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Duelo: JAC T80 encara Caoa Chery Tiggo 7. Qual é o melhor SUV médio chinês?

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Chery Tiggo 7 e JAC T80: marcas chinesas também podem fazer SUVs de luxo Imagem: Arte UOL Carros

Vitor Matsubara, Fernando Miragaya

Do UOL, em São Paulo (SP), com colaboração

2019-02-14T11:00:00

14/02/2019 11h00

Resumo da notícia

  • SUVs de luxo passam dos R$ 100 mil e miram Compass e ix35
  • Origens distintas: Tiggo 7 é feito no Brasil; T80 vem da China
  • T80 custa R$ 139.990 e é mais potente: 210 cv
  • Tiggo 7: parte de R$ 106.990 e tem motor 1.5 turbo de 150 cv
  • Preço do T80 vai a R$ 145.990 com teto solar e som com 10 alto-falantes
  • Ambos têm seis airbags, câmera 360º e ar-condicionado dual zone

Chegou o momento em que o mercado brasileiro passa a contar com a opção de modelos desenvolvidos na China com espaço para uso familiar, boa dose de tecnologia, mecânica mais avançada. Na mesma semana, Caoa Chery Tiggo 7 (apresentado à imprensa especializada na última segunda-feira) e JAC T80 fazem sua estreia no segmento de SUVs médios do país.

Ambos chegam com a carga de rivais, mas serão "novatos" frente ao pioneiro Lifan X80, que começou a ser vendido em junho de 2018. A ideia de JAC e Lifan é conquistar o maior número possível de emplacamentos, apostando em porte e nível de equipamentos, em segmento no qual a referência é o Jeep Compass -- mas Hyundai ix35, Kia SportageMitsubishi Eclipse CrossPeugeot 3008 e Volkswagen Tiguan Allspace também são boas apostas.

Assim, JAC T80 e Caoa Chery Tiggo 7 (bem como o Lifan X80, que vamos deixar de lado nesta reportagem) têm etiqueta com valores bem acima da faixa dos R$ 100 mil. Mas o que eles entregam ao consumidor? Valem a aposta? 

Preços de JAC T80 e Caoa Chery Tiggo 7

Apontado pela JAC Motors como seu modelo topo de linha, o T80 tem 4,79 metros de comprimento, espaço para sete passageiros e uma única versão. O preço é de R$ 139.990, que pode ser ampliado por um único pacote opcional de R$ 6.990. Assim, o JAC T80 "completão" custa R$ 146.980.

Já o Caoa Chery Tiggo 7 é "uma régua escolar", com 4,50 m, apostando na cabine para cinco passageiros. São duas configurações de acabamento com os seguintes valores: T (R$ 106.990) e TXS (R$ 116.990).

Motorização

O Tiggo 7 vem com um motor 1.5 turboflex de 150/147 cv, (o mesmo do Arrizo 5) associado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem com seis marchas. O torque máximo é de 21,4 kgfm a 4.000 rpm com etanol ou gasolina.

Já o T80 traz um 2.0 turbo movido apenas a gasolina, que entrega 210 cv e torque máximo de 30,6 kgfm entre 1.800 rpm e 4.000 rpm. Sua transmissão também é automatizada de dupla embreagem com seis marchas.

Equipamentos

Os dois SUVs são bem recheados. O Tiggo 7 é vendido em duas versões (T e TXS) e desde a configuração mais barata oferece faróis com led e acendimento automático, espelho rebatível com aquecimento, rodas 17, faróis de neblina com função cornering (fachos acompanham o movimento do volante nas curvas), banco do motorista com ajuste de altura manual, vidros com função one-touch, porta óculos, chave presencial, partida do motor por botão, freio de estacionamento elétrico, saída de ar condicionado traseira, ar digital, central multimídia de nove polegadas com Android Auto e Apple CarPlay, sensor de chuva, câmera de ré, sensores dianteiros e traseiros, computador de bordo com tela de 4,8 polegadas, sensor de pressão e temperatura dos pneus, ganchos para fixação de cadeirinhas Isofix, controle de estabilidade, controle de tração, assistência de partida em rampas.

A versão TXS vem com todos os itens da versão anterior, mais teto solar elétrico, rodas aro 18, luz de boas vindas, luz ambiente interna, bancos em couro natural e sintético, banco do motorista com ajustes elétricos, descansa braço traseiro, ar condicionado com duas zonas de temperatura, airbags laterais e de cortina e câmera com visão em 360 graus.

