Carros

Brasil e Argentina buscam estender acordo automotivo até 2015

Alonso Soto
Anthony Boadle

Em Brasília (DF)

06/05/2014 19h49

Brasil e Argentina planejam estender o acordo automotivo por mais um ano, até o começo de 2015, mas os dois países ainda precisam acertar oficialmente a extensão do comércio livre de taxação, afirmou o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.

As negociações ocorrem em um momento de forte queda nas exportações de veículos do Brasil, que têm na Argentina seu principal mercado comprador. O recuo tem contribuído para um quadro de redução na produção brasileira de veículos, também agravado por um mercado interno retraído.

Borges acrescentou que o governo brasileiro está buscando formas de estimular os bancos locais a oferecerem mais crédito aos consumidores para a compra de automóveis diante da queda nos índices de inadimplência. No primeiro trimestre, as vendas de veículos novos no Brasil caíram 2% sobre um ano antes.

Automóveis representam metade do comércio entre os dois países vizinhos e a renovação do acordo é crucial para restaurar os volumes de negociação, ajudando a reduzir os déficits em conta corrente de ambos. No ano passado, Brasil e Argentina não chegaram a um acordo sobre quantos carros e autopeças poderiam entrar em cada país sem taxação, baseado numa fórmula conhecida por "flex".

UM NOVO ACERTO
Autoridades governamentais e empresários estão se reunindo em Brasília nesta semana para acertar o novo limite do flex, que vai permitir a extensão do acordo por mais um ano. "Temos um entendimento inicial que nós prorrogaremos por 12 meses o acordo como ele está, alterando o flex novamente para dar conforto aos argentinos", afirmou Borges. "Não podemos ter um flex que diminua a escala", emendou.

As regras flex anteriores, que expiraram no ano passado, permitiram ao Brasil exportar sem tarifas US$ 195 em valor relativo a carros e autopeças a cada US$ 100 exportados pela Argentina.

A Argentina propôs reduzir o flex ao valor das exportações para US$ 130 a cada US$ 100 importados, o que iria reduzir o déficit comercial com o Brasil, quarto maior mercado de automóveis do mundo. Segundo Borges, o Brasil quer um limite maior, mas vê legitimidade na proposta argentina.

SUPERÁVIT CAI
A escassez de dólares na Argentina tem restringido as exportações brasileiras de automóveis, eletrodomésticos e outros bens manufaturados, reduzindo o superávit comercial do Brasil no ano passado ao menor nível em mais de uma década. A indústria automotiva compõe cerca da metade dos US$ 36 bilhões em comércio anual entre Argentina e Brasil.

As relações comerciais entre os dois países têm sido tensas nos últimos dois anos por conta das restrições às importações impostas pela Argentina para proteger seu -- cada vez menor -- superávit comercial, o que tornou difícil para as empresas acessarem dólares para pagar pelas importações. Nos primeiros três meses do ano, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 13% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Borges, por fim, afirmou que a extensão do acordo e uma série de medidas para facilitar os fluxos de crédito entre os dois países devem ajudar os produtores brasileiros e fornecer liquidez aos importadores argentinos.

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