Topo

Mão na roda

Como fazer seguro de carro mais velho? Veja as dicas

Getty Images/iStockphoto
Miniatura de carro; moedas; economia; veículo; automóvel; seguro de carro; finanças; preço; calculadora; negócios Imagem: Getty Images/iStockphoto

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

24/10/2018 04h00

Modalidade "flex" é alternativa para carros com mais de 10 anos de uso

Quem tem um carro com 10 ou mais anos de uso e já tentou fazer seguro pode dizer: muitas seguradoras recusam veículos do tipo e, se aceitam, o custo da cobertura é alto demais, deixando tudo inviável.

De olho nesse mercado, empresas começam a se especializar no seguro para automóveis mais antigos, oferecendo um mecanismo relativamente simples para baratear o serviço: oferecer cobertura simplificada ou segmentada -- também chamada de flexível, ou "flex".

Veja mais

+ Vai vender? "Caçador de carros" fala como valorizar carro
Quer negociar hatches, sedãs e SUVs? Use a Tabela Fipe
Inscreva-se no canal de UOL Carros no Youtube
Instagram oficial de UOL Carros
Siga UOL Carros no Twitter

70% sem seguro

"No Brasil, o seguro de automóvel está muito concentrado em veículos com até cinco anos de uso, que representam cerca de 80% do mercado, hoje formado por aproximadamente 17 milhões de veículos segurados. A principal razão disso é econômica, pois o carro vai ficando velho e depreciado, porém o valor das peças continua muito parecido com o de veículos novos ou seminovos", afirmou Fábio Leme, vice-presidente técnico da HDI Seguros.

É por conta desta situação, que o valor fica inviável usando cotações normais. "Como as seguradoras são obrigadas a colocar componentes originais em eventual reparo, o preço do seguro para veículos mais antigos facilmente chega a 10% ou mais do valor do bem, o que faz muitos proprietários desistirem da proteção".

De acordo com o executivo, cerca de 70% da atual frota circulante no país, formada por aproximadamente 35 milhões de veículos de passeio, roda sem qualquer tipo de cobertura.

De olho nesse mercado, empresas começam a se movimentar para propor alternativas -- e não perder clientes.

O " HDI Fit", por exemplo, promete um custo de 30% a 60% mais em conta, justamente devido à cobertura simplificada -- o seguro completo, tradicional, é chamado de cobertura compreensiva (incêndio, colisão parcial, perda total, furto e roubo e danos a terceiros). Sem franquia, esse seguro simplificado oferece três tipos de proteção, que podem ser contratados individualmente ou combinados: furto e roubo, perda total e danos a terceiros, com assistência 24h simplificada -- quanto maior for a cobertura, mais caro será o seguro. São aceitos modelos com até 20 anos de uso.

"Nossas pesquisas apontam que o medo maior do proprietário de um veículo mais rodado são roubo e furto, até porque carros do tipo são muito visados para abastecer desmanches e o mercado ilegal de autopeças", apontou Leme.

Nessa modalidade, não há cobertura por perda parcial (colisão), justamente para conter os custos. Em breve, a empresa vai oferecer a opção de cobertura por perda parcial, mediante pagamento de fr anquia, porém com valores mais acessíveis na comparação com o seguro compreensivo, também disponibilizado pela companhia. 

A Azul Seguros é outra empresa que trabalha com seguro simplificado, de olho nos proprietários de veículos mais antigos -- no caso, com até 25 anos de fabricação. São duas coberturas diferentes, segundo Gilmar Pires, superintendente de negócios da companhia. O plano "Azul Auto Leve", que promete uma redução de até 25% no valor da apólice, é o mais simples e acessível, disponibilizando cobertura para colisão, incêndio, roubo, furto e responsabilidade civil facultativa, esta opcional. Nessa modalidade, também é possível contratar coberturas adicionais para vidros, retrovisores, faróis e lanternas, danos morais e carro extra. Também oferece assistência 24h e guincho até 200 km. Está disponível para veículos até 25 anos e valor segurado de R$ 80 mil.

Já o "Azul Seguro Auto" cobre colisão, incêndio, roubo, furto e coberturas adicionais podem ser contratadas pelo cliente de acordo com a sua necessidade, como vidros, retrovisores, faróis e lanternas, acessórios e equipamentos, carro extra e danos morais, dentre outras. Está disponível para veículos até 25 anos de fabricação e importância segurada de R$ 150 mil. Além disso, possui assistência 24 horas, com guincho gratuito por até 400 km, cuja contratação pode ser estendida para 1.000 km ou quilometram livre, elevando o custo final.

Nos dois produtos, para veículos com 11 anos ou mais, o segurado tem 5% de desconto no pagamento à vista ou parcelamento em até 10 vezes fixas. Ambos têm franquia básica, mas há outras opções de franquia, mais altas, que reduzem o valor total da apólice.

Personalização

A Youse, plataforma eletrônica de seguros, também mira o mesmo público e aceita veículos com até 15 anos de uso. "Na Youse, o cliente pode contratar qualquer cobertura, não há diferenciação. Oferecemos para esses clientes todas as coberturas básicas. Se eles  desejarem contratar somente roubo e furto, é possível. Ainda damos a cobertura de incêndio de forma gratuita. Não temos limitações para esses veículos. Inclusive, o cliente pode contratar seu guincho com quilometragem ilimitada", explicou Amanda Senedesi, diretora de risco da Youse.

"Infelizmente, muitas seguradoras restringem os produtos para esses perfis de cliente Fizemos uma cotação para um homem casado, com 30 anos, que mora na capital de SP, e possui um Corsa Hatch 2006. O valor do seu seguro variou em torno de 40%, de um produto simples para um mais completo", complementou.

Ainda de acordo com Senedesi, o seguro tem franquia, porém o cliente pode estipular o valor que desejar - vale lembrar, mais uma vez, que franquia mais baixa encarece o valor total da apólice. "Em casos de explosão, queda de raio, incêndio e indenização total, a gente não cobra franquia".

aaaa

A Tokio Marine é outra companhia com opções para carros mais rodados, chamados de "Linha Popular". A aceitação da apólice varia de acordo com a categoria e utilização do veículo, mas em geral, no caso de modelos mais antigos, são aceitos carros de passeio com até 20 anos de uso e caminhões com até 30 anos.

Para atender esse tipo de cliente, a companhia oferece o plano "Tokio Marine Auto Roubo + Rastreador", que tem instalação grátis de rastreador e cobre roubo, furto e incêndio para veículos de passeio. Também disponibiliza o "Tokio Marine Auto Popular", que traz cobertura padrão de colisão e incêndio, com opção de incluir cobertura de roubo e furto (compreensiva), para veículos de passeio a partir de cinco anos de fabricação.

"Ambos são até 50% mais baratos que os seguros tradicionais e as coberturas como danos a terceiros, acidentes pessoas de passageiros e serviços como assistência 24h, guincho, vidros e carro-reserva são flexíveis, para que o cliente ajuste de acordo com suas necessidades e seu bolso", afirmou Luiz Padial, diretor de de automóvel da Tokio Marine.

Vale ressaltar que esses planos têm dois tipos de franquia: oficina livre ou oficina referenciada, sendo esta última com uma franquia menor. O cliente escolhe o tipo de oficina e seu respectivo valor de franquia apenas no momento do sinistro.

Mais Mão na roda