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Opinião dos donos: Nissan Altima é comparado até com Mercedes-Benz

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Aldo Silva, de São Paulo, está com seu Altima depois de dois Hyundai Azera. "Hoje o que mais gosto é a dirigibilidade" Imagem: Arquivo pessoal

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, do Rio de Janeiro (RJ)

29/10/2018 07h00

Legião de fãs do sedã norte-americano não se importam com valor de revenda ou mesmo com saída de linha do modelo aqui no Brasil

Modelo que já saiu de cena é sempre um drama para quem vê automóvel como negócio. Imagine, então, um sedã grande da Nissan importado da América do Norte, com pinta de carro de tiozão e que ficou menos de um ano no mercado brasileiro. Nada disso assusta, contudo, uma legião de fãs do Altima, cujas virtudes venceram qualquer desconfiança e receio.

Coragem não faltou a três desses felizes proprietários do Altima.

Isso porque eles não compraram o carro 0 km, mas sim usado e já depois de a Nissan ter batido o martelo sobre o fim da importação -- o sedã foi lançado em novembro de 2013 no Brasil e parou de ser vendido no ano seguinte.

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O empresário e engenheiro mecânico Carlos Kato, 55, por exemplo, comprou seu exemplar em 2016 depois de dois Mercedes Classe C (um C 180 e outro C 240). Foi motivado pela boa experiência que teve com um Versa (seu primeiro Nissan) e pela quantidade de Teana (nome do Altima em mercados do oriente) que via nas ruas em suas frequentes viagens pela Ásia.

"Como viajo muito, isso serviu de parâmetro para a escolha. O sedã é muito vendido e tem ótima reputação por lá, além de excelente custo benefício e baixo consumo de combustível. Gostava dos Mercedes, mas o Altima não deixa nada a desejar em conforto e é mais discreto", explica Kato, que mora em São Paulo.

O recheio do Altima realmente surpreendia para a época. Trazido na versão única SL, chegava com itens de segurança importantes, como monitoramento de faixa, assistente de partida em rampas, sensor de ponto cego e monitoramento da pressão dos pneus, além de seis airbags, controles de estabilidade e de tração, câmera de ré, regulagem de altura dos faróis e sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis.

Em conforto, fora o espaço de um veículo com 2,77 m de entre-eixos e do acabamento caprichado, ele trazia bancos e volante com aquecimento, chave presencial, assento do motorista com ajustes elétricos, revestimento de couro e sistema multimídia com GPS. Nem mesmo o freio de estacionamento por pedal, típico do mercado ianque, incomoda.

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Empresário e engenheiro, Carlos Kato comprou seu Altima em 2016 depois de dois Mercedes Classe C Imagem: Arquivo pessoal

Sedutor

O nível de equipamentos e o desenho do carro seduziram Marcelo Soares, 50, de Campo Grande (MS). O comerciário trocou seu Toyota Corolla GLi 2014 pelo Altima de mesmo ano em julho de 2017, mas o sedã já tinha chamado sua atenção antes. "A beleza, imponência e ótimo custo benefício me atraíram. Vi pela primeira vez o Altima no fim de 2013, em uma concessionária da Nissan, e fiquei impressionado com a qualidade", relata.

O conforto no rodar e a bordo é outro motivo de elogios. Aldo Silva, 49, gerente comercial de São Paulo, está com o sedã há menos de cinco meses depois de dois Hyundai Azera. "Hoje o que mais gosto é a dirigibilidade. O carro é muito confortável, tem ótima posição para dirigir, acústica perfeita, além de um motor que responde muito bem, que também é econômico", comenta.

A eficiência do motor quatro-cilindros 2.5 16V de 182 cv, aliado ao câmbio CVT que simula seis marchas, é praticamente unanimidade entre os donos. Carlos Kato roda 200 quilômetros por semana e jura que o seu Altima bebe menos que o Honda Fit EX CVT 2012 da esposa.

"Conforto, baixíssimo nível de ruído, suspensão muito bem calibrada e conjunto mecânico são os pontos altos. O carro tem uma qualidade de construção muito boa, além de ser muito mais econômico que qualquer outro da categoria. Cheguei a fazer 18 km/l na estrada", garante.

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O nível de equipamentos e o desenho do carro seduziram Marcelo Soares, 50, de Campo Grande (MS) Imagem: Arquivo pessoal

E as peças?

Com o carro fora do mercado brasileiro há mais de quatro anos, a preocupação com manutenção e peças é natural. Mas, para os três, não.

Segundo eles, o Nissan bebe na mesma fonte que as conterrâneas Honda e Toyota, marcas japonesas conhecidas por fazerem carros duráveis. De qualquer forma, a manutenção é feita em mecânicos de confiança justamente para fugir dos preços das revendas.

"O carro não quebra. Rodo uns 40 km por dia, fora os fins de semana. Até hoje só troquei óleo e filtro", diz Soares.

Além disso, as peças de reposição são fáceis de achar na opinião deles. Seja por dicas por meio de grupos e fóruns em canais digitais ou mesmo por importação independente. "Como trabalho com importação, particularmente tenho facilidades para obter peças. Mesmo assim, a reposição é baixa. Por exemplo: velas e pastilhas de freio são trocadas a uma quilometragem bem mais alta que nos veículos nacionais", explica Kato.

Com tantos elogios, as dicas para quem tem ou quer um Altima são bem pontuais e comuns. "Para quem já tem, aconselho cuidar muito bem pois não se acha nada que ofereça tanto por este preço. Para quem quer, pechinche bastante pois o garagista, embora reconheça que o carro é excelente, quer 'sair' o mais rápido possível do carro por questão de mercado", sugere Soares.

Pois é: a desvalorização é inevitável. Pela tabela Fipe, o Altima 2014 vale pouco mais que R$ 62 mil, mas em anúncios na internet é possível encontrar exemplares com preços abaixo de R$ 60 mil. A liquidez também é complexa -- os proprietários concordam que quem pensa desta forma jamais teria um carro deste tipo.

"Em relação à revenda, prefiro não pensar muito. Acho que o prazer de ter este veículo compensa", defende Aldo Silva.

"Infelizmente o poder aquisitivo no Brasil faz com que as pessoas comprem carro pensando na revenda. Eu deixo isso em segundo plano. Quero algo que me agrade", afirma Marcelo Soares.

O comerciário de Mato Grosso do Sul diz que uma das poucas coisas em que mexeria no Altima seria na suspensão (McPherson na frente e multibraço atrás), com uma calibragem que lidasse melhor com as ruas brasileiras. Mas não esconde uma ponta de mágoa com a Nissan por não ter apostado nas virtudes do sedã no Brasil.

"O Altima é um carro muito melhor do que o Fusion, por exemplo. Só que a Ford insistiu e a Nissan, desistiu", lamentou.

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