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#Avaliação - Hyundai Creta: como anda o SUVinho mais vendido de 2018? Veja

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

2019-01-23T07:00:00

23/01/2019 07h00

Modelo feito em Piracicaba (SP) aposta em espaço interno e conteúdo para vencer rivais, mas tem desempenho mediano e consumo alto

Foram menos de 1.000 unidades que fizeram o Hyundai Creta ser o SUV compacto mais vendido de 2018. Há tempos que o modelo flertava com o primeiro lugar, mas a vitória se confirmou apenas em dezembro: foram 48.976 emplacamentos contra 47.959 do vice-líder Honda HR-V. Mas quais virtudes levaram o Creta ao topo? 

UOL Carros avaliou a versão Prestige, que parte de R$ 104.990. O exemplar avaliado, porém, tinha a pintura perolizada Vermelho Chilli (R$ 1.200), elevando a conta para R$ 106.190. Após uma semana de convivência, não foi difícil descobrir porque o Creta obteve esta façanha, já que ele ainda reúne boas virtudes mesmo após dois anos de mercado. 

Uma das principais qualidades é o generoso espaço interno, permitindo levar quatro adultos e uma criança sem dificuldades. Com um pouco de esforço dá até para viajar com cinco adultos, até porque é bom o espaço para os ombros no banco de trás. As pernas do quinto elemento também não sofrem tanto por conta do assoalho traseiro praticamente plano. E ninguém vai passar calor porque o Creta Prestige oferece um par de saídas de ar-condicionado para o banco traseiro.

Bem equipado

O porta-malas oferece bons 431 litros e um compartimento plano, ideal para acomodar bagagens de todos os tamanhos. O único porém está na hora de fechar a tampa, já que ela não fecha tão facilmente assim. Não foram raras as vezes em que precisamos colocar uma boa dose extra de força para travar o compartimento -- e só descobrimos quando estava tudo certo ao consultar o aviso no painel de instrumentos, já que a tampa não parecia estar mal fechada.

Já o acabamento interno está na média do segmento. Os coreanos resolveram usar marrom por todos os lados na versão Prestige: a cor aparece no console central, nas portas e até na chave presencial. Há muito plástico, mas a qualidade de construção é boa. A ergonomia é outro ponto positivo do projeto: a tela da central multimídia está bem posicionada e os principais comandos ficam ao alcance das mãos do motorista.

Quem investir quase R$ 105 mil no Creta receberá em troca uma boa lista de equipamentos. O SUV vem com ar-condicionado digital (de uma zona só), direção elétrica, bancos revestidos em couro, airbags laterais e do tipo cortina, central multimídia com tela tátil de sete polegadas e suporte a Android Auto e Apple CarPlay, câmera de ré, rodas de liga leve, destravamento das portas sem chave e partida do motor por botão.

Porém, o modelo fica devendo quando comparado com alguns rivais. Vamos tomar como exemplo o Citroën C4 Cactus: embora seja menor, ele oferece itens como sistema de frenagem autônoma, alerta de permanência em faixa, alerta de colisão e airbags laterais e do tipo cortina. E ainda tem o motor 1.6 turbo de 165 cv. Tudo por R$ 99.990.

O design ainda não envelheceu, mas nunca foi o principal chamariz do Creta. Aparentemente o visual de "mini-Santa Fe" ainda agrada quem procura um SUV compacto, especialmente pela semelhança com os modelos mais caros da marca. A grade frontal em formato de hexágono tem moldura cromada, acabamento presente também nas maçanetas externas.

A Hyundai, inclusive, nos emprestou o veículo com o Key Band, pulseira que faz as vezes de uma chave presencial, destravando as portas e ligando o motor pelo botão. Até agora o acessório foi oferecido apenas na série limitada One Million, mas vamos te contar um segredo (só não fale para ninguém?): futuramente a Hyundai deve oferecer o Key Band em alguma versão do Creta.

Gasta bem

Equipado com o mesmo motor 2.0 flex do Elantra, o Creta não anda tão bem quanto os 166 cv (abastecidos com etanol) sugerem. Apesar do desempenho satisfatório no dia a dia, o SUV é um pouco lento nas retomadas. Existe um culpado? Sim, e é o câmbio automático de seis marchas, que demora a entender o recado mesmo se o motorista pisar no pedal do acelerador até o fundo. Trocar as marchas de forma manual até ajuda, desde que você não ligue para paddle shifts, já que isso pode ser realizado apenas por toques na alavanca do câmbio.

O consumo é provavelmente o calcanhar-de-aquiles do Creta. Percorremos mais de 300 km a bordo do SUV sempre com etanol no tanque, e não conseguimos fazer mais do que 8 km/l tanto na cidade quanto na estrada. Nada muito diferente das médias divulgadas pelo Inmetro: 6,9 km/l em trechos urbanos e 8,2 km/l em percurso rodoviário.

O Creta é uma opção interessante para quem procura um SUV compacto. Não é o mais moderno nem o mais tecnológico disponível no mercado. Porém, ele oferece qualidades que o consumidor deste tipo de veículo sabe apreciar muito bem, como espaço interno, conteúdo e um design classudo. São esses predicados que ajudam a justificar o sucesso do modelo. Resta saber agora se ele conseguirá manter a liderança em 2019.

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