulagens de altura e de inclinação do encosto do banco do motorista são duras e exigem movimentos desconfortáveis, repetitivos e curtos. A coluna de direção não conta com ajuste de profundidade e a regulagem de altura é bem limitada. Os bancos mais parecem poltronas: são macios e não têm abas para segurar o corpo nas curvas. 6
ConsumoO modelo avaliado registrou a média de 6,1 km/l apenas com álcool. Razoável para um modelo do porte da Fielder com câmbio automático.7
ConfortoAs stations médias mais recentes pegaram carona no teto elevado para brigarem com as minivans. Melhor para o passageiro de trás, que conta com bom espaço para a cabeça. O espaço para pernas, porém, é apenas razoável. Mas, de qualquer forma, dois adultos e uma criança viajam sem apertos. O conforto no habitáculo é ampliado mesmo pela suspensão, que se adapta bem às buraqueiras das cidades brasileiras e não transforma as irregularidades da pista em solavancos para os ocupantes.8
TecnologiaTrata-se de um projeto com mais de cinco anos, na bica para ser substituído. Mesmo assim, a Fielder SE-G conta com um moderno motor com comando de válvulas variável e tecnologia flex, bom conjunto de suspensão, itens de conforto importantes e alguns equipamentos de segurança, como ABS, EBD e dois airbags. Só que a station tem um câmbio antiguinho e não recebe bolsas adicionais ou controles de estabilidade e tração nem como opcionais. Também não existe leitor de MP3 ou sensor de estacionamento.6
HabitabilidadeAs portas largas com bom ângulo de abertura garantem o fáciil acesso dos passageiros. Além disso, o modelo ainda conta com boa quantidade de porta-objetos, iluminação interna eficiente e um razoável porta-malas de 411 litros.7
AcabamentoSegue a lógica japonesa. Nada de ousadias visuais, mas materiais com qualidade. Não há qualquer sinal de rebarbas ou encaixes malfeitos no habitáculo da Fielder SE-G. A forração pode até ser sem graça e conservadora, mas aparenta qualidade e é positiva ao toque e ao visual.8
DesignHoje é o calcanhar-de-aquiles da Fielder e também do Corolla. Em pouco tempo o modelo ficou defasado com a chegada da Mégane Grand Tour e da 307 SW e ainda peca pelo design interior bastante conservador. Uma nova geração chega no primeiro semestre do ano que vem.6
Custo/benefícioÉ a mais cara das stations médias, oferece praticamente a mesma gama de equipamentos e tem o desenho mais datado.6
Total/médiaA Corolla Fielder SE-G somou 71 pontos em 100.7,1
QuesitoComentárioNota

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