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Nissan e Mitsubishi terão carro conectado e que entende sotaques do Brasil

Nissan Multi APP original fica no passado; Logigo promete evolução na cabine a partir de inteligência artificial - Divulgação
Nissan Multi APP original fica no passado; Logigo promete evolução na cabine a partir de inteligência artificial
Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/02/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Logigo, fornecedora das marcas, afirma que novidades chegam este ano
  • Assistente virtual é treinada com diferentes sotaques do Brasil
  • Conexão 4G terá roteador específico conectado à porta OBD
  • Chevrolet já anunciou que terá 4G em toda a sua gama no Brasil

2019 será o ano dos carros conectados no Brasil, e as montadoras estão na briga para saber qual será a primeira a oferecer internet a bordo de carros nacionais. A Chevrolet já anunciou, no último Salão do Automóvel, a oferta de conexão 4G em toda a sua gama, incluindo Onix e Prisma de nova geração. Mas UOL Carros apurou que Nissan e Mitsubishi preparam serviço semelhante.

A ser introduzido no início do segundo semestre, o sistema conectado promete ser também inteligente: uma assistente virtual, baseada em inteligência artificial, será capaz de "conversar" com os usuários em linguagem natural e entender diferentes sotaques regionais brasileiros.

A informação obtida com exclusividade pela reportagem é de Antonio Azevedo, CEO da Logigo Automotive, empresa com capital 100% brasileiro que projeta as novas centrais multimídia das duas marcas japonesas. De acordo com o executivo, a nova plataforma, chamada de Disruptiv, já está em fase final de desenvolvimento e será apresentada em meados de 2019.

Previsão é que esteja nas versões mais caras dos seguintes modelos da Nissan: March e Versa (SV e SL); Kicks (SL); e Sentra (SV e SL). No caso da Mitsubishi: Eclipse Cross, além de Triton, Pajero Full e Outlander.

De acordo com Azevedo, o 4G será disponibilizado por meio de um roteador 4G, plugado na porta OBD dos veículos, a mesma utilizada pelos "scanners" das oficinas mecânicas (e aplicativos de autodiagnóstico como o Engie), abrindo um leque de possibilidades de interação do usuário com os veículos e as próprias montadoras. Com o carro conectado, será possível identificar necessidade de reparo ou revisão e agendar atendimento na concessionária mais próxima -- tudo como já ocorre em alguns modelos de luxo.

Infelizmente, nada de aproveitar a tecnologia e-SIM, que dispensa chips plásticos e já é usada em smartphones e smartwatches -- e que dará vida à nova leva de automóveis ligados no 5G.

O executivo da Logigo explica que bastará adquirir um chip com plano de dados para manter o veículo sempre conectado à internet. Já existem, aliás, conversas com duas operadoras para oferecer algum tipo de benefício ao cliente. "Seria uma linha, um plano de dados adicional ao que você já tem", afirma Azevedo.

Internet dedicada e assistente virtual representarão, para as montadoras, um custo cerca de 15% superior ao cobrado para instalar os sistemas atuais de espelhamento da tela oferecidos por Google (Android Auto) e Apple (CarPlay), que têm-se popularizado nos últimos dois anos.

"É uma diferença irrisória sabendo que a fabricante vai converter isso em receita recorrente depois, além de aumentar a retenção do cliente. Imagine, por exemplo, que você tem um Kicks adquirido em 2017 e sai o modelo novo em 2019. Você pode receber um cupom de desconto para fazer o test-drive em um determinado dia e isso aumenta a retenção", salienta.

Procurada, a Nissan informa que "não comenta projetos futuros", embora uma fonte inteirada dos planos da fabricante confirme que há projeto de atualizar o sistema multimídia da marca em diversos modelos da gama. A Mitsubishi também foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Atualmente, a central Muti App da Nissan já conta com uma loja própria de aplicativos, incluindo o Waze, que são instalados diretamente no automóvel. Até agora, o equipamento precisa ser pareado a um smartphone com plano de dados ativo para se ligar à rede mundial via Wi-fi.

CarPlay e Android Auto no passado

"Quando a gente fala em carro conectado, ele vai ter de ser um dispositivo autônomo, que não precisa mais de um celular para funcionar. Isso não tem mais volta. Tenho 100% de certeza que CarPlay e Android Auto estão com os dias contados, serão coisa do passado dentro de cerca de dois anos, porque não fazem com que o carro esteja de fato conectado".

"É uma solução que joga algum entretenimento por meio do seu celular para fazer coisas que estão no smartphone e não no veículo", analisa. O chefe da Logigo acrescenta que outras montadoras estão em conversas para contar com essa tecnologia.

Carro vai interagir e entender sotaques

Mas a "cereja do bolo" é mesmo a assistente virtual alimentada por inteligência artificial, batizada de "Lia" pela companhia, mas que poderá ser rebatizada na aplicação por cada montadora. A intenção, diz ele, é transformar o automóvel em "algo semi-humano".

De acordo com Azevedo, a Lia poderá "aprender" o trajeto que você faz diariamente e perceber, na véspera, que o veículo não terá combustível suficiente no dia seguinte -- neste caso, um alerta será dado. A interação, quando o motorista estiver longe do veículo, vai acontecer por meio de um aplicativo de celular.

Outra funcionalidade prevista: ajustar automaticamente a temperatura do ar-condicionado de acordo com a temperatura ambiente. Você poderá, explica Azevedo, indicar que a temperatura do veículo sempre estará dois graus abaixo da externa. Mais uma: sugerir uma música de acordo com as preferências e até o humor do usuário. "Todas essas funções poderão ser desligadas pelo cliente e estão de acordo com a legislação atual de privacidade", aponta.

Por funcionar se adaptando constantemente a conversas em ritmo natural, o sistema da Logigo promete, inclusive, ser capaz de entender diferentes sotaques regionais do país e aprender novas palavras, tanto da norma culta, quanto de gírias. Tudo para atender ao motorista, sem tirar sua atenção do trânsito.

"Vai aprender com seus hábitos, entendendo sotaques e até gírias, em linguagem natural", promete o CEO da Logigo.

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