Carros

Setor de veículos derruba previsão de vendas e eleva produção

Alberto Alerigi Jr.

Em São Paulo (SP)

05/09/2013 16h32

A indústria brasileira de veículos cortou a expectativa de vendas no país em 2013, em meio a um otimismo que não encontrou respaldo na atividade econômica do país. Porém, o setor aumentou a previsão para produção em quase três vezes, incentivado por forte incremento das exportações no ano até agora.

A revisão na perspectiva para o mercado interno ocorreu após as vendas no país em agosto despencarem 21,6% sobre um ano antes e recuarem 4% sobre julho. O resultado inverteu o sinal do saldo acumulado do ano, que estava positivo em 2,9% até julho, para queda de 1,2% sobre o mesmo período de 2012.

Com isso, a previsão anterior de alta de 3,5% a 4,5% nos licenciamentos de veículos novos para 2013 foi cortada para expansão de 1% a 2%, para até 3,88 milhões de veículos. Esse volume marcará o sétimo recorde anual consecutivo, mas o crescimento vai ser o menor dos últimos sete anos pelo menos.

De todo modo, o presidente da entidade que representa o setor, Anfavea, Luiz Moan, minimizou a fraqueza da economia e apostou em um cenário de crescimento do Produto Interno Bruto em 2013 acima de 2,5%, nível maior que a média de projeções de economistas ouvidos na última pesquisa Focus desta semana, do Banco Central.

Ele evitou comentar sobre 2014, afirmando apenas que as vendas e a produção do setor, um dos mais beneficiados nos últimos meses por medidas de incentivo do governo, deverão apresentar desempenhos melhores que este ano.

Segundo Moan, as vendas de agosto tiveram uma queda "relativa". Ele afirmou que a média diária de vendas ante julho subiu 0,5%, enquanto a comparação com agosto de 2012 não é justa por causa do recorde histórico de licenciamentos naquele período, motivado por antecipação de compras de consumidores.

"Agosto não foi um desastre, as vendas foram maiores que a média mensal de janeiro a julho, que foi de 308 mil unidades", disse Moan. "O mercado (financeiro) acha que estamos otimistas, mas eu digo que o mercado está pessimista (...) A Anfavea não entrou na onda de mau humor vigente", acrescentou.

PRODUÇÃO DISPARA
Em meio a uma série de projetos novos de expansão de capacidade produtiva e chegada de novas fábricas ao país, de marcas que incluem a alemã BMW e a chinesa Foton, a expectativa para produção deste ano passou de alta de 4,5% para expansão de 12%, a 3,79 milhões de veículos.

Em agosto, a produção bateu recorde para o mês, a 340,5 mil unidades. O volume é 9% maior que o produzido em julho e 2,3% mais que o fabricado em agosto de 2012.

Apesar disso, o volume de estoques do setor ficou praticamente estável entre julho e o mês passado, a 400,5 mil veículos, cerca de 36 dias de vendas, nível considerado "absolutamente normal" por Moan.

Grande parte do crescimento da produção ocorre pela redução das importações, que até agosto acumularam queda de 15% e que foram em parte substituídas por modelos nacionais, além da expansão de 28,4% nas exportações no mesmo período.

Com um cenário cambial mais favorável às vendas externas, as exportações de agosto foram as melhores já registradas para o mês, ficando em 64 mil veículos, segundo a Anfavea. A entidade revisou no mês passado a projeção de exportações, de queda de 4,6% para alta de 20%, a 534 mil veículos.

O presidente da Anfavea comentou ainda que espera que o Mercosul apresente uma proposta de acordo comercial para a União Europeia até o final deste ano, mas não deu detalhes sobre os termos voltados ao setor de veículos.

CUSTOS AVANÇAM
Moan citou que a desvalorização do real causa no curto prazo aumento de custos com componentes importados e afirmou que o custo de produção deve voltar a subir no início do próximo ano, por conta da obrigatoridade de instalação de itens de segurança em 100% dos veículos, incluindo airbags e freios ABS.

Ele afirmou que usinas siderúrgicas iniciaram negociações de reajustes de preços de aço junto ao setor, mas que a disposição das montadoras em aceitar aumentos "é a menor possível" e que a negociação com as usinas "vai ser muito difícil".

No final de agosto, relatório de analistas do Goldman Sachs afirmou que as siderúrgicas provavelmente implementariam reajustes de até 5% nos preços de aço vendido às montadoras até o final do ano.

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