Cupê ou hatch, Hyundai Veloster tem proposta esportiva e soluções arriscadas

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros

Enviado a Detroit (EUA)

A Hyundai mostra no Salão de Detroit, nos Estados Unidos, a versão de produção do Veloster, anteriormente exibida como conceito. O modelo promete causar discussão em mesas de bar ocupadas por fãs de carros: é difícil decidir se ele é um cupê ou um hatchback.

Essencialmente, trata-se de um dois-volumes com teto alongado a formar uma segunda porção bastante extensa, um pouco como o Volvo C30 ou mesmo o Citroën VTR. Mas uma outra comparação possível é com o Volkswagen Scirocco, indubitavelmente um cupê. Seja como for, a Hyundai quer vender o Veloster -- que mede 4,2 metros, exatamente como um Golf -- para jovens que apreciem um carro com pegada esportiva, mas capacidade de levar mais três pessoas a bordo.

Na hora de embarcá-las, será notada a principal peculiaridade do Veloster, que aliás contribuirá para acalorar a discussão no bar: ele tem três portas, duas à frente e uma atrás, esta do lado direito (de modo geral, um cupê tem duas portas).

Como conceito, foi apresentado com a terceira porta do tipo suicida, abrindo na direção da traseira -- na vida real, o Veloster vem com porta extra de abertura convencional. Para manter a integridade estilística, a maçaneta fica integrada à área envidraçada.

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    Única porta traseira complica acesso e exige contorcionismo dos candidatos a ocupante

Antes de entrar no carro já se nota como ele é baixo, uma característica de esportividade ampliada pela traseira com cavidades realçando as lanternas, além de uma robusta saída de escape centralizada, cromada e com bocal seccionado. A dianteira não é tão ousada e segue o padrão de outros carros da Hyundai, como a minivan ix20, apresentada no último Salão de Paris. Na unidade exposta, as rodas de aro 18 estão calçadas com pneus de medida 215/40, mas essa configuração é opcional. O conjunto de série tem aro 17 e compostos 215/45. Um extenso teto-solar panorâmico é outro opcional para o Veloster.

Por dentro, o Veloster tem excelente espaço para as duas pessoas que vão à frente, e o acabamento é competente, com bancos em couro e painel de instrumentos moderno e com tons de azul na iluminação. Devido à altura reduzida, a posição de dirigir lembra a de carros realmente esportivos.

Olha o dedinho!

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    As duas fotos mostram posicionamento de ocupante do banco traseiro do Veloster -- abaixo de boa parte da vigia -- e o que ele alcançaria se estendesse o braço. Tudo bem caso o porta-malas esteja fechado (acima)...

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    ... mas problemas podem ocorrer caso a porta esteja aberta, principalmente com crianças, que podem ter a mão presa pelo mecanismo.

TIRA A MÃO!
Atrás, no entanto, o Veloster não se sai tão bem. O acesso pela única porta exige esforço -- este repórter mede 1,71 metro e, ainda assim, escapou por pouco de sofrer traumas musculares múltiplos ao se contorcer para abordar o carro. Uma vez acomodado no banco traseiro, que comporta apenas duas pessoas (um porta-copos divide o assento), percebe-se como o entre-eixos de 2,6 metros permite boa acomodação das pernas e joelhos -- mas também que é necessário se apoiar totalmente no encosto. É a única maneira de a cabeça não bater no teto.

Na verdade, o passageiro já vai estar abaixo de uma porção da janela traseira. Por isso, quando a tampa do porta-malas é aberta, quem vai atrás fica descoberto. Pior: como mostram as fotos que acompanham esta reportagem, não seria surpresa alguém (especialmente uma criança) ficar com a mão prensada após o fechamento do porta-malas. É o fim da picada, em 2011, alguém ter de se preocupar com esse tipo de risco no uso cotidiano de um carro.

EQUIPAMENTOS DO HYUNDAI VELOSTER
No conteúdo, um dos destaques do Veloster é o sistema interativo e de conectividade Blue Link, via Bluetooth, que promete utilização remota de várias funções do carro via smartphone (por exemplo, acionar a buzina para achar o carro num shopping lotado). Uma tela touchscreen de sete polegadas é de série, mas a câmera de ré tem de ser paga em separado. Para a segurança, há controle eletrônico de estabilidade, controle de tração, freios a disco nas quatro rodas com ABS (antitravamento) e seis airbags.

Sob o capô, o modelo traz um motor de 1,6 litro de quatro cilindros, injeção direta e duplo comando variável de válvulas. São 138 cavalos de potência (a 6.300 rpm), um bom número para um propulsor desse tamanho.

Segundo a Hyundai, o bloco obtém um consumo médio de 17 km por litro de gasolina, único combustível aceito no tanque do Veloster. A transmissão pode ser manual de cinco marchas ou automatizada de dupla embreagem e seis velocidades -- possivelmente semelhante ao sistema DSG. Neste caso, as trocas sequenciais podem ser feitas em aletas atrás do volante.

Aqui nos Estados Unidos, a Hyundai promete cinco anos ou 100 mil km de garantia total do Veloster, e substanciais dez anos, ou 160 mil km, para o trem de força. Por ora, o preço do carro (que é fabricado na Coreia do Sul) não foi divulgado. A imprensa local especula um valor inicial de US$ 17 mil. E se ele chegará ao Brasil é uma questão em aberto, uma vez que a assessoria local da Hyundai (Grupo Caoa) afirmou não haver planos, por enquanto.

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