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Relação de Renault e Nissan azeda: "pare de falar com nosso executivos"

Tomohiro Ohsumi/Getty Images
Jornal japonês relata novos detalhes sobre a prisão de Carlos Ghosn Imagem: Tomohiro Ohsumi/Getty Images

Ritsuko Ando e Laurence Frost 

De Tóquio (Japão) e Paris (França)

12/12/2018 12h32

Segundo fontes, Nissan tenta influenciar conselho para que também demita Carlos Ghosn da chefia da Renault

A Renault comunicou à parceira de aliança Nissan que pare de tentar contato com os diretores franceses antes da reunião do conselho marcada para quinta-feira, enquanto a fabricante japonesa tenta compartilhar evidências de irregularidades cometidas por seu presidente deposto, Carlos Ghosn.

O conselho da Renault se reúne em 13 de dezembro, e as descobertas da investigação da Nissan serão compartilhadas na reunião em que o futuro de Ghosn também poderá ser debatido, disse uma das fontes com conhecimento do assunto.

Desde a prisão de Ghosn, em 19 de novembro no Japão, a Renault e o governo francês, o maior acionista da montadora, exigiram ver as descobertas de uma investigação interna da Nissan, que inclui alegações de má conduta financeira do executivo de 64 anos.

Ghosn foi acusado na segunda-feira, no Japão, por não declarar renda que ele concordou em receber pelo período de cinco anos encerrados em março de 2015. Embora tenha sido demitido da Nissan dias após sua prisão, ele continua sendo presidente e CEO  da Renault.

A empresa francesa disse à Nissan para não entrar em contato com seus diretores antes da reunião, porque tal contato estava fora dos canais acordados para a comunicação das descobertas sensíveis, disse a fonte.

A Nissan ofereceu na semana passada informações ao conselho da Renault sobre as conclusões sobre o que considera uma prova de irregularidade por Ghosn, disse uma segunda fonte que tem conhecimento do assunto, mas se recusou a ser identificada como confidencial.

Mas a Renault aconselhou a Nissan a informar apenas seus advogados, o que levou a uma reunião entre as autoridades da empresa japonesa e as equipes legais da Renault no início desta semana em Paris, disse a pessoa.

A montadora japonesa depois convidou Thierry Bollore, que foi nomeado vice-presidente da Renault com os mesmos poderes de Ghosn um dia após sua prisão, além de membros do conselho, para examinar o conteúdo das descobertas, disse a fonte.

Bollore, no entanto, disse à Nissan na terça-feira que "não entrará em contato com a diretoria", disse a fonte.

O intercâmbio entre a Renault e a Nissan é outro exemplo da relação turbulenta entre as duas montadoras, apesar das garantias dos executivos de ambos os lados de preservar a aliança. A aliança, da qual Ghosn tem sido a força motriz, é amplamente vista como vital para a sobrevivência de longo prazo dos membros.

Os membros da diretoria convidados a ver as provas incluíam Martin Vial, que dirige a agência de participações estatal francesa, o presidente interino Philippe Lagayette e o diretor independente Patrick Thomas, segundo a segunda fonte.

Um porta-voz da Renault se recusou a comentar.

O governo francês disse na terça-feira que não está ciente das alegações detalhadas contra Ghosn.

Sob pressão do governo francês, Ghosn vinha explorando uma fusão mais profunda ou mesmo uma fusão completa entre a Renault e a Nissan, apesar de fortes reservas na montadora japonesa.

A Renault detém 43,4% das ações da Nissan. Embora seja quase 60% maior em vendas, a Nissan continua sendo o sócio minoritário em sua hierarquia acionária, com uma participação recíproca de 15% sem direito a voto na empresa francesa. Maior acionista da Renault é o estado francês com 15%.

Ghosn foi indiciado na segunda-feira junto ao suposto conspirador Greg Kelly, executivo da Nissan, por não declarar US$ 43 milhões em renda diferida que Ghosn concordou em receber, além dos US$ 44 milhões que ele recebeu pelos cinco anos que terminam em março de 2015.

O diário francês "Les Echos" relatou pela primeira vez que a Nissan comunicou um dossiê de 400 páginas sobre a suposta má conduta de Ghosn à Renault por meio de advogados. O Ministério das Finanças da França recusou-se a comentar.

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