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Sindicato diz que Ford "vai pagar preço" por fechar fábrica em São Bernardo

Rodrigo Paiva/Folhapress
Operário na linha de montagem da Ford em São Bernardo do Campo (SP) Imagem: Rodrigo Paiva/Folhapress

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

2019-02-19T19:20:52

19/02/2019 19h20

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirmou que a Ford "vai pagar o preço" pela decisão de fechar a fábrica de São Bernardo do Campo, anunciada na tarde desta terça-feira (19), e que "vai fazer a luta necessária para reverter essa decisão". As afirmações foram feitas em vídeo, publicado na página oficial da entidade no Facebook, com fala de Wagner Santana, o Wagnão, presidente do sindicato.

"Cada trabalhador ou trabalhadora da Ford, direto ou indireto, será atingido diretamente por uma empresa que quer visar ao lucro somente (...). Se ela tem essa intenção, ela há de pagar o preço pela decisão que está tomando. Não vai desistir do Brasil e dos seus trabalhadores dessa forma e continuar vendendo tranquilamente em nosso mercado", falou o dirigente, ressaltando que "nós não desistimos que essa fábrica se mantenha aqui na região".

Wagnão, que é funcionário da Volkswagen, também instalada na cidade do ABC, disse também que a notícia já era esperada, embora tenha sido comunicada aos sindicalistas apenas nesta terça, quando o comunicado oficial veio a público. "Em janeiro, fizemos uma assembleia na portaria da fábrica, decretamos estado de luta e pedimos para que essa reunião acontecesse e que a Ford deixasse clara a real intenção em relação a essa fábrica".

Ainda de acordo com o sindicato, a fábrica de São Bernardo hoje emprega aproximadamente 2.800 trabalhadores diretos e dezenas de terceirizados - a Ford informa que a unidade tem hoje aproximadamente 3.000 colaboradores ativos, entre diretos e indiretos, e que "haverá um impacto significativo nos empregos".

Manifestação na Sé

Renato Almeida, o Renatinho, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, afirmou a UOL Carros que haverá uma manifestação contrária ao fechamento da fábrica da Ford na Praça da Sé, amanhã, na região central da capital paulista. O evento, chamado "Dia Nacional em Defesa da Previdência Pública", é organizado por centrais sindicais como CUT e Força Sindical e originalmente tinha o objetivo de protestar contra a Reforma da Previdência. No entanto, a pauta foi ampliada por conta do anúncio da Ford.

Embora não trabalhe na Ford -- Almeida é funcionário da fábrica da GM em São José dos Campos, no Vale do Paraíba --, ele critica a decisão da Ford. "O que assistimos é a sede desenfreada por lucros, ignorando de forma covarde o drama de milhares de trabalhadores, que podem ser jogados no olho da rua. Expressamos toda a nossa solidariedade aos trabalhadores da Ford e queremos deixar claro: estaremos apoiando a luta de vocês de forma consistente e absoluta", afirmou o vice-presidente por meio de nota.

Prefeitura de São Bernardo do Campo se revolta

A prefeitura de São Bernardo do Campo recebeu a decisão da Ford com indignação:

"Pelo menos poderiam ter respeitado o Brasil e a nossa cidade.

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, está indignado com o fato de a Ford não ter avisado e tampouco dialogado com ninguém sobre sua decisão de deixar de atuar no segmento de caminhões na América Latina.

São 2.800 famílias diretamente e outras 2.000 indiretamente que mereciam uma chance de reagir, isso é uma covardia.

"Sempre apoiamos o trabalhador de verdade, sempre respeitamos aqueles que geram empregos, por que agir assim?"

O prefeito está inconformado, e, assim que soube da notícia pela imprensa, procurou o presidente da Ford no Brasil, que ainda não o atendeu. Houve contato também com o gabinete do presidente da República, Jair Bolsonaro, e o prefeito aguarda o retorno.

O governador João Doria já se colocou à disposição para que junto com o prefeito pressione o presidente da Ford a fim de entender os motivos, amenizar o caos e garantir justiça e dignidade aos trabalhadores e a população de São Bernardo."

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