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Mercedes-Benz Classe C 2019 custa a partir de R$ 187.900 e estreia no Salão

André Deliberato

Do UOL, em Mairiporã (SP)

10/10/2018 20h00Atualizada em 11/10/2018 11h25

Feito no Brasil, modelo mais vendido da marca ganha repaginação visual, mas vendas só começam em novembro

A Mercedes-Benz do Brasil revelou nesta terça-feira (9) a linha 2019 de seu carro mais vendido, o Classe C, que chega às lojas no mês novembro, ao mesmo tempo em que acontece o Salão do Automóvel de São Paulo.

Feito no Brasil (em Iracemápolis, no interior de SP), o novo modelo traz leve reestilização visual e uma inédita versão "mild-hybrid" (sistema "híbrido leve"), que troca o motor 2.0 das versões mais fortes por um 1.5 turbo acoplado a uma bateria mais robusta (sai a de 12V, entra outra de 48V da Bosch).

Com isso, o carro usa energia da desaceleração para aumentar a eficiência de todo o conjunto por curto espaço de tempo e, de quebra, economizar combustível. A marca adota o nome comercial de EQ Boost para essa tecnologia.

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O que muda?

Visualmente, o facelift se concentra nos novos faróis (agora todas as configurações têm dispositivo full-LED), novos para-choques frontais, rodas e lanternas (também em LED) que criam o formato da letra "C" em sua disposição de luzes de posição (confira na foto 14 da galeria acima).

Entre as versões, as mudanças limitam-se aos tons de couro adotados no interior, bem como o aplique de madeira de alguns consoles e no desenho e tamanho das rodas, além da oferta de motores. Confira abaixo os preços e o que muda em cada versão:

+ C 180 Avantgarde: R$ 187.900

Versão de entrada segue equipada com motor 1.6 turbo de 156 cv e 25,5 kgfm de torque aliado a uma caixa de câmbio automático de nove marchas. Além da frente renovada com faróis e lanternas full-LED e de novas rodas de liga aro 17, traz console central em piano black (preto brilhante); novo volante com displays sensíveis ao toque; botão de partida (que não existia no Classe C anterior); sistema multimídia inédito com integração para smartphones e assistente de frenagem ativo. Além dessas novidades, o carro continua oferecendo ar-condicionado de duas zonas; direção elétrica; revestimento interno de couro; conexão via Bluetooth e USB para telefones, com acesso a CarPlay e AndroidAuto; câmera de ré e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro; sistema de auxílio em manobras; controlador automático de velocidade com limitador; suspensão com três modos de condução; touchpad no console para comando do computador de bordo; monitoramento da pressão dos pneus; airbags dianteiros e laterais; controles eletrônicos de tração e estabilidade e sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis.

+ C 180 Exclusive: R$ 188.900

Outra versão "de entrada" do modelo, tem como diferenças em relação à configuração Avantgarde os finos apliques de madeira sobre o console e a estrela em pé na extremidade do capô, além das rodas com design mais elegante. As novidades visuais (faróis, lanternas e para-choques) e o nível de equipamentos são os mesmos.

+ C 200 EQ Boost: R$ 228.900

Traz a grande novidade da linha 2019: o motor 1.5 turbo (183 cv e 28,6 kgfm) acoplado ao sistema elétrico EQ Boost (gerando em alguns momentos 14 cv e 16,3 kgfm extras, chegando ao 197 cv). A Mercedes não o considera "híbrido", porque, de fato, o sistema atua dando um ganho momentâneo (quando o motorista crava o pé no acelerador, por exemplo), não como fonte extra e contínua para tração. 

De toda forma, o carro foi classificado como "híbrido" pelo governo e por isso paga IPI reduzido -- UOL Carros já explicou essa nova configuração de taxação.

Esteticamente, traz os mesmos faróis, lanternas e para-choques das outras versões, mas ganha equipamentos inéditos, como painel de instrumentos digital; tela central do sistema multimídia maior (com 10,2 polegadas); ajuste elétrico (na porta) e memorizador para o banco do motorista; espelhos retrovisores antiofuscantes; airbag de joelhos para o motorista; sensor de chuva e teto solar elétrico.

+ C 300 Sport: R$ 259.900

Visualmente as diferenças em relação às outras versões se limitam às rodas maiores, de 18 polegadas, à grade frontal cromada e ao interior que pode receber revestimentos de couro em tons vermelho ou marrom.

Sob o capô, o motor 2.0 turbo de 258 cavalos (antes eram 245 cv) e 37,7 kgfm de torque, também movido pela caixa automática de nove marchas.

Entre os equipamentos, o carro ganha escapamento com ponteira dupla; som do motor no ambiente por meio dos alto-falantes; kit de decoração AMG no interior; volante esportivo com base achatada; relógio analógico no centro do console; retrovisores externos rebatíveis eletricamente e acabamento em madeira com "poros abertos".

Murilo Góes/UOL
Lanternas de LED ganharam o formato da letra "C" em todas as versões Imagem: Murilo Góes/UOL

As entregas começam no mês que vem, mesma época em que a marca apresenta o modelo no Salão do Automóvel de São Paulo. Expectativa da marca é manter a liderança do segmento (hoje ele representa cerca de 51% das vendas da categoria), com mix estimado em 30% para o Avantgarde, 30% para o Exclusive, 25% para o EQ Boost e 15% para o Sport.

Como anda?

UOL Carros teve a oportunidade de acelerar a versão inédita que traz o novo sistema elétrico para "complementar" a força do 1.5 a combustão e ajudar na economia de combustível. O teste aconteceu entre São Paulo e Mairiporã, com trechos da Rodovia dos Bandeirantes, Dom Pedro I e Fernão Dias.

O C200 EQ Boost não empolga, talvez pela expectativa que tenha sido criada por esperar um torque exuberante, o que não acontece sempre. Não que lhe falte fôlego, muito pelo contrário: ele atinge velocidade de cruzeiro rapidamente e de forma muito bem escalonada com o câmbio de nove marchas.

Ainda assim, fica claro que o EQ Boost agiliza as respostas e amplia a eficiência do motor 1.5 turbo, além de permitir uma partida mais silenciosa do veículo.

Isso cria no modo econômico a possibilidade de rodar no modo "sailing": em velocidade de cruzeiro, o carro corta a ignição e entra no modo "roda livre", permitindo que o motor economize ainda mais combustível. Qualquer re-aceleração ou frenagem reativa o motor -- veja, na foto 20 do álbum que acompanha este texto, que em certo momento do teste estávamos a 107 km/h com 0 rotação no conta-giros.

O recarregamento do sistema elétrico é feito com a energia recuperada em desacelerações e frenagens, assim como outros carros híbridos não plugáveis (como o Toyota Prius, por exemplo) fazem.

Curvas, comportamento das suspensões e respostas da direção continuam excelentes, como já é de praxe em um Classe C. Consumo de combustível? Rodando predominantemente em estrada, com três pessoas a bordo, bagagem e ar-condicionado sempre ligado, chegamos a fazer 13 km/litro.

Por fim, vale dizer que o visual não chama a atenção e as novidades estéticas da linha 2019 só conseguem ser percebidas de perto. Mas talvez isso seja justamente o que a marca gosta, ter um bom carro com perfil menos chamativo.

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