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Avaliação: BMW Série 3 2019 é melhor de guiar e finalmente tem tecnologia

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, de Portimão (Portugal)

12/12/2018 00h01

Sexta geração do sedã chega ao Brasil em março de 2019, primeiro por importação; UOL Carros já experimentou

Mudar sempre é arriscado e complexo, ainda mais quanto se trata de carros emblemáticos. É preciso renovar, inovar, atender novas demandas e, ao mesmo tempo, não perder a identidade. No entanto, a BMW parece ter feito um bom trabalho com a nova geração do icônico Série 3. 

Desde a primeira geração, lançada em 1975, foram vendidas mais de 15,5 milhões de unidades no planeta. Até hoje, mesmo com o recente avanço dos SUVs, o sedã segue sendo o modelo mais vendido da marca alemã. A sétima geração, lançada no Salão de Paris, em outubro deste ano, foi também uma das atrações do Salão de São Paulo, em novembro: ficou maior, mais esportiva e herda tecnologias de assistência de condução e conectividade de Série 5 e Série 7.

O que mudou

A ampliação das medidas, embora possa incomodar fãs mais puristas, era inevitável para encarar rivais mais espaçosos e versáteis. Também fez bem ao design, agora mais parrudo, com vincos e a grelha pronunciada e mais tridimensional. O conjunto ótico, com tecnologias LED e laser, também ficou mais agressivo e moderno.

O multimídia inteligente conversa com o motorista, como acontece com assistentes inteligentes de telefones celulares e com o novo sistema da rival Mercedes-Benz (nós testamos o MBUx no Salão de São Paulo). Esse ganho de recursos também fez bem ao modelo e à própria marca, que há tempos insistia em manter uma central um tanto confusa, parada no tempo.

Há ainda itens de condução semi-autônoma para ajudar o condutor no dia a dia, com sistemas herdados de segmentos superiores, mas que também já começam a equipar diversos rivais.

Com tudo isso, o novo Série 3 chega ao Brasil com um primeiro lote importado da Alemanha, entre março e junho do ano que vem, seguido da produção na fabrica da BMW em Araquari (SC) até o final do ano.

Mas como o novo Série 3 se porta com tantas mudanças mecânicas e de tecnologia? Vamos ao teste

Como ele anda

UOL Carros dirigiu em Portugal a versão 330i, com o motor TwinTurbo 2.0 de quatro cilindros a gasolina, gerando 258 cavalos de potência máxima e 40,8 kgfm de torque máximo, pareado ao câmbio automático de oito velocidades.

Trata-se da opção mais próxima do que chegará ao Brasil no lote importado -- a marca ainda não definiu os equipamentos, nem se a nacionalização contará com já conhecida adaptação ao etanol.

Não é um novo motor. Segundo Horst Keller, responsável pelo desenvolvimento dos propulsores do Série 3, ele foi "supremamente refinado", mas é o mesmo, o que deve facilitar a manutenção do sistema ActiveFlex. "Muitas pequenas mudanças, mas complexas, para um melhor desempenho e a redução de consumo e emissões [foram feitas no motor atual]", afirmou o engenheiro.

Entre as alterações, a otimização do sistema de circulação de ar, novos materiais e formatos na construção do bloco para evitar microdeformações ao longo do ciclo de vida do carro. O sistema de arrefecimento foi dividido para atingir apenas a cabeça dos cilindros e não partes do motor que precisam permanecer aquecidas. Houve um ganho de cerca de 7 cv e 5 kgfm.

Nas rodovias expressas da região do Algarve, o motor foi ágil em acelerações e retomadas, atingindo velocidade com facilidade e trabalhando suavemente a rotações intermediárias. Destaque para o bom torque já a giros baixos e para o silêncio. A 120 km/h, em termos de estabilidade, ruído e conforto, a impressão é de se estar a 60 km/h.

O motor trabalha afinado com o câmbio, este de nova geração, apesar da manutenção das oito marchas, que contribui para a agilidade do sedã. As trocas estão mais curtas e precisas. Vale lembrar que o peso foi reduzido em 55 kg e a rigidez da carroceira é 50% maior, o que também ajuda.

Pegada evoluiu

Embora jargões e anglicismos devam ser evitados, o ponto alto do modelo é justamente o "handling", expressão que, neste caso, pode ser traduzida como manejo, a dirigibilidade. Ou pegada do carro, a sensação que o motorista tem ao volante. É perceptível que a nova geração está mais "na mão do motorista" do que a anterior, com uma resposta mais célere e mais acurada aos seu comandos na direção.

Este Série 3 cresceu para os lados, manteve a altura (1,44 m) e o centro de gravidade foi reduzido em 1 cm, com uma distribuição de peso rigorosamente distribuída 50/50 entre dianteira e traseira, elevando a estabilidade. Assim, o Série 3 contorna as curvas com desenvoltura e esportividade, um dos focos desta geração.

Mérito também da suspensão adaptativa -- todas as unidades testadas tinham o pacote M Sport, que traz este item. A eletrônica rebaixa o veículo conforme a necessidade de se adaptar às irregularidades do solo, priorizando deixar o modelo colado no chão, bem como um acerto mais firme, quando em velocidades elevadas.

A absorção de choques ou mesmo de imperfeições do asfalto evoluiu. Aquela quicada na traseira em buracos não ocorre ou é mínima. Segundo a BMW, as versões sem a suspensão adaptativa contarão com um novo sistema hidráulico desenvolvido pela marca. Pequenas válvulas na dianteira e na traseira aplicam uma força na direção contrária a eventual subida ou descida destas porções do veículo para corrigir solavancos.

A assistência de condução autônoma mantém bem a trajetória, sem ficar quicando de um limite de faixa ao outro, e percebe bem a via. É atuante, sem ser inconveniente. Em curvas, porém, basta fechar um pouco para o sistema passar a bola ao motorista repentinamente (veja vídeo).

Mais espaçoso

O espaço da cabine também melhorou. Afinal, o novo Série 3 cresceu 8,5 cm em comprimento (4,70 m), está 1,6 cm mais largo (1,82 m) e ganhou 4 cm na distância entre os eixos (2,85 m).

Com o banco do motorista ajustado para um adulto na casa dos 1,70 m, um passageiro de altura similar vai atrás com boa folga para as pernas e mais de um palmo entre o assento dianteiro e seu joelho. Dois ficam bem acomodados no banco traseiro. Um quinto passageiro sofre, com o túnel central incomodando os pés e uma área menor para o corpo.

O acabamento é cuidadoso, com texturas metálicas alternando com o couro para dar um ar mais moderno. Finas faixas de iluminação ficam no limite entre o requintado e o brega. 

O quadro de instrumentos digital de 12 polegadas e o multimídia, finalmente sensível ao toque, de 10 polegadas, são um salto perto de versões do Série 3 com nanicas 2,5 polegadas. No entanto, na Europa, ambas são opcionais e é preciso ver o que a BMW decidirá sobre as configurações e preços do Brasil.

Tudo isso, claro, deve gerar também um salto no preço, algo já visto com os rivais. A geração atual do Série vai de R$ 169.950 a R$ 259.950 e os rivais são o Mercedes Classe C (renovado em meio de ciclo), de R$ 188 mil a R$ 260 mil, além do Audi A4, R$ 193 mil a R$ 253 mil.

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