Topo

Carros

GM fechará fábricas e vai interromper produção do Cruze nos EUA em 2019

Divulgação
Sedãs como Cruze estão em baixa no mercado norte-americano, que prefere SUVs Imagem: Divulgação

Joseph White, David Shephardson

Da Reuters

27/11/2018 07h00

Marca espera economizar até US$ 6 bilhões com demissões, que podem chegar a 8 mil

A General Motors pretende suspender a produção de veículos nas fábricas de Lordstown (Ohio), Hamtramck (Michigan) e Oshawa (Ontario, no Canadá) a partir de 2019.

Já as fábricas de Baltimore (Maryland) e Warren (Michigan), responsáveis pela produção de peças, não vão fornecer componentes para nenhum modelo da GM após 2019 e estão sob risco de fechamento. A fabricante também declarou que vai fechar duas fábricas fora da América do Norte, mas não revelou quais são.

A medida faz parte do plano da empresa em deixar de investir nos modelos movidos a combustão (especialmente sedãs) para concentrar recursos em veículos elétricos e autônomos. A empresa também descontinuará a produção de alguns modelos de suas marcas (Chevrolet, Buick e Cadillac), como o Buick LaCrosse, o Cadillac CT6 e os Chevrolet Volt e Cruze. Os modelos da Chevrolet, inclusive, sairão de linha nos Estados Unidos já em março de 2019.

Veja mais

+ Chevrolet Monza renasce, mas não é o que você está pensando
Quer negociar hatches, sedãs e SUVs? Use a Tabela Fipe
Inscreva-se no canal de UOL Carros no Youtube
Instagram oficial de UOL Carros
Siga UOL Carros no Twitter

Realidade do mercado

O anúncio é o maior já realizado pela empresa desde seu pedido de proteção contra falência uma década atrás. Na ocasião, a GM foi salva pelo governo norte-americano, que concedeu uma quantia bilionária para ajudar a empresa.

"Estamos adequando nossa capacidade à realidade do mercado", afirmou a CEO da General Motors, Mary Barra, acrescentando que os cortes acontecerão por conta das mudanças na indústria automobilística.

Barra também afirmou que a GM duplicará os recursos dedicados às tecnologias de propulsão elétrica e condução autônoma nos próximos dois anos.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística (UAW) reagiu afirmando que vai "confrontar esta decisão por meio de todos os recursos legais e contratuais". "A decisão da GM de interromper a produção nas fábricas de Lordstown e Hamtramck resultará na demissão de milhares de funcionários e não passará incólume pelo Sindicato", afirmou Terry Dittes, vice-presidente sindicalista responsável pelas negociações com a montadora.

A notícia também repercutiu mal entre as autoridades. O prefeito de Detroit, Mike Duggan, descreveu a notícia como "preocupante" e afirmou que a equipe de desenvolvimento econômico da cidade e a UAW estão "trabalhando conjuntamente para encontrar uma solução adequada para a GM e para os funcionários".

O Primeiro Ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse ter conversado com Barra e expressou seu "profundo descontentamento" com a decisão.

Mesmo estimando pagar de US$ 3 bilhões a US$ 3,8 bilhões com as demissões, a GM projeta uma economia de US$ 6 bilhões até o fim de 2020.

A expectativa é que a porção de trabalhadores assalariados da GM (incluindo aí executivos e engenheiros) deva ser reduzida em 15%, ou aproximadamente 8 mil empregos. As promoções de executivos também devem ser reduzidas em 25%.

Ascensão dos SUVs

Barra afirmou que a GM pode reduzir o gasto anual em até US$ 1,5 bilhão e aumentar o investimento em veículos elétricos, autônomos e conectados, principalmente depois de ter concluído a renovação de seu portfólio de utilitários e SUVs. A marca, aliás, estima que 75% das vendas globais serão concentradas em apenas cinco plataformas de veículos por volta de 2020.

"Precisamos ter certeza que estamos em uma posição competitiva, não apenas pelos próximos cinco anos, e sim muito além disso", afirmou.

Ao contrário das fábricas que produzem automóveis de passeio, as linhas de montagem de picapes e SUVs estão trabalhando em três turnos, chegando a funcionar de seis a sete dias por semana para atender a demanda por veículos. A alta procura reflete a preferência do consumidor norte-americano, que está trocando os automóveis de passeio por SUVs e picapes mais confortáveis.

Em 2012, as vendas de automóveis respondiam por mais da metade de todos os veículos novos emplacados nos Estados Unidos. Porém, de janeiro a setembro deste ano, o número caiu para aproximadamente 31%. Enquanto o segmento de automóveis caiu 13,2% nos primeiros nove meses de 2018, as vendas de picapes e SUVs subiram 8,3%.

As vendas do Cruze, por exemplo, despencaram 27% de janeiro a setembro. Já o Impala, fabricado atualmente em Oshawa e Hamtramck, teve queda de 13% no mesmo período.

Mais Carros