Carros

Chery quer 3% do mercado brasileiro de veículos até 2013

ALBERTO ALERIGI JR.

Salto/São Paulo

05/10/2010 18h39

A chinesa Chery vende carros no Brasil há apenas um ano, mas já planeja um centro de pesquisa no país e ampliar seu foco também para vans comerciais, o que deve fazer o grupo expandir os investimentos previstos de 400 milhões de dólares na construção de uma fábrica no interior de São Paulo.

Depois de passar cinco anos em negociação para desembarcar no país em 2009, com o apoio do grupo brasileiro oriundo do setor de alimentação JLJ, a montadora tem pressa. A primeira empresa chinesa na indústria automobilística a instalar uma fábrica no Brasil quer ter 3 por cento das vendas de veículos no mercado interno até o fim de 2013, ampliando em até quatro vezes a rede atual de 50 lojas para todos os Estados do país.

"Estamos vivendo uma nova corrida ao mercado brasileiro, agora pelas marcas chinesas", afirmou à Reuters nesta terça-feira o presidente da Chery no Brasil, Luis Curi, na sede da empresa na cidade de Salto, a 100 quilômetros da capital paulista e onde o grupo JLJ tem operações.

Antes de comandar a operação brasileira da Chery, o executivo trabalhou com as japonesas Mazda e Suzuki no país.

Segundo ele, o percentual de 3 por cento é uma meta "bastante expressiva", dado que 80 por cento do mercado brasileiro é dominado pelas tradicionais Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford. Sobram 20 por cento para mais de uma dezena de marcas que chegaram ao país na década dos anos 1990.

Pelo ranking da associação de distribuidores de veículos, Fenabrave, a Chery ocupa no acumulado de janeiro a setembro a 18a posição em vendas, com 0,15 por cento de participação. Na faixa dos 3 por cento estão as japonesas Honda e Toyota e a sul-coreana Hyundai.

A projeção da Chery é vender 10 mil veículos no Brasil em 2010 e 30 mil em 2011, todos importados, já que a fábrica que será instalada em Jacareí deve começar a produzir no final de 2013, a um ritmo de 50 mil unidades anuais.

O foco da marca são veículos compactos na faixa dos 25 mil a 35 mil reais, segmento responsável por mais da metade das vendas de veículos do Brasil. Para conseguir superar eventuais receios do consumidor sobre a qualidade dos produtos chineses, a companhia está equipando seus veículos com itens como freios ABS e airbags, hoje vendidos como opcionais na maioria dos carros do país.

"A questão do estigma sobre a qualidade do produto chinês era preocupação no início, mas é a mesma dificuldade que os coreanos enfrentaram e agora são vistos como sinônimo de qualidade", disse Curi.

Além disso, a montadora tem intenção de nacionalizar o máximo possível de componentes de seus veículos, atraindo para seu complexo fornecedores que já produzem componentes para veículos de marcas rivais, disse Curi, sem citar nomes.

O executivo disse ainda que para o segundo semestre de 2011 todos os veículos trazidos pela Chery ao país serão equipados com motores bicombustível. Isso será possível depois que a empresa contratou fornecedor no Brasil que desenvolveu dois motores flexíveis.

Esses motores serão fabricados na China e equiparão os carros que a Chery produzirá em Jacareí, antes de uma eventual nacionalização que pode ocorrer quando o volume de vendas da marca ultrapassar as 170 mil unidades por ano.

"Eles serão os primeiros motores bicombustível produzidos na China", disse Curi.

VANS NO BRASIL
O executivo comentou que viajou à China em meados de setembro para discutir com a Chery International o lançamento da linha de vans da marca no Brasil. "Se a linha de comerciais vier, a fábrica precisará de uma expansão, mas isso não será difícil porque ela é modular. Vamos importar primeiro para ver a aceitação do mercado", disse Curi.

Afirmando que a marca chegou para "fincar raízes na América do Sul", Curi adiantou que a Chery vai abrir um centro de pesquisa no Brasil entre 2012 e 2013 que poderá abrigar pelo menos 100 engenheiros.

O centro vai desenvolver veículos voltados ao público sul-americano e ajudar nos estudos sobre uma eventual produção de motores no Brasil. Ele calculou que um centro como esse pode exigir investimento de 50 milhões a 70 milhões de dólares.

A Chery --com sede na cidade de Wuhu, província de Anhui-- está presente em 70 países e tem 15 fábricas, a maioria na Ásia, que empregam cerca de 22 mil funcionários.

A fábrica no Brasil será a primeira de grande porte da marca nas Américas. A montadora chinesa tem uma unidade de montagem do Uruguai em parceira com um grupo argentino.

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