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VW Brasil poderia mirar exemplo da China para "bombar" sedãs; entenda

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Lavida: carro mais vendido da China já emplacou mais de 143 mil unidades no ano Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

2019-05-06T07:00:00

06/05/2019 07h00

Resumo da notícia

  • VW oferece 13 sedãs na China; até Santana tem por lá
  • Lavida é campeão de vendas: mais de 500 mil emplacamentos em 2018
  • Marca tem 4 sedãs no Brasil; só Virtus e Voyage vendem bem

A Volkswagen vive um bom momento no Brasil. Vice-líder no ranking de emplacamentos da Fenabrave até abril deste ano, a empresa tem boas perspectivas para o futuro graças a lançamentos como o T-Cross e outras novidades que ainda estão por vir.

Porém, um segmento poderia ser mais rentável para a empresa: o de sedãs. Hoje a marca tem quatro representantes na categoria (Voyage, Virtus, Jetta e Passat) e nenhum deles é campeão absoluto de vendas.

Diante deste cenário é que a VW brasileira poderia se espelhar em um exemplo do outro lado do mundo. A China é de longe o maior mercado de automóveis do mundo, e lá a fabricante alemã vai muito bem, obrigado. Afinal, liderar um país que comprou 28 milhões de carros só no ano passado não é um feito para qualquer um.

No ano passado, a VW vendeu 3,17 milhões de veículos e neste ano já chegou aos 732.605 emplacamentos apenas de janeiro a março. Importante lembrar que no mercado chinês os carros da marca são feitos por duas joint-ventures formadas com a FAW e a SAIC.

Evidentemente não dá para comparar mercados tão distintos quanto China e Brasil. Até porque no ano passado nós fomos apenas o 8º maior mercado da indústria automotiva mundial, totalizando 2,47 milhões de unidades vendidas. Mas há exemplos que podem ser seguidos.

Tem para todos os gostos e bolsos

Parece que o segredo do sucesso da VW na China está nos sedãs. São nada menos do que 13 (!) modelos diferentes à venda por lá. É uma confusão de nomes antigos e novos que são completamente diferentes em outros países. Quer um exemplo? Lá o Jetta se chama New Sagitar e convive com seu antecessor, o Sagitar. O Jetta também existe na China, mas é um modelo totalmente diferente do nosso xará. E não se esqueça do Bora. oferecido ao lado do... novo Bora. Difícil, né?

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Sim, é ele mesmo -- ou quase: o Santana ainda existe na China Imagem: Divulgação

Até alguns nomes familiares para nós surgem na linha VW. O caso mais emblemático é o do Santana: o clássico sedã (que completa 35 anos de seu lançamento neste ano) foi fabricado por muitos anos e ganhou até atualizações. Hoje, apenas o nome permaneceu do veterano modelo. E ainda há o Passat. Ou melhor, os "Passats": o modelo europeu (que é o mesmo importado para cá) se chama Magotan, enquanto o Passat é o projeto feito para o mercado norte-americano.

Apesar de aparente bagunça nos nomes, a Volkswagen vende sedã feito pão quente. Veja os números: o carro mais vendido da China é o Lavida, que emplacou 503.825 unidades em 2018. E neste ano os números devem ser ainda melhores: só neste ano já foram 143.548 emplacamentos de janeiro a março. Se montarmos uma lista dos sedãs mais vendidos da VW por lá, depois do Lavida surge o Jetta com 327.685 unidades. No ranking geral, porém, ele é apenas o sétimo modelo mais vendido do país.

O Sagitar surge como o terceiro sedã mais popular da VW na China, acumulando 309.902 unidades no ano passado -- pouco à frente do Tiguan, que teve 307.896 veículos vendidos. O Santana é o quarto sedã mais procurado da marca com 276.411 emplacamentos, seguido por Bora (245.818) e Magotan (228.990).

O cenário é bem diferente no Brasil. Dos 368.200 veículos vendidos pela Volkswagen no ano passado, 80.194 unidades foram sedãs.

O Virtus puxou a fila com 41.634 emplacamentos, fechando o ano como o 17º modelo mais vendido do país em 2018. Logo em seguida vem o Voyage com 32.683 unidades. Jetta e Passat tiveram resultados discretos até demais, acumulando 4.403 e 1.474 emplacamentos durante todo o ano de 2018. É bom lembrar, porém, que ambos tiveram atualizações em suas linhas -- sendo que o Jetta ganhou uma nova geração no fim do ano.

Marcelo Ferraz/UOL
Virtus vende bem, mas outros sedãs da marca nem tanto Imagem: Marcelo Ferraz/UOL

E qual é a lição do dia?

Apesar dos bons números, Virtus e Voyage estão longe do líder Chevrolet Prisma, embora a Fenabrave tenha feito uma estranha subdivisão na categoria dos sedãs compactos, separando-os entre sedãs pequenos e compactos. Seguindo esta "nova" classificação, aí sim o Virtus figura na liderança, à frente de nomes como Chevrolet Cobalt, Honda City e Toyota Yaris Sedan. Já o Voyage é apenas o terceiro sedã pequeno mais emplacado, perdendo para o já citado Prisma e Ford Ka Sedan.

É claro que não faria sentido se a Volkswagen oferecesse no Brasil uma gama tão extensa de sedãs como faz na China. O mercado de lá é ávido consumidor desta categoria de carro e veículos de porte grande, incluindo peculiaridades como a preferência por carros com distância entre eixos alongada para ampliar o espaço no banco de trás.

Números nem são tão relevantes assim, até porque uma comparação direta entre China e Brasil seria desleal. Fato é que a VW consegue um resultado tão expressivo por lá por atender praticamente todas as necessidades do consumidor chinês. Das categorias mais baratas (nas quais Jetta e Lavida dominam a preferência) até as mais caras (com CC/Arteon e Passat), a fabricante oferece design moderno e amplo espaço interno, quesitos que são cobiçados em qualquer parte do planeta.

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Voyage está "cansado", mas câmbio AT deu mais fôlego nas vendas Imagem: Divulgação

Se a VW brasileira atende uma parcela dos clientes com o Virtus (um sedã moderno e espaçoso), um modelo mais moderno e maior do que o Voyage poderia incomodar definitivamente o líder Prisma. Mesmo assim, o veterano sedã lançado em 2008 ainda resiste bem, principalmente após a chegada do câmbio automático.

A situação é mais delicada no andar de cima, já que não é nada fácil concorrer com Toyota Corolla e Honda Civic. Diante de um cenário polarizado entre os dois japoneses, cabe ao Jetta se esforçar para ser o "melhor do resto", posto hoje ocupado pelo Chevrolet Cruze. Falta entender porque o Jetta ainda não emplacou, e talvez a falta do motor 2.0 TSI seja um dos motivos. Até meados de 2018 o Jetta ainda oferecia a versão Highline, descontinuada com a estreia da nova geração. Pelo menos a chegada da versão GLI pode dar novo fôlego às vendas do sedã, desde que o preço não seja proibitivo demais.

Quanto ao Passat, a fabricante se vê em um dilema. Há tempos as vendas do modelo não andam bem, e não é culpa da VW. Afinal, o carro tem design moderno, desempenho bom e tecnologia de ponta. Falta, porém, o status, critério quase fundamental na decisão de compra do consumidor brasileiro de carros de luxo. E aí a Volkswagen perde de goleada para marcas de renome como Audi, BMW e Mercedes-Benz. Assim fica dificil.

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