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Ameças de Trump e Brexit ameaçam venda de carros na Europa em 2019

Michael Probst/AP
Fábrica da Opel na Alemanha: mesmo o maior país produtor se vê ameaçado Imagem: Michael Probst/AP

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, de Bruxelas

10/01/2019 07h00

Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis criticou prorrogação de taxas para importação de aço pelos EUA

O balanço total das vendas de 2018 sai apenas na semana que vem, mas as previsões para 2019 já são negativas. Segundo a entidade, que representa os 15 maiores produtores do continente, a prorrogação de taxas extras para aço importado, criadas para responder a restrições adotadas pelo governo Donald Trump nos Estados Unidos, não leva em conta as necessidades do setor e terá impacto negativo na competitividade das fabricantes.

Enquanto a China tenta resolver sua guerra comercial com os EUA, também impulsionada por restrições ao aço, a ACEA (Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis) se manifestou nesta semana contra medidas propostas pela Comissão Europeia para restringir a importação do metal. Também manifestou preocupação com a possibilidade de o Reino Unido deixar a União Europeia (o "Brexit") sem um acordo.

"A indústria automotiva da União Europeia já está enfrentando grandes incertezas no comércio global. Essas medidas de proteção para as importações de aço chegam em um momento desafiador para o setor e afetarão negativamente a competitividade dos fabricantes europeus", afirmou o secretário geral da ACEA, Erik Jonnaert.

O executivo ressaltou que a "ameaça das tarifas de segurança nacional dos EUA sobre as importações de veículos e de autopeças está sempre presente. Para ele, também não se pode descartar o efeito nocivo da "possibilidade de um Brexit sem acordo".

Em março de 2018, após as medidas norte-americanas, a Comissão Europeia deu início a um inquérito sobre as importações de aço para o bloco e, em julho, definiu uma contingência provisória: taxa de 25% às importações acima de um determinado nível.

Em 20 de dezembro, a Comissão propôs aos 28 Estados membros da União Europeia que essas medidas provisórias continuem até julho de 2021.

A ACEA questiona a necessidade de "medidas protecionistas de comércio" e alega que os produtores de aço europeus já são "altamente protegidos por medidas anti-dumping e anti-subvenções".

De acordo com a entidade, no setor de automóvel, o acesso à produção de aço da União Europeu é extremamente apertado e as importações continuam a ser necessárias para preencher as lacunas da cadeia de abastecimento, mas, por outro lado, os produtores de aço se beneficiariam de preços elevados a longo prazo e de excelentes taxas de utilização da capacidade, especialmente na indústria automobilística. 

"Os resultados financeiros dos produtores europeus nos últimos anos são uma indicação clara da situação de mercado muito positiva para eles. As importações de aço para a União Europeia aumentaram no último ano porque a produção industrial europeia cresceu substancialmente desde a crise econômica", justifica Jonnaert. "A fabricação de veículos aumentou em 5 milhões de unidades por ano desde 2014 e um aumento nas importações de aço foi necessário para atender a essa demanda mais alta."

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