O T80, por sua vez, é importado para o Brasil em versão única. Vem com partida do motor por botão, espelhos retrovisores com rebatimento elétrico, acendimento automático dos faróis, destravamento das portas sem chave, faróis com luzes diurnas de LED, sensor de chuva, controle de velocidade em cruzeiro, computador de bordo, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, volante multifuncional, câmera de ré, bancos revestidos em couro, câmera de ré, assistente de partida em rampas, controles de estabilidade e de tração, câmera com visão em 360 graus, sensor de pressão dos pneus, ganchos para fixação de cadeirinhas Isofix, painel digital com tela de 12,3 polegadas e central multimídia com tela tátil de 10 polegadas com suporte a Apple CarPlay e Android Auto.

O pacote opcional acrescenta teto solar e sistema que a JAC chama de "som Infinity".

Espaço interno

Ninguém reclama de aperto nos dois SUVs. O Chery Tiggo 7 acomoda muito bem quatro adultos e uma criança. A posição de dirigir não foge muito daquela tão apreciada pelos fãs de utilitários esportivos, mas não é alta demais. Pelo contrário, ela chega até a ser um pouco esportiva. O volante oferece boa empunhadura e a visibilidade é satisfatória. Quem viaja no banco de trás desfruta de um bom espaço para joelhos e cabeça, mesmo para as pessoas mais altas.

Por ser maior, o JAC T80 oferece espaço suficiente para cinco adultos. Na frente, motorista fica folgado com pernas, joelhos e ombros. Os bancos dianteiros têm ajustes elétricos e resfriamento, enquanto o banco da segunda fileira é deslizante. Ali atrás, três adultos vão numa boa, mas o passageiro do meio pode ficar incomodado com o calombo do encosto para o descansa braço embutido e o discreto túnel da transmissão. No assoalho do porta-malas estão instalados, com acionamento basculante, os dois últimos bancos, indicados apenas para crianças. 

Volante traz boa pegada e a posição elevada de dirigir agrada. Só não é melhor porque a direção inexplicavelmente não tem regulagem de profundidade.

Desempenho

Os chineses estão antenados com as tendências de downsizing das motorizações, já que ambos aproveitam as vantagens do turbocompressor em seus carros. O motor 1.5 turboflex do Tiggo 7 prioriza o conforto, mas não nega fogo quando é convocado. Durante o test-drive de aproximadamente 150 km até o litoral paulista, o SUV mostrou boas respostas mesmo em subidas longas. É verdade que o câmbio poderia funcionar de forma mais suave e ágil em algumas situações (como em ultrapassagens, quando ele demora um pouco para reduzir marchas e fazer o carro embalar), mas nada que incomode.

O Tiggo 7 ganha velocidade rapidamente e é gostoso de guiar. Estável a 120 km/h, o motor se mantém em 2.500 rpm e o nível de ruído merece destaque: quase não se ouve nada dentro do veículo. Sua suspensão tem um ajuste bem adequado ao piso brasileiro, absorvendo bem buracos e demais irregularidades sem fazer os ocupantes balançarem de um lado para o outro. A direção, porém, poderia ser um pouquinho mais pesada em velocidades altas, exigindo até eventuais correções.

Nosso contato com o T80 foi de 250 km pelo interior paulista basicamente em estradas bem asfaltadas, retas e planas, o que facilitou a vida para o motor 2.0 turbo. Os 210 cv movem bem o jipão, com saídas bem dispostas. 

Só que o SUV ganha força conforme o giro sobe, e o câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas faz trocas suaves e ágeis. Em retomadas a velocidades de 80 km/h, há um pequeno delay ao se pisar no pedal do acelerador.

Mas felizmente o momento de indecisão da caixa é breve. O motor segura os giros por uns "segundinhos", o turbo entra em cena de forma suave e com discreto lag e logo o T80 pega fôlego. O bom é que se tem essas respostas fortes em ampla faixa de rotações -- de 2.000 até as 4.000 rpm.

No modo S da alavanca de câmbio, o motor sobe levemente de giro e as respostas ficam algo mais rápidas. Mas nada de uma pegada esportiva como no Tiguan.

Até porque o T80 prioriza conforto. Em velocidade de cruzeiro, entrega o obrigatório para um veículo desse preço. O rodar é suave e o conta-giros fica abaixo das 2.000 rpm a 110 km/h permitidos.

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