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México tem dúvidas se Brasil quer salvar acordo automotivo

Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL


Esteban Israel

Em São Paulo

28/02/2012 15h09

O México vê um "grande ponto de interrogação" sobre a vontade do Brasil de salvar um acordo de livre comércio de automóveis, disse nesta terça-feira uma fonte próxima dos negociadores mexicanos, num caso que colocou em rota de colisão comercial as duas maiores economias da América Latina.

O Brasil, alarmado por um aumento das importações de automóveis mexicanos mais competitivos, tem dito que quer revisar o acordo, ou do contrário, o romperá.

O secretário de Economia mexicano, Bruno Ferrari, e a secretária de Relações Exteriores, Patricia Espinosa, se reunirão na tarde desta terça-feira em Brasília com autoridades brasileiras para tentar salvar o acordo.

"Nossas expectativas são reservadas. Até o momento há muita incerteza: se vão falar dos caminhões, das regras de origem, se agora querem cotas. Tudo isso gera um grande ponto de interrogação", disse a fonte mexicana, que pediu para não ser identificada.

Golpeado por uma excessiva apreciação do real, que reduziu a competitividade de sua indústria, o Brasil exigiu neste mês uma revisão do acordo de livre comércio de automóveis que contribuiu para um déficit comercial de US$ 1,7 bilhão junto ao México em 2011.

Fontes brasileiras próximas das negociações disseram que o governo quer fixar cotas para a importação de automóveis mexicanos. Outras propostas sobre a mesa são a inclusão de veículos pesados no acordo e elevação do conteúdo mexicano nos carros importados do país.

O Brasil disse que o acordo com o México é incongruente com seus esforços para proteger a indústria afetada por uma avalanche de importações baratas. A determinação em forçar uma revisão ou rescisão do acordo ilustra o tom crescentemente protecionista da maior economia da América Latina.

"Acabar com um acordo como o que temos não só afeta a indústria, mas significa dar um golpe na integração latino-americana", disse a fonte mexicana. "Estamos tentando criar um sistema moderno e aberto e lamentavelmente o Brasil vai em sentido contrário", acrescentou. "Que credibilidade podem ter os países que não cumprem o que foi pactuado?"

A fonte disse que a delegação mexicana viajou a Brasília com a intenção de achar uma solução. Mas disse que minutos antes da reunião, não tinham uma ideia precisa do que o Brasil quer.

"Não temos recebido, até o momento, mais do que mensagens de maneira indireta", disse.

Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o comércio de automóveis e autopeças entre ambos os países foi de cerca de US$ 4,3 bilhões em 2011, volume que representa 47% do fluxo comercial entre os dois países.

